Esquerda e direita (parte 4)

Progressistas e Conservadores

Por Ricardo Lengruber - 28 de Janeiro de 2019, 10:06

Série de seis artigos sobre Ideologia, Política e Economia. Na Europa, nos EUA e no Brasil. Do século XVIII ao século XXI.

Direita e esquerda no Brasil

Essa confusão de compreensão sobre direita e esquerda, no tempo (ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX) e nos diferentes territórios (Europa e EUA), faz com que se deva olhar com bastante cautela para essas categorias na História do Brasil. Afinal, o Brasil do Império do século XIX sofre total interferência da política e economia europeias; ao passo que ao longo do século XX, as diferentes fases da república brasileira são muito influenciadas pelos EUA.

O Período Imperial (1822 a 1889)

No Brasil, a disposição dos atores políticos como sendo de Direita ou de Esquerda remonta ao período do Império, quando se enfrentavam no cenário político o Partido Conservador (Direita) e o Partido Liberal (Esquerda).

O Partido Conservador era formado por grandes proprietários rurais, ricos comerciantes e altos funcionários do governo. Defendiam um regime forte, com autoridade concentrada na monarquia e pouca liberdade às províncias (Estados).

Já o Partido Liberal era composto, além de proprietários de terras também, por pensadores progressistas que defendiam os interesses das camadas médias urbanas e o equilíbrio dos interesses dos senhores rurais com propostas de abolição da escravatura de forma gradual e sem conflitos. Os liberais defendiam o fortalecimento do parlamento e trabalhavam para que as províncias tivessem mais força na política nacional.

Ainda no Império, surgiu em 1831 o Partido Restaurador (que também era chamado de Caramuru), cuja principal bandeira era a volta de D. Pedro I.

A Primeira República (1889 a 1930)

Com a Proclamação da República, o Partido Conservador foi extinto e o Partido Liberal acabou por se tornar a Liga Progressista.

A Proclamação fortaleceu o surgimento de partidos republicanos regionalizados. Cada um defendendo interesses de suas províncias. Neste período se destacaram os Partidos Republicanos de São Paulo e Minas Gerais, naquilo que ficou conhecido como Política do Café-com-Leite e que se alternaram na presidência do país. Vale destaque também para os partidos formados no Rio Grande do Sul e a permanente interferência na política nacional.

Foi o período do coronelismo. Das eleições manipuladas ou de arranjos prévios entre os chefes políticos de cada estado. Como eram os funcionários do governo que controlavam os procedimentos eleitorais e faziam a contagem dos votos, em cada estado brasileiro uma máquina política-eleitoral - composta pelo coronel, pelo cabo eleitoral e pelo curral eleitoral - foi montada com a função básica de garantir resultados satisfatórios ao grupo governante.

Os partidos ideológicos

O início do século XX assistiu ao surgimento de correntes ideológicas muito marcadas em todo o mundo. No Brasil foram, principalmente, dois os partidos que concentraram essas ideologias.

À extrema esquerda, estava o Partido Comunista do Brasil (PCB) que foi fundado em 1922 e era ligado a III Internacional Comunista. Seu principal líder foi o gaúcho Luís Carlos Prestes. O PCB foi responsável pela fracassada tentativa de Golpe de Estado com a Intentona Comunista de 1935, que ocasionou na prisão de seus principais líderes. Durante a Era Vargas o partido esteve a maior parte do tempo na ilegalidade. Após o Golpe de 1964, seus integrantes caíram na clandestinidade ou fugiram do país, mas muitos aderiram a grupos guerrilheiros. No início dos anos 1980, o partido retornou a legalidade, porém dividido em Partido Comunista Brasileiro (PCB) e Partido Comunista do Brasil (PC do B).

À extrema direita, a Ação Integralista Brasileira (AIB) que foi fundada em 1932. Era inspirada no Movimento Fascista italiano de Mussolini e foi liderado por Plínio Salgado. Algum tempo depois, muitos de seus integrantes ingressaram no PRP. A instauração do Estado Novo em 1937 extinguiu o partido.


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