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Dois pacientes com Covid-19 morreram sem leito de UTI em Nova Friburgo

Informação é da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro; confira entrevista com o defensor Cristian Barcelos

Por Bernardo Fonseca
06/04/21 - 15:50
Dois pacientes com Covid-19 morreram sem leito de UTI em Nova Friburgo Lotação máxima de leitos de UTI para Covid-19 do Hospital Municipal Raul Sertã, em Friburgo, levou a duas mortes de pacientes que não conseguiram transferência a tempo para outra unidade de saúde | Foto: Divulgação/SECOM

É fato que há um colapso do sistema de saúde público e privado de Nova Friburgo, na Região Serrana. A afirmação é do defensor público Cristian Barcelos, que concedeu entrevista ao Portal Multiplix. Na última quinzena de março, a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro recebeu quatro ações que foram ajuizadas com uma finalidade em comum: buscar um leito de UTI para quem precisa. E, em dois desses casos, não houve final feliz.

Um paciente precisou ser transferido da enfermaria do Hospital Municipal Raul Sertã para Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A filha do paciente solicitou à Defensoria a transferência, a ação foi ajuizada, uma decisão Judicial determinou que ele fosse transferido, mas não houve tempo suficiente e o paciente faleceu. O caso ocorreu no dia 21 de março.

Mais um óbito ocorreu no dia 25, quando outro paciente, que estava internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Conselheiro Paulino, precisou ser transferido para a UTI, mas também não pôde ser transferido em tempo hábil, já que a UTI do Raul Sertã estava lotada. Outros dois pacientes, que estavam na UPA, recorreram à Defensoria e, por meio de decisão judicial, conseguiram ser transferidos a tempo.

“Os percentuais de ocupação dos leitos estão sempre muito próximos ou em exatos 100% (em Nova Friburgo). E a prova (do colapso) é justamente quando você precisa recorrer ao Judiciário para garantir uma transferência, que foi um médico que recomendou”, explica o defensor.

Na última segunda, 5, por exemplo, a taxa média de ocupação dos leitos de UTI na cidade, tanto públicos quanto privados era de 98%. Havia apenas uma vaga aberta em um hospital privado. Todos os outros estavam ocupados.

A última ação ajuizada na Defensoria estadual foi no dia 30 de março, mas o órgão segue de plantão para atendimento caso mais pessoas precisem de leitos.

Quando a gente vem a público anunciar que X pessoas precisaram de um leito de UTI é porque houve a necessidade. O que a gente não pode é recriminar que as pessoas procurem a Defensoria, dada à velocidade e voracidade com que a doença ataca.

A realidade de saturação dos hospitais não é diferente em outros municípios. Dados do Painel de Monitoramento Covid-19 da Secretaria Estadual de Saúde mostram que até ontem, 844 pacientes aguardavam por um leito, sendo 640 de UTI, em todo o estado do Rio de Janeiro. E como os leitos do SUS são regulados, é importante frisar que a falta de vaga num hospital de uma cidade pode impactar a de outra, que talvez esteja em situação melhor. Por isso, a importância da aplicação e do cumprimento de medidas sanitárias e de controle da pandemia.

“Temos plena convicção do prejuízo para todos, de uma restrição maior, mas podemos afirmar, por experiência própria, que a consequência de um afrouxamento pode ser o aumento desse número de pessoas buscando leitos e morrendo”, diz Cristian Barcelos.

Flexibilização das medidas de restrição

Sobre os protestos dos últimos dias e o movimento que surgiu em Nova Friburgo a fim de pedir a abertura do comércio e de serviços considerados não essenciais, o representante da Defensoria diz acreditar na necessidade de ouvir as pessoas e de esclarecer eventuais dúvidas, mas que a posição da Defensoria é sempre estar ao lado da ciência e da saúde.

“Na semana passada, nós saltamos de nove mortes para 27. Em três dias, foram 15 óbitos, em Friburgo. Então, isso é um número extremamente preocupante. A essencialidade primeira é a vida”, alerta o defensor.

“Não temos poder de veto ou de orientação. Temos o objetivo exclusivo de colaborar, mas sempre mostrando esse olhar da necessidade de preservação da vida e da saúde, acima de absolutamente tudo”, ressalta.

Serviços da Defensoria Pública

Diante do cenário de incerteza em relação à saúde pública de Nova Friburgo, o cidadão que eventualmente precisar ou tiver um familiar a espera de leito, pode recorrer aos serviços da Defensoria Pública.

A pandemia trouxe mudanças na forma em que o atendimento é prestado. Casos urgentes podem ser atendidos de forma presencial, na rua General Osório, n. 284, 3º andar, ao lado do Hospital Serrano, das 8h às 16h. No local, funciona o núcleo de primeiro atendimento para aquelas pessoas que não podem aguardar, pois a demanda é emergencial.

Outros atendimentos estão sendo feitos por meio do aplicativo chamado DEFENSORIA RJ, disponível para download gratuito nas lojas de app. “Qualquer cidadão pode baixar, se cadastrar e ali, buscar atendimento inicial até o acompanhamento do seu processo”, reforça Cristian.

Quem tiver dúvidas, também pode obter informações no site ou pelo telefone (22) 2524-4700. “A pessoa liga e vai receber orientação da recepcionista sobre o que fazer. E, com base no relato, recebe dicas de quais caminhos tomar”, finaliza.

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