Lipoaspiração

Por Glauco Rocha
08/04/19 - 09:49

Ainda hoje há aqueles que julgam a lipoaspiração uma cirurgia de fácil execução, de menor porte e/ou ambulatorial e sem complicações. Ledo engano!

A aspiração da gordura localizada no subcutâneo é, na verdade, um procedimento que exige do cirurgião plástico um treinamento longo e extenso, vasto conhecimento de anatomia, noções de equilíbrio hidroeletrolítico e feeling estético apurado.

A lipoaspiração foi idealizada pelo cirurgião francês Yves Gérard Illouz em 1979, e apresentado pela 1ª vez no Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica em 1980, realizado em Fortaleza-CE.

Illouz revolucionou os procedimentos para tratamento da gordura subcutânea ao utilizar um instrumento-rombo com orifícios em sua extremidade, conectado a um aparelho de sucção.

Hoje, consiste no melhor tratamento do tecido adiposo, tornando-se, em 2015, a 2ª cirurgia plástica mais realizada em todo o planeta. No Brasil, foi a cirurgia plástica mais realizada com 181.765 casos operados, representando quase um terço (32%) de todas os procedimentos cirúrgicos efetuados por esta especialidade no país.

Para ser efetuada com segurança e com nível elevado de êxito e de satisfação, são necessárias condições mínimas como internação hospitalar em hospitais que possuam condições adequadas e o comando de um cirurgião habilitado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Esta cirurgia tem sua melhor indicação para aspiração de gordura localizada, corrigindo irregularidades e otimizando o contorno corporal. Não tem indicação como método de emagrecimento!

Pode ser utilizada e indicada em múltiplas regiões do corpo humano, tanto como tempo cirúrgico principal, mas também como tempo cirúrgico adjuvante.

Na atualidade, é associada a vários procedimentos como tempo complementar, colaborando e incrementando os resultados estéticos, tornando-os mais exuberantes e agradáveis, e, desta forma, valorizando ainda mais o resultado.

É, por muitos, considerada a maior descoberta recente na história da Cirurgia Plástica.

Ao longo dos anos esta técnica cirúrgica foi sendo refinada, seus equipamentos cada vez mais aperfeiçoados, e os pacientes melhor selecionados, tornando-a mais segura e efetiva e com baixo índice de complicações.

Isto atraiu também uma leva de "profissionais" não treinados e não qualificados, levando o Conselho Federal de Medicina a determinar a lipoaspiração como um procedimento de competência exclusiva do cirurgião plástico.

Quase simultaneamente a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica estabeleceu parâmetros de segurança nos quais se exige do médico a especialização na área, o respeito também a limites de aspiração de no máximo de 5 a 6 % do peso corporal e de 40% de área corporal a ser aspirada.

A técnica de aspiração do panículo adiposo é dominado somente pelo cirurgião plástico, sendo este capacitado a indicar qual a melhor abordagem do tecido gorduroso, seja em sua camada superficial ou profunda. Se é adequado utilizar a hidrolipoaspiração ou a aspiração seca. Quais as cânulas de melhor performance e que direções tomar nos movimentos com as mesmas.

Entre suas utilidades, a lipo, usada como procedimento coadjuvante, tem valiosa contribuição, como, por exemplo na plástica do abdômen, sendo parte integrante da abordagem cirúrgica mais indicada nesta região do corpo humano, a denominada lipo abdominoplastia.

Até seu instrumental específico, como as cânulas, pode ser utilizadas auxiliando no descolamento cutâneo na plástica facial, evitando secção de vasos e nervos, fazendo desta cirurgia um procedimento menos invasivo.

Por fim podemos citar a lipo enxertia, que consiste no aproveitamento e reutilização da gordura aspirada, que é preparada e usada no preenchimento de depressões e irregularidades na superfície corporal, sendo também usada como fonte de células-tronco, útil na regeneração de tecidos lesados.

Portanto, torna-se inquestionável a importância e a contribuição da lipoaspiração como um valioso recurso no arsenal da Cirurgia Plástica atual.



O Portal Multiplix não endossa, aprova ou reprova as opiniões e posições expressadas nas colunas. Os textos publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores independentes.