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Portal Multiplix

A nobre tarefa de ser professor

Por Ricardo Lengruber
21/10/19 - 09:45

Eu parto do princípio que o saber é sempre coletivo. Tenho certa dificuldade, inclusive, com ‘direitos autorais’. Tudo que criamos e produzimos é, em certo sentido, compartilhado na sua gênese. Todo mundo que ‘faz’ algo o faz a partir dos outros.

Por isso, acho que deveria ser compartilhado também na sua finalidade; lá na vida concreta onde esse saber é desfrutado, como obra, como tecnologia, como arte, como qualquer coisa.

Mas concordo também que há saberes especializados. E, mesmo que coletivos e colegiados, são saberes que requerem cuidado de quem se dedicou a fazer aquilo com esmero. E inspiram também respeito por seus profissionais. Médicos, engenheiros e advogados gozam desse espaço ao sol. São consultados em suas especialidades e são - ainda que às vezes cega e equivocadamente - respeitados.

Infelizmente, dos muitos problemas na área de educação que há no Brasil, um muito sério é o fato de todo mundo se julgar entendido da matéria e viver dando pitaco naquilo para o que nunca se dedicou. E pior: ainda responsabilizam os professores pelo caos na área, quando há séculos tem muita gente interferindo sem qualquer ciência nessas questões.

Tão ruim quanto são os profissionais de outras áreas (saúde, direito, humanas, tecnológicas ...) que se arvoram a pecha de ensinar professores em sua labuta no chão das salas de aula. Interdisciplinaridade é uma coisa. Presunção é outra.

Se é verdade que muitos (talvez todos) tenhamos responsabilidade como ‘educadores’ numa sociedade, é verdade também que poucos são ‘professores’. E o quantitativo só diminui, porque cada vez mais gente pensa entender dessa seara e por isso cada vez menos gente tem se disposto a investir seu tempo num saber tão banalizado.

É a isso que denominamos “círculo vicioso”.

Acesse https://youtu.be/KXXyMQB2Xz0


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