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Harnonização ou plástica facial?

Por Glauco Rocha
20/03/20 - 12:42

Nenhuma outra parte do corpo humano demonstra de modo tão aparente e evidente os efeitos degenerativos e o peso da idade, quanto a região facial e o pescoço.

A face, devido a sua anatomia diferenciada e complexa, expõe e expressa fortemente as emoções e os desejos do ser humano.

O contorno facial pode apresentar deformidades estéticas e funcionais derivadas de causas genéticas ou adquiridas devido ao envelhecimento, flacidez cutânea, exposição ao sol, obesidade, tabagismo, etc.

A harmonização facial no seu sentido mais amplo, muito procurada nos dias de hoje, tem indicações para casos de alterações estéticas, que não são alterações profundas e são procedimentos ambulatoriais.

Sem dizer que, por serem possíveis de serem realizadas em consultório, e com (suposta) baixa invasividade, nos dias atuais, além de cirurgiões plásticos e dermatologistas, que em tese são os profissionais da área médica devidamente habilitados e qualificados para estes procedimentos, por falta de fiscalização e regulação observamos agentes de saúde de outras áreas e até paramédicos e esteticistas propondo-se a efetuar estes tratamentos, geralmente estimulados por retorno financeiro mais rápido e fácil. São procedimentos com curva de aprendizado mais rápidos e mais acessíveis.

O mercado na área embelezadora e estética possui uma competitividade acirrada e selvagem, sujeitando em muitos casos o paciente a insatisfações e complicações.

Porém, os procedimentos realizados em consultórios, tem efeitos temporários ou de curta duração, e devem ser constantemente refeitos, e em muitos casos com resultados limitados.

Estes tratamentos obtiveram grande impulso, devido também, a técnicas cirúrgicas de rejuvenescimento facial que se baseavam em conceitos hoje considerados obsoletos e totalmente ultrapassados, conferindo resultados estigmatizados e plastificados, gerando rejeição em grande parte das candidatas (os) a este tipo de cirurgia.

A cirurgia de rejuvenescimento facial teve seu início, no começo do século passado, baseada em cirurgias mais simples e com resultados bem limitados. Inconformada com estas limitações, a comunidade científica da cirurgia plástica, incentivou e incrementou estudos mais amplos e profundos na anatomia e fisiologia das estruturas anatômicas da face e pescoço, atualizando e aperfeiçoando conceitos e técnicas cirúrgicas, obtendo cada vez mais melhores resultados, mais duradouros, mais agradáveis e principalmente mais naturais.

As primeiras abordagens da cirurgia da face tinham como conceito o deslocamento da pele que era tracionado tendo seu excesso retirado, com o restante sendo reposicionado.

Com a melhor compreensão da anatomia facial, decorrente de vários estudos científicos, chegou-se a importante conclusão de que a pele era somente órgão de cobertura e não de sustentação.

Nos anos 70 e 80, intensificaram-se os estudos e dissecções anatômicas das estruturas da face, observando-se suas variações e diferenças na anatomia e a importâncias do SMAS (sistema músculo aponeurótico superficial da face) e dos ligamentos retentores faciais, chamando a atenção para a importância crucial destas estruturas na sustentação e firmeza do rosto e pescoço.

Ficou então estabelecido, como a melhor abordagem, o tratamento simultâneo das estruturas profundas da face e da pele que deveriam ser deslocadas separadamente, e com profundidades e extensões distintas, sendo então tracionados cada uma a seu modo adequado.

Com o advento da lipoaspiração, chegou-se a outro marco no aperfeiçoamento das técnicas de cirurgia facial, pois esta possibilitou um ainda melhor contorno facial.

Logo a seguir utilizando-se do conceito da lipoaspiração em deslocamento da pele através da liberação desta em movimentos de vai e vem tunelizantes, soltando a pele, mas sem romper as artérias perfurantes que alimentam a cobertura cutânea, a cirurgia passou a ser mais ainda efetiva, menos invasiva e com resultados mais previsíveis, efetivos e naturais.

Deste modo a atual cirurgia facial compõe-se de lipoaspiração, eliminado depósitos gordurosos subcutâneos (quando indicado), ou usando cânulas / dilatadores soltando e liberando a pele, mas preservando sua alimentação arterial, possibilitando deste modo, um menor descolamento a bisturi, sendo assim, menos invasivo e permitindo o tratamento das estruturas profundas seja por deslocamento e tração limitado ou plicaturas (pontos) cirúrgicas destas estruturas profundas.

Permitem ainda, resultados mais duradouros (em torno de 10 anos), menos invasivos, cirurgias mais rápidas, bem mais seguras e com aspecto final mais agradável.

Todas estas manobras permitem nos dias atuais, uma cirurgia na face e pescoço com resultados excelentes e com mais naturalidade fugindo do estigmo de rosto operado.


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