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Nova Friburgo tem protesto após caso de mulheres queimadas por homem

Dezenas de pessoas se reuniram no final da tarde de quinta-feira, 10, no distrito de São Pedro da Serra e saíram em ato pacífico pela principal rua da localidade

Por Isadora Jaron e Bernardo Fonseca
11/10/19 - 09:35

Cerca de 70 pessoas se reuniram no final da tarde desta quinta-feira, 10, na quadra do distrito de São Pedro da Serra, em Nova Friburgo, Região Serrana do Rio, para um protesto após o caso de duas mulheres queimadas por um homem (ex-namorado de uma das vítimas), que as trancou na residência de uma delas e pôs fogo.

O ato, convocado por amigos das vítimas, teve início por volta das 17h. Estavam presentes, crianças, adultos e idosos. Os manifestantes produziram cartazes com dizeres como “Parem de nos matar”, “Diga não ao feminicídio”, “Daniela Mousinho presente” e “Lute pela igualdade, as mulheres merecem”.

Crianças e adultos participam de confecção de cartazes antes de protesto, em São Pedro da SerraCrianças e adultos participam de confecção de cartazes antes de protesto, em São Pedro da Serra | Foto: Isadora Jaron

Para a autônoma Juliana Benachaya, o principal objetivo do protesto foi conscientizar a população com relação à violência contra a mulher. Para ela, o caso chocou a localidade. "Olha, a questão do impacto foi muito grande. Primeiro, porque foi um crime bárbaro. Segundo, pelo motivo de ter sido com pessoas próximas e isso obviamente choca a todas, mas principalmente por ser uma coisa corriqueira. Não foi uma exceção. A gente vê violência contra mulher cotidianamente de várias formas", disse.

“É um crime muito chocante. De alguma maneira, aqui na região, tem um histórico de muita violência contra a mulher. São duas meninas queridas e a gente agora tem que fazer valer a voz. Fale. Não se cale!”, afirmou a profissional da saúde, Romina Carvalho.

Já o tatuador Bernardo ressaltou a importância da união das pessoas em lutar contra a violência a mulher: “Esse movimento é criado por mulheres e que prega a união. Mas não é um movimento só para elas. Estamos em um novo século, em um novo mundo e nós temos que unir nossas mãos e dizer não à violência contra mulher”.

Crianças seguram cartazes durante ato na rua Rodrigues Alves, no Centro de São Pedro da SerraCrianças seguram cartazes durante ato na rua Rodrigues Alves, no Centro de São Pedro da Serra | Foto: Isadora Jaron

Após a concentração, o grupo fez um minuto de silêncio em memória de Daniela. Em seguida, o ato seguiu de forma pacífica pela rua Rodrigues Alves, principal do distrito. Às 18h, todos pararam e, em homenagem as duas vítimas, cantaram uma música. O protesto terminou por volta das 18h30.

Protesto pediu justiça para o caso e o fim da violência contra às mulheresProtesto pediu justiça para o caso e o fim da violência contra às mulheres | Foto: Isadora Jaron

Sobre o caso

O caso aconteceu na noite da última segunda-feira, 7, e teve ampla repercussão em Nova Friburgo e região. Rodrigo Alves Maroti (30 anos), ex-namorado de Alessandra Vaz (47 anos), foi à casa da ex, em um condomínio na RJ-142, para, segundo depoimento do homem à polícia civil, cobrar a parte dele em um negócio em que seria sócio de Alessandra e que não estaria sendo cumprida.

Ainda de acordo com a polícia civil, no relato Rodrigo afirmou que teria perdido a cabeça e, por volta das 22h30, trancado a ex-namorada e uma amiga, Daniela Mousinho (47 anos), que também estava na residência, no banheiro. Em seguida, o homem colocou fogo na casa e fugiu.

As duas vítimas foram retiradas do imóvel pelos vizinhos que ouviram os pedidos de socorro. Daniela teve 90% do corpo queimado, foi levada para o Hospital Municipal Raul Sertã e transferida, no dia seguinte, para uma unidade especializada em vítimas de incêndio, em Nilópolis, na Baixada Fluminense, mas não resistiu, vindo a óbito na quarta-feira. Já Alessandra, que teve cerca de 80% do corpo queimado, segue internada em estado gravíssimo em um hospital particular de Nova Friburgo.

O acusado foi preso e, segundo informações da Polícia Civil, enquanto esteve na 151ª DP, não demonstrou emoção ou remorso pelo crime. De acordo com o chefe da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Nova Friburgo, Leopoldo Goulart, Rodrigo se mostrou tranquilo e respondia apenas o que lhe perguntavam. Ele foi encaminhado para o presídio de Benfica, no Rio de Janeiro, e vai responder por feminicídio.