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Administração moderna das escolas e macropolítica

Primeira parte

Por Hamilton Werneck
25/01/21 - 11:39

Uma administração moderna das escolas é uma imposição de nosso tempo, resta saber o que, na verdade, significa esta palavra “moderna”.

Parece-me que nós chegamos a ter conhecimento do que não devemos fazer, resta estabelecermos, o que deverá ser feito para que uma escola seja a representação das exigências que o tempo requer.

Então, sob o ponto de vista macropolítico – e, portanto, de uma visão abrangente das questões humanas no planeta – tendo em vista uma educação que seja aliada da sobrevivência humana, alguns aspectos devem ser afastados e, outros, incorporados.

Nos dois primeiros decênios do século XXI retornou ao mundo uma série de visões compartimentadas do espaço, altamente reducionistas e marcadas pelo atraso de séculos que viveram nacionalismos exacerbados.

Ao lado desse retrocesso, temos alguns comportamentos de pessoas ou governantes que disseminam ideias incapazes de colaborar com a sobrevivência da humanidade.

A primeira delas que abordo neste artigo é o negacionismo. Algo não existe porque o governante ou o chefe, não querem que exista, mesmo diante das evidências. Tornou-se comum nestas duas décadas, encontrarmos governantes que simplesmente usam a sua autoridade para negar uma evidência. Para uns, perdedores fragorosos em eleições, onde o candidato à sua frente carrega mais de seis milhões de votos de diferença, sem argumentação alguma, simplesmente nega que o adversário perdeu e, pior, passa ao mundo uma lição de negacionismo ignorante, felizmente não aceito por tribunal algum, incluindo-se a Suprema Corte do país que evidenciou este fato.

Outros governantes, ainda os hão, espalhados pelo planeta que negam a existência de uma pandemia como a da Covid-19. Diante da possibilidade de um vírus com letalidade calculada em 3% dos pacientes, preferem negá-lo para manter o comércio aberto, salvar o lucro das empresas, não os empreendedores e suas vidas. Afinal, só um “maricas” temeria a letalidade de 3%. Fica claro que o negacionismo, diante deste comportamento específico, não se importa com as pessoas. Afinal, 3% de mortos é muito pouco diante dos trezentos milhões de habitantes de um país, em nosso caso hipotético. Então imaginemos, se um país com esta população tiver 3% de mortos, serão NOVE MILHÕES de sepultamentos, o mesmo número de mortalhas, de caixões, de famílias dilaceradas em sua afetividade. Parece que, para certos governantes, a vida nada vale.

A repercussão disto dentro de uma escola com aulas remotas durante uma pandemia é algo de altíssima gravidade, se os alunos passarem a compreender que tudo se resolve com a negativa que melhor lhe convier e que as vidas não importam. Estaremos diante de uma catástrofe educacional porque a educação seria contrária à ciência e adversa à vida das pessoas.

Presenciamos uma aula pública num país das Américas, após a morte de um homem negro, asfixiado pela polícia, quando a população saiu às ruas portando o slogan “black lives matter”.

Não escapam algumas escolas que a todo custo queriam o retorno dos alunos, sobretudo aquelas menos aparelhadas tecnicamente, menos modernas, portanto, pelo medo patente de ter de fechar as portas. Quem acordou para a modernidade com antecedência e fez os investimentos necessários, não precisou negar a evidência do perigo sanitário, nem recorrer à justiça.

A pandemia veio dizer aos educadores, gestores públicos ou particulares que a modernidade é necessária e deve superar as perversas ignorâncias negadoras de evidências, contrárias à ciência, aliadas de um superado mandonismo, preparadora de um profissional do passado.

Aproveitando as comunicações de nossa época, as escolas precisam estar atentas ao retorno dos alunos. Está havendo muito desânimo e, na realidade econômica de muitas famílias, o cancelamento da matrícula é um fato. Portanto, cuidem dos que não retornarem. Quando a gripe H1N1 atingiu em cheio a Índia, 15% dos alunos do ensino básico não retornaram. No Brasil, estima-se uma taxa de 20%. Tal fato é gravíssimo porque temos em torno de cinquenta milhões de alunos no ensino básico que, a uma taxa de 20% representarão em torno de 10.000.000 que abandonarão a escola. Se somarmos a este número os 3,5 milhões que já estavam fora da escola, atingiremos 13.500.000 o que significa menos verba para a educação pública porque os cadastros serão afetados, menos emprego para os professores e menor evolução do conhecimento no país.


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