Rodas de terapias comunitárias ajudam moradores de bairros de Nova Friburgo

A roda é um encontro afetivo que se propõe a acolher sofrimentos individuais e a partilhar superações

Por Sara Schuabb - 15 de Janeiro de 2019, 10:23
Rodas de terapias comunitárias ajudam moradores de bairros de Nova Friburgo As rodas são consideradas ações de prevenção à atenção básica de saúde, acolhem dores e sofrimentos similares e buscam estratégias para solucioná-los | Foto: Banco de Imagem

De origem grega, a palavra terapia significa “ato de curar, de restabelecer”. Seguindo esse sentido, a roda de terapia comunitária tem viés de movimento e compartilhamento de dores e superações entre os integrantes de uma comunidade. Segundo a psicóloga e terapeuta Maria Cristina Pinho e Silva, ela é um encontro afetivo que se propõe a acolher sofrimentos individuais e a partilhar superações similares em suas emoções.

A ideia surgiu no estado do Ceará a partir de uma demanda comunitária de pessoas que ficaram desempregadas e, juntas, encontraram soluções. Hoje, a metodologia foi adotada pelo Ministério da Saúde como uma terapia alternativa de acolhimento em vários setores da sociedade, como escolas e postos de saúde, por exemplo.

A roda recebe e acolhe dores pessoais que são partilhados por indivíduos que estejam passando por emoções naquilo que os atinge mais profundo em sua alma.

“O que repetimos na roda é que a comunidade tem problemas e soluções. As pessoas compartilham como resolveram sua dor e, então, quem está sofrendo, naquele momento, escolhe ou não alguma alternativa para tentar. Não se dá conselhos, não se faz julgamentos, é um envolvimento totalmente independente para cada indivíduo que partilha conosco”, explica a terapeuta.

Como funcionam

A terapeuta explica que a roda começa com um momento rápido de acolhimento, relaxamento e inclusão do toque e prossegue com a partilha do sofrimento de alguém. Tratamos de três a quatro casos por roda e os próprios participantes, por um movimento educacional, escolhem um dos casos em que acham oportuno trabalhar, isto é, escutar um pouco mais. Depois, há um aprofundamento nesse caso. O mediador generaliza a emoção que é colhida naquele momento e coloca em discussão. Ao final, acontece um momento de partilha das superações.

“Uma dor como o luto pode entrar na roda com uma questão: quem já perdeu alguém e como fazer para superar esse momento doloroso de vida? Ou quem já perdeu o emprego e como fez para superar essa dificuldade? A partir da partilha é feito um encerramento com a abordagem de que todos podem “balançar na vida”, mas que a gente só cai se não conseguir contar com quem está no seu lado, que é gente como a gente, que a qualquer momento pode ter sentido essa dor e, com isso, os laços de solidariedade são reforçados”, complementa.

Além disso, as rodas têm um alcance social por se repetirem semanalmente no mesmo local, facilitando a criação de grupos comunitários, o estreitamento de relações entre os integrantes, o autoconhecimento e uma postura mais cidadã dos participantes diante da sociedade.

Atualmente, em Nova Friburgo, as rodas de terapias comunitárias, mediadas pela psicóloga e terapeuta Maria Cristina Barbosa de Pinho, estão acontecendo semanalmente às segundas-feiras, às 19h30, na Rua do Patrocínio, 7, no Cordoeira. Também vão acontecer, semanalmente, a partir do dia 25 de janeiro, sexta-feira, às 19h30, em Conselheiro Paulino, na Rua Francisco Luiz Fernandes, 29, sobrado, em frente à fábrica União Mundial, próximo ao Terra Nova.

As rodas são gratuitas e abertas a todos os interessados. Mais informações no (22) 98158-1373.