Quando aprender?

Por Hamilton Werneck
13/05/19 - 10:02

O método tradicional determina que devemos aprender e, somente depois, executar as tarefas inerentes à aprendizagem.

Na maioria das vezes é assim mesmo. Portanto não se pode jogar na lixeira esta tradição que, na maioria das vezes, é a que funciona porque o risco pode ser fatal, quando realizamos tarefas sem o devido preparo.

Mas existem outras formas de aprender: aprender enquanto faz e aprender depois de fazer.

Parece curioso, mas não é. Estar atento quando uma tarefa é realizada torna-se um fator importante para aprender. O desempenho de uma função e a realização de algum procedimento podem oferecer inúmeras oportunidades para aumentar o conhecimento. Um dentista não pode dizer que uma restauração de um molar é sempre igual. Estruturas de arcada dentária são diferentes, além de anomalias que requerem mudanças de procedimento de um paciente para outro. Durante uma restauração, uma extração ou implante, o dentista poderá aprender alguma coisa nova diante de uma disposição óssea própria de uma pessoa. Diriam alguns que se trata de uma exceção. Verdade, é isso mesmo. A maioria das exceções são encontradas durante os procedimentos. Em arqueologia, então, o aprendizado durante uma escavação aumenta exponencialmente.

Quando sugerimos que após as tarefas proceda-se a um trabalho de avaliação, um dos objetivos é procurar aprender com algum erro cometido ou aspecto que tenha passado despercebido aos olhos do profissional. Nós nos acostumamos a dar notas em avaliações, como se tudo ocorresse dentro de ambientes escolares. Não é sempre assim. Avaliar uma tarefa pode, perfeitamente, completar conhecimentos e redirecionar, numa outra ocasião, o modo de proceder.

Considere sempre as diretrizes de duas escolas que lidam com a natureza: a escola determinista e a escola possibilista. Enquanto a primeira procura interferir ao mínimo, deixando tudo como está, ao sabor do tempo e do equilíbrio ecológico estabelecido em suas comunidades clímax, a segunda permite intervenção para aproveitamento maior e melhor do meio ambiente. Aprende-se mais com a escola possibilista, contanto que não seja interpretada como uma permissão para a destruição do meio, o envenenamento da terra e o desencadeamento de um desequilíbrio maléfico ao ecossistema.

Tradicionalmente usa-se um exemplo ocorrido no Egito que desejava livrar-se das enchentes do Nilo. Foi erguida a barragem de Assuã, com o objetivo de controlar as cheias do rio e proteger os agricultores das inundações e produzir energia elétrica.

Era uma atividade tipicamente dentro da escola possibilista. Houve, no entanto, um grave erro de cálculo. Os detritos que vinham desde as nascentes foram assoreando a barragem que diminuiu a produção de energia. A falta de enchentes responsáveis pelo afogamento de roedores e adubação natural das margens, causou dois danos graves, um deles o aumento de roedores que tudo atacavam e o preço dos produtos majorados nas feiras porque a agricultura estava dependente de adubos químicos.

Pior ainda aconteceu e só foi aprendido, tardiamente, pelos egípcios, quando, antes de concluir o pagamento dos empréstimos usados na construção da barragem, tiveram que contrair mais empréstimos para serem aplicados em outro tipo de energia que garantisse a iluminação e o funcionamento das fábricas.

Portanto, não há um momento específico para aprender. A mente desenvolvida e adaptada às mudanças do meio, usa os três momentos: antes, durante e depois. Aprende nos três momentos distintos, o que revitaliza qualquer tipo de conhecimento.


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