Queimadas na Região Serrana quadruplicam em agosto de 2019

Nova Friburgo e Teresópolis tiveram aumentos consideráveis no número de incêndios em vegetação

Por Matheus Oliveira
04/09/19 - 09:47 | Atualizada em 04/09/19 - 13:01
Queimadas na Região Serrana quadruplicam em agosto de 2019 Queimadas na área do 6ºGBM tiveram aumento significativo em comparação com 2018 | Foto: Frank Martins

Em mês marcado pelo aumento do número de queimadas na Amazônia, todos se perguntam: como fica a questão na Região Serrana? Com base nos dados do Corpo de Bombeiros, é possível constatar que o aumento no número de queimadas foi uma tendência também nas matas da serra fluminense.

Nova Friburgo

Segundo o comandante do 6º Grupamento de Bombeiros Militar (Nova Friburgo), tenente-coronel Thiago Alecrim, apenas em agosto deste ano, ocorreram 95 registros de fogo em vegetação, quase quatro vezes mais que o número de casos do ano passado: 24 em toda área de cobertura do 6ºGBM, que corresponde às cidades de Cordeiro, Cachoeira de Macacu, Cantagalo e Bom Jardim, além de Nova Friburgo. Entretanto, o comandante do 6ºGBM faz uma ressalva.

“A comparação com 2018 fica prejudicada, pois, no ano passado, o mês de agosto teve a ocorrência de muitas chuvas, o que evitou a propagação de incêndios. Em 2016, foram 64 eventos de fogo em vegetação registrados, por exemplo” afirma.

Ele destaca ainda que a maioria dessas queimadas é provocada pela ação humana, já que grande parte das áreas atingidas fica próxima de ocupações urbanas.

O Corpo de Bombeiros de Nova Friburgo informa ainda que foram registradas um total de 530 queimadas na área de cobertura do 6ºGBM. Apenas em Nova Friburgo ocorreram 239 queimadas.

Teresópolis

Na cidade de Teresópolis e nas outras cidades de abrangência do 16º Grupamento de Bombeiros Militar, o número de incêndios aumentou consideravelmente se compararmos os meses de agosto de 2018 e 2019.

O dado que mais chama atenção neste sentido é resultado da comparação dos registros de todo o ano de 2018 e os oito primeiros meses desta temporada. Em 2018, aconteceram 57 casos de incêndio em vegetação. Já neste ano, até agosto, 76 ocorrências já foram registradas. O 16ºGBM cuida das ocorrências das cidades de Teresópolis e Carmo.

De acordo com o comandante do 16ºGBM, Fábio Gonçalves, durante agosto deste ano ocorreram 25 casos de incêndio em vegetação. No ano passado, foram registradas 18 ocorrências deste tipo.

O comandante do 16º GBM, Fábio Gonçalves, afirma que 80% dos incêndios ocorrem por ação humana.

Recomendações

Incêndios em vegetação podem alterar o equilíbrio natural em área de florestas devido à queima de espécies vegetais e da evasão, e até morte, de animais. O fogo também pode levar ao empobrecimento do solo.

Segundo informações do Corpo do Bombeiros, os focos de incêndio em vegetação são mais comuns quando há conjunção de fatores como altas temperaturas, baixa precipitação e baixa umidade do ar. Embora muitas vezes não seja possível evitar este tipo de ocorrência, a corporação recomenda:

  • Não acender fogueiras;
  • Não queimar lixo no quintal;
  • Não soltar balões;
  • Não jogar pontas de cigarro em qualquer ambiente, principalmente, nas estradas próximas à vegetação;
  • Não jogar garrafas de vidro em áreas florestais e em beira de estrada. Elas funcionam como lente de aumento para os raios solares, gerando calor.

Punições

Quem provoca incêndio está sujeito a pagar multas altas ou até mesmo ser preso, dependendo das consequências dos seus atos. Por isso, é dever de todos a conscientização. É ideal que a população ajude a denunciar esse crime através dos telefones da Polícia Militar (190). Não há recompensas, mas o que vale é a colaboração de cada cidadão para a preservação do meio ambiente.

Ações dos Bombeiros

Além de possuir um grupamento especializado em combate a incêndios florestais, o Corpo de Bombeiros elabora planos de prevenção e ação nas entidades parceiras (Unidades de Conservação e Defesa Civil Municipal/Estadual), realiza trabalho de conscientização por meio de distribuição de material impresso, vídeos e palestras para diversos públicos.

A Secretaria de Estado de Defesa Civil elaborou recentemente um estudo que identifica as áreas de vegetação mais vulneráveis a ocorrências de incêndios florestais no território fluminense. O chamado Mapa de Susceptibilidade foi criado a partir do trabalho realizado pelo Centro de Estudos e Pesquisas (Cepedec) e auxilia no planejamento das ações de prevenção, levando em consideração três cenários possíveis - anual, trimestral seco e trimestral úmido.