Qual a melhor idade para cirurgia plástica? Existe cirurgia plástica para a melhor idade?

Por Glauco Rocha
12/09/19 - 18:02

Até 10 a 15 anos atrás, a cirurgia plástica era, de modo geral, entendida como cirurgia rejuvenescedora. Porém, nos dias atuais, é vista e compreendida como cirurgia remodeladora, mantenedora, incrementadora, ou seja, um recurso cirúrgico para criar ou devolver o que não se tem, ou melhorar ou manter o que já está bom.

A popularização das cirurgias plásticas e os benefícios que estas proporcionam levam aos consultórios dos cirurgiões pacientes de todos os tipos e de múltiplas faixas etárias. Porém, ainda existe um certo constrangimento, talvez preconceito, em pessoas acima de 60 anos, associado à desinformação e ao desestímulo de familiares (filhos, netos, etc...), que não enxergam em “seus” idosos (pais, avós, tios, etc...) pessoas que, nesta “idade”, possam precisar e se beneficiar de uma melhora da autoestima, melhora do desconforto físico, melhora da autoconfiança.

O envelhecimento populacional trará, sem sombra de dúvidas, grande impacto e mudanças no mundo que conhecemos.

É um processo gradual, gerador de fortes mudanças comunitárias, provocando impactos sobre a saúde, o bem-estar, as classes sociais e a capacidade individual de ser útil e produtivo na sociedade atual. Será desafiador identificar quais mudanças já afetam diretamente a qualidade de vida da população.

A busca e a obtenção da qualidade de vida são multidimensionais em cada um dos seus aspectos (físico, emocional, psicológico, espiritual e social) e têm sua importância individualizada para as pessoas, principalmente na velhice, fase de nossas vidas que está caracterizada pela multiplicidade com que se apresenta.

Vários estudos comprovam que a cirurgia estética é um recurso capaz de provocar significativa melhora de qualidade de vida dos pacientes, nos aspectos físicos e mental, principalmente no que diz respeito à autoestima, independentemente da idade, sexo e raça.

Autoestima é uma importante medida de saúde mental, definida como um senso de valor e aceitação da pessoa por si mesmo, e os idosos tendem a perdê-la devido às mudanças da aparência e das funções, às perdas pessoais e à cessação do trabalho.

Tais dificuldades os colocam expostos à ansiedade e à depressão. Sendo assim, quaisquer ações que promovam o aumento da autoestima do idoso são vistas como decisivas para afastá-los das doenças mentais. A melhoria de autoestima tem sido apontada como a principal motivação para se submeter a uma ou mais cirurgias estéticas. Para o idoso, as cirurgias plásticas, juntamente com procedimentos estéticos pouco invasivos, podem atenuar os aspectos mais visíveis do envelhecimento melhorando sua autoconfiança. Podemos citar como exemplo a Plástica Palpebral, que pode ser realizada com anestesia local e sedação, sem internação, cujo objetivo é eliminar aquele aspecto cansado e triste ao rosto, recuperando uma face com mais luz e brilho.

Mesmo demonstrando elevação na autoestima e qualidade de vida, observam-se, ainda, baixas taxas de cirurgias estéticas entre os idosos. Acredita-se, como mencionamos anteriormente, devido a constrangimentos, desinformações, desestímulos pelos familiares ou cônjuges. Não é raro pacientes com 60 anos ou mais, ao virem ao meu consultório, fazerem a seguinte pergunta: “Doutor, o senhor acha que estou muito velha (o) para uma cirurgia plástica?” Eu respondo: “Você, caro paciente, ‘NUNCA’ estará suficientemente velho para ser mais feliz, se gostar mais, ter mais autoestima, ter mais qualidade de vida! Se algo o incomoda, não pense duas vezes, a hora é agora!”

É importante ressaltar que o profissional escolhido para a sua cirurgia deve ser de sua confiança, para que possa preparar o paciente com os devidos cuidados e segurança para a cirurgia. Não devemos esquecer que o idoso pode apresentar comorbidades e quadros clínicos que exigem um rigoroso preparo pré-operatório, face a heterogeneidade do envelhecimento e da percepção dessa fase da vida, fazendo-se necessário o estudo das mudanças provocadas por ações de cunho estético sobre o idoso.

Nas pacientes femininas, as cirurgias mais procuradas são as Mamoplastias, Abdominoplastias, Plástica Facial e Palpebral.

Já nos pacientes masculinos, há uma inversão ocasionada devido às características corporais, que seriam Plástica Palpebral e Facial, Ginecomastia e Cirurgia do Implante Capilar.

O índice de satisfação relatado pelos estudos realizados é bastante alto.

Não se deve esquecer que há riscos como em qualquer outra cirurgia, porém como a cirurgia plástica não atua sobre órgãos vitais, esta é historicamente considerada mais segura, não sendo as comorbidades um fator impeditivo, devendo ser o cirurgião plástico rigoroso em sua avaliação pré-operatória e no planejamento cirúrgico.

Os idosos, por estarem mais sujeitos à solidão, à perda de familiares, a doenças, estresses, perdas cognitivas, ansiedade e à depressão, estão mais predispostos à perda da autoestima. Porém, vários relatos na literatura médica confirmam que uma porcentagem significativa de pacientes submetidos a cirurgias plásticas alcança um aumento de sua autoestima, o que diminui a retração social e melhora a capacidade de fazer amizades.

Cada esforço para diminuir a solidão do idoso, seu retraimento social, o afasta de doenças psicológicas e deve ser valorizado.

Portanto, podemos concluir que a cirurgia plástica no idoso é totalmente justificável por contribuir para a melhora da vida social, afastando-o das doenças psicológicas, como ansiedade e depressão, elevando sua autoconfiança e seu equilíbrio psicoemocional.



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