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Vale tudo

Por George dos Santos Pacheco
03/01/24 - 09:58

“O brasileiro é um feriado” (Nelson Rodrigues)

Circular no centro de Nova Friburgo durante as festas de fim de ano é padecer no paraíso, sórdido teste de paciência. Há um carro para cada terço de pessoa e uma pessoa por metro quadrado. Dá para imaginar? Considere, amigo leitor que, se em dias normais, a mobilidade urbana daqui é semelhante a dos centros urbanos na Índia, nessa época, então, é um Deus nos acuda, com direito a versão tupiniquim de “Happy Xmas” e da “Ave Maria” no cavaquinho, tocando ininterruptamente em cada esquina.

Nesses dias, vale tudo, meu senhor, feito na luta livre: dedada nos olhos, chute no saco, cadeirada nas costas.... tem gente que daria um “mata leão” por uma vaga de estacionamento. Sinto-me fantasiado de bobo em festa de esperto. Imagine, que semana passada, havia um camarada com o carro atravessado em plena rotatória do Paissandu, às dez horas da manhã de um sábado quente, aguardando para acessar a faixa interna, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo; numa outra via, o engarrafamento se estendia não apenas na mão legítima, mas também na contramão, e repito, tal como fosse algo corriqueiro e plausível.

Eh bien... Bandalhas e mais bandalhas seguiam consequentes e subversivas, nos intermináveis e abafados dias de dezembro... motoboys esgueirando-se entre os fragílimos e impotentes carros, torcendo nervosamente o punho direito das motos, pedestres idem, com sacolas e mais sacolas de presentes na mão, famílias inteiras caminhando ombro a ombro. Vale tudo, festivo terráqueo, como naquela telenovela... Talvez um daqueles motociclistas me mandasse uma banana, de óculos Ray-ban e terno grafite, caso pudesse soltar o guidão, Gal Costa ao fundo cantando “Brasil”.

Veja bem, antes que me acusem de rabugice, disso ou daquilo... eu gosto, sim, de festa, de Natal, Ano Novo... passas no arroz, inclusive. Acrescente, porém, ao disposto no parágrafo primeiro, versículo dois, a interdição da preciosíssima Alberto Braune desde a entrada pela Mac Niven, por conta dos desfiles da monstruosa miscigenação friburguense do Natal com o Carnaval. A cidade se torna um caos, terra de ninguém, para um eito de turistas deixarem seus tão suados cobres em nossa pitoresca e bucólica vila. Não, não. Nem adianta reclamar ou fazer crônica... pois ainda que não haja lugar pra estacionar, mesmo se acumulando lixo em cada poste, a foto fica muito bonita na rede social. Ah, se fica!

“Então é Natal, e o que você fez?”... Tentei estacionar, Simone, ficar menos de meia hora numa fila de mercado, caminhar numa calçada sem tropeçar num saco preto de lixo, encontrar o anfitrião da festa para dar-lhe um pito. Suspirei impaciente atrás do volante, observando o trânsito parado; ato contínuo, encarei Dona Maria no banco do carona, os garotos no banco de trás discutiam sobre uma série no streaming. Putzgrila, você tem razão, terráqueo. Se está ruim para quem está de carro, imagina para quem depende de um transporte público não licitado? Sim, sim. Mas isso aí é outra briga, outra novela… uma outra história.


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