Empresários do Centro-Norte Fluminense são os mais otimistas do estado do Rio

Situação foi constatada em estudo divulgado pela Firjan

Por Redação Multiplix
10/12/18 - 15:34
Empresários do Centro-Norte Fluminense são os mais otimistas do estado do Rio Empresariado da região espera crescimento no próximo ano | Foto: Banco de Imagem

Segundo o estudo “Retratos Regionais: Cenário Econômico”, divulgado pela Firjan, na última semana, a Região Centro-Norte Fluminense concentra os empresários mais otimistas do estado do Rio.

Conforme a última pesquisa disponível, realizada em setembro, a produção da indústria local cresceu frente ao mês anterior. Com isso, Centro-Norte e Centro-Sul fluminenses, foram as únicas com resultado positivo nesse indicador, demarcando assim a recuperação econômica e a retomada da atividade industrial superior às demais regiões.

Nesse cenário, a expectativa positiva dos industriais – a frente, inclusive, da média nacional – é puxada pelo mercado de exportação. O destaque ficou com o segmento de vestuário e acessórios.

“Esse segmento que tem papel importante na economia regional, principalmente na produção de lingerie e moda fitness com vocação exportadora”, assinala o presidente da Firjan na Região Centro-Norte Fluminense, Carlos Eduardo de Lima. O empresário explica que empresas que investem em exportação tem mais flexibilidade em momentos de crise, quando a demanda interna ainda está baixa.

A empresária e sócia-proprietária da empresa friburguense Lucitex Lingerie, Neucy Loyola, avaliou os fatores que geraram esse otimismo no empresariado local.

“Estamos otimistas em razão da capacidade inovadora do empreendedor se adequar às demandas e situações da atualidade. A cidade de Nova Friburgo possui uma população voltada para o trabalho, parecida com o povo do Sul do país”, afirmou.

 Na pesquisa, os empresários apontam como principais entraves para a atividade industrial a elevada carga tributária, a falta de capital de giro e a demanda interna insuficiente. Lista que indica os desafios para os próximos governos, tanto no âmbito federal, como estadual, situação corroborada pelas palavras da empresária.

“Precisamos que o novo governo trabalhe a desburocratização e tenha uma comunicação aberta para podermos projetar um 2019 de crescimento, diminuindo a tributação sobre os empresários”, declarou.

Já o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo, Marcelo Porto, destacou que o mercado espera mais investimentos no ano que vem.

"Após as eleições aumentou a confiança na atividade das empresas e também teve influência positiva em suas perspectivas de receita, lucro ,investimento e contratações. A maioria das empresas hoje esperam melhora em seus negócios. Não é um fato isolado mas um sentimento é em nível global, com melhoras evidentes nos setores de indústria e serviço. A injeção de confiança é baseada na percepção de que o novo governo eleito vai gerar estabilidade monetária, econômica e política. Temos previsão de mais investimentos, oportunidades de exportação, criação de empregos, ajustes políticos e possíveis reduções de impostos como oportunidades-chave . A eliminação de preocupações políticas e econômicas em meio ao fim das eleições presidenciais criou um animador olhar para as intenções de contratação,o que reforça a expectativa de redução dos níveis de desemprego. Em nossa região o nosso setor, possui pleno emprego, onde somente os não qualificados estão fora do mercado de trabalho (desempregados funcionais ). Para o empresariado local o ano de 2019 traz desafios , mas uma esperança dentro de uma conjuntura mais favorável", destacou.

O único ponto em que a região aparece pessimista no estudo é quanto aos investimentos. O que, segundo a analista de Estudos Econômicos da Firjan, Júlia Pestana, é natural tendo em vista os cenários estadual e nacional.

“Em um primeiro momento as empresas começam a retomar o ritmo da produção e proporcionalmente utilizar mais de sua capacidade instalada, e à medida que vão percebendo que estão conseguindo escoar a produção, decidem por aumentar essa capacidade com novos investimentos. Outro fator importante é a recuperação efetiva da situação financeiras das empresas, que foi afetada pelo longo período de crise dos últimos anos”, explica.

De acordo com Nayara Freire, analista de Estudos Econômicos da Firjan, o cenário difícil se explica pela situação fiscal do estado, que é das mais graves do país, gerando impactos negativos sobre a segurança pública, a economia, renda, mercado de trabalho e também sobre os demais setores, como o comércio.

“É preciso enfatizar a importância das reformas estruturais, principalmente da Previdência, e do papel do ICMS para a competitividade, de modo a criar um ambiente favorável à retomada da atividade e do emprego”, pontua Nayara, lembrando a crise fiscal enfrentada nos três níveis – federal, estaduais e municipais – e o momento de expectativa diante dos novos governos.