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Designer friburguense concorre ao prêmio Brasil Design Award

Ilana Guilland de Nova Friburgo concorre à premiação da Associação Brasileira das Empresas de Design

Por Matheus Oliveira
28/10/20 - 08:30
Designer friburguense concorre ao prêmio Brasil Design Award Ilana Guilland concorre a prêmio nacional de design | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Celeiro de talentos, Nova Friburgo se destaca em vários setores através de seus filhos ilustres que acontecem mundo afora. E agora, em plena pandemia, mais um profissional se destaca nacionalmente, desta vez, no setor de design. Trata-se da jovem Ilana Guilland, de 23 anos, que tem seu projeto de conclusão de curso pela PUC-RJ, denominado “Bonde da Gambiarra” concorrendo ao prêmio Brasil Design Award, promovido pela Associação Brasileira das Empresas de Design (ABEDESIGN), na categoria Design de Impacto Positivo-Estudantes.

Ilana, que concluiu o curso de design neste ano, revela que elaborou o projeto em uma disciplina da graduação e que este foi inscrito pela universidade no prêmio em julho.

“Como eu tinha acabado de concluir o projeto na graduação, mas tinha uma pretensão, desde o início, de levar um projeto para fora da PUC, vi no fato de continuar desenvolvendo-o, depois de concluir o curso, uma oportunidade de iniciar esse processo de expansão”, diz Ilana que ficou sabendo da indicação através dos professores.

A votação popular já foi encerrada e a cerimônia de premiação vai ocorrer no dia 25 de novembro, segundo o site do Brasil Design Award. Ilana concorre ao prêmio com outros 29 projetos.

O projeto

Segundo a designer, o Bonde da Gambiarra é uma metodologia com foco no ensino fundamental, mas que também pode ser adaptada para o ensino médio. Ele pretende, basicamente, criar repertório para professores e professoras do ensino fundamental e do ensino médio para gerar essa aproximação da tecnologia ao cotidiano da periferia, por meio de uma valorização dos saberes, conhecimentos e culturas da favela.

Ilana ressalta que o projeto vem sendo desenvolvido em parceria com pessoas das áreas da educação, tecnologia e das ciências, professoras, professores, cientistas da computação e pesquisadores em tecnologia, e acredita que ele tem tudo para ser colocado em prática.

“Com o Bonde da Gambiarra, o meu objetivo era gerar uma metodologia de educação tecnológica por meio do desenvolvimento de projetos de gambiarra. Conforme o projeto foi se desenvolvendo passamos a entender a gambiarra como uma questão mais ampla. Então, hoje em dia, a gambiarra é uma iniciativa interdisciplinar tratada como um processo de improviso que pretende unir as diversas áreas da educação”, revela.

Processo de construção

Ilana conta que o Bonde da Gambiarra foi desenvolvido entre o segundo semestre de 2019 e o primeiro deste ano, começando pela fase de pesquisa desde 2018, onde identificou que a introdução da tecnologia nas dinâmicas da sala de aula iria virar requisito básico da educação.

“Na minha visão, essa era uma questão que estava muito voltada pra uma condição elitista e privilegiada”, afirma.

“A gente sabe o quanto o ensino público brasileiro é extremamente defasado, sofre com descaso enorme do Estado e por isso é muito carente de recursos básicos. Então, eu ficava pensando como é que as escolas públicas vão acompanhar essa tendência de inserção de tecnologias se muitas delas não têm a estrutura básica para o ensino”, completa. Assim, surgiu o insight de desenvolver o Bonde da Gambiarra.

No processo, Ilana conta que juntou esta ideia a um programa realizado em 2017, voltado para “a ideia da invisibilidade das mulheres negras na sociedade com foco na questão da tecnologia”.

Enquanto desenvolvia este primeiro projeto, ela conheceu uma iniciativa do PretaLab, do Olabi, espaço de cultura maker que fica em Botafogo, na Zona Sul do Rio.

O projeto realizava um mapeamento de profissionais da tecnologia para entender como que era feita a relação entre gênero e raça neste cenário.

Este trabalho produziu um material que ajudou a jovem friburguense a construir o “Bonde da Gambiarra”.

Design

Por fim, ela ressalta que escolheu o design para trabalhar com moda e produto, mas passou a se incomodar com o setor voltado para o lucro e que desenvolvia soluções para pessoas com dinheiro.

Com o decorrer dos anos na PUC, a friburguense passou a se voltar para o design social e buscar soluções para pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Escolher design me ajudou a conhecer e a aprender coisas do saber popular e periférico. Coisas da cultura favelada que as pessoas, às vezes, acham que é ruim, mas que na verdade precisam muito de um olhar de valor, sabe? Das pessoas verem aquilo ali como potente e precioso. A gente precisa muito aprender com as pessoas para que a gente possa mesmo construir um futuro coletivamente diverso e menos desigual do que a gente tem visto e que está sendo feito hoje em dia”, conclui.

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