Setembro Amarelo: Como colaborar no tratamento de pessoas com depressão?

Auxílio de familiares e amigos é essencial na cura da doença

Por Luisa Machado
10/09/19 - 09:22
Setembro Amarelo: Como colaborar no tratamento de pessoas com depressão? A melhor forma de lidar com a depressão é procurar ajuda profissional | Foto: Banco de Imagem

A cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo. O dado, divulgado nesta segunda-feira, 9 de setembro, é da Organização Mundial da Saúde (OMS), referente a 2016, e estima que cerca de 800 mil pessoas cometam o ato, por ano. Informações do Ministério da Saúde complementam as da OMS e apontam que, entre 2007 e 2016, foram registrados 106.374 óbitos por suicídio, no Brasil. A média é de um suicídio a cada 46 minutos. Somente em 2016, foram 11.433 mortes por essa causa.

O crescimento no número de casos de depressão pode ser um dos motivos causadores desse alto índice de mortes. Registros da OMS no Brasil mostram que 5,8% da população tem a doença, o que significa que mais de 11 milhões e 500 mil brasileiros sofrem de depressão. No ranking, o país ocupa a segunda colocação da América com mais casos da doença, ficando, apenas, atrás dos Estados Unidos, com 5,9% da população depressiva.

Para o psicólogo Khristian Drummond, de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, a maior causa dos suicídios no país é a depressão. E a doença, que merece uma atenção especial pelo número de casos registrados, pode se apresentar de diferentes formas, nem sempre refletindo em pensamentos suicidas.

“Existem outros sinais de depressão que não se resumem, apenas, aos pensamentos de morte, como a baixa autoestima, a dificuldade de sono, irritabilidade, ganho de peso, dificuldade de concentração, excesso de preocupação, desânimo, vários outros sintomas que as pessoas podem ter que simbolizam a depressão, mas não necessariamente têm ligação com o suicídio. É importante lembrar que ter pensamentos suicidas não quer dizer, necessariamente, que a pessoa tem coragem de cometer o ato. Existem pacientes que têm uma formação religiosa mais forte, por exemplo, e isso não os livra da depressão, mas eles não pensam em suicídio”, explica o psicólogo.

Em busca de diminuir os índices de suicídio, a OMS lançou, em 2015, a campanha Setembro Amarelo, voltada para a conscientização da população para esse que é um dos principais casos de saúde pública do mundo. Há cinco anos, o projeto, que tem representatividade em todo o planeta, atenta para a necessidade de buscar ajuda para solucionar os problemas que podem se tornar justificativas para a morte precoce.

A friburguense Thaís Lamblet, de 26 anos, ainda luta contra a depressão e reforça a importância de ver o Setembro Amarelo como uma data para conscientização, não só da depressão, mas do suicídio no geral. Para ela, a procura por ajuda profissional é essencial para o tratamento.

“Eu tenho depressão, já estive em quadros muito piores e degradantes, hoje em dia ela está controlada com auxílio de medicações e terapia. Mas ela está presente e eu convivo com ela. Não tem uma fórmula ou receita. A melhor forma de procurar ajuda, como toda doença, é buscando um tratamento profissional. Sendo uma doença, existem diversos profissionais e diversos métodos de você conseguir se encontrar e ver qual o que mais se adequa a sua mente”, revela a jovem.

Buscar ajuda de profissionais. Essa é a forma mais eficaz para quem busca se curar da depressão. Mas como lidar quando é um parente ou amigo próximo, que está passando pelo mal-estar? Khristian explica que é preciso estar atento, sempre, às pessoas próximas e queridas, porque a depressão pode acometer qualquer pessoa.

“A grande questão da depressão é que, quando a pessoa adquire, ela não sabe que está passando pela doença. São poucos os pacientes que têm essa consciência. Se a pessoa está desanimada, sem vontade de sair, deixa de se arrumar, parece triste, ou irritada, pode ser sinal de depressão. A família, os amigos, colegas de trabalho são as pessoas que percebem esse mal-estar e que devem estar atentas para oferecer a ajuda necessária. É importante lembrar que essa doença tem tratamento, e que perigoso mesmo é ficar tendo que lidar com a doença sem acompanhamento e tratamento”, finaliza o psicólogo.