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Cientista político analisa eleições americanas e seus impactos no Brasil

Eduardo Jorge explica quais os reflexos do triunfo democrata para o nosso país

Por Matheus Oliveira
14/01/21 - 11:38
Cientista político analisa eleições americanas e seus impactos no Brasil Capitólio vai ter maioria democrata nos próximos anos | Foto: Banco de Imagem

As eleições americanas confirmaram a tendência de vitória democrata tanto com o triunfo de Joe Biden na disputa presidencial quanto na eleição de dois senadores do partido pelo estado da Geórgia, um reduto tradicionalmente republicano. Sabemos que mudanças na política americana geram reflexos em todo o mundo. E para saber quais os impactos destes resultados para o Brasil e os desafios do governo Biden/Harris, a reportagem do Portal Multiplix conversou com o cientista político Eduardo Jorge.

Morador de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, o cientista político explica que um ponto positivo destes resultados é a confirmação da lisura do processo eleitoral americano ratificada com o triunfo nas eleições do Legislativo e que afasta a tese de fraude levantada pelo presidente Donald Trump na época da corrida à Casa Branca contra o presidente eleito Joe Biden.

Nas eleições para o Senado na Geórgia, ocorridas em segundo turno no início de janeiro deste ano, os democratas Jon Osoff e Raphael Warnock derrotaram, respectivamente, os republicanos David Perdue e Kelly Loeffle.

Assim, o partido de Joe Biden empatou no número de cadeiras no Senado com os republicanos, mas em caso de empate nas votações, o voto de minerva será da vice-presidente Kamala Harris, conforme prevê a Constituição dos Estados Unidos, o que dá vantagem ao Partido Democrata.

Já com ampla maioria e controle da Câmara dos Representantes (equivalente a Câmara dos Deputados no Brasil), os democratas terão controle do Congresso estadunidense.

Para Eduardo, este cenário, dará mais governabilidade ao presidente eleito para aprovar os projetos de campanha nos diferentes setores estadunidenses. Entretanto, Eduardo afirma que o ideal era que o poder estivesse compartilhado nas duas casas legislativas, além de fazer outra ressalva.

“A vitória de Biden foi um catalisador dentro do Partido Democrata, mas uma coisa que não está sendo destacada, pois o foco da mídia, por motivos óbvios, tem estado muito em cima da saída e das polêmicas alimentadas pelo Trump, é que Joe Biden foi eleito por um Partido Democrata extremamente dividido. O próprio nome dele como candidato surgiu como consenso, mas isso não é resultado de uma união de esforços onde a maioria escolheu o Biden. Ele foi o nome menos rejeitado pelas diferentes correntes dentro do próprio Partido Democrata”, declara Eduardo.

Ele diz que outro desafio de Biden é unir o país e diminuir a radicalização como demonstrado na invasão de apoiadores de Donald Trump ao Capitólio, local onde fica o Poder Legislativo dos Estados Unidos.

A Câmara dos Representantes, inclusive, aprovou na quarta-feira, dia 13 de janeiro, o processo de impeachment contra o presidente Donald Trump por incitar à violência, que resultou na invasão ao Capitólio. A decisão vai agora para o Senado.

“Espero que o governo Joe Biden consiga dirimir esses radicalismos que fazem parte de qualquer democracia, mas quando geram violência não é bom para nenhum partido", diz.

Dentro deste cenário, que reflexos isso pode trazer ao Brasil?

Eduardo explica que a grande mudança vai ocorrer na questão ideológica já que Donald Trump e o presidente brasileiro Jair Bolsonaro possuem discursos mais alinhados.

Desta forma, ele prevê distanciamento que pode trazer impactos econômicos, mas não acredita que ocorra uma grande crise diplomática.

“O tom dos discursos dos democratas e do governo brasileiro já demonstra bem que as relações não vão ser as mais próximas e isso pode trazer implicações no campo econômico, através de disputas comerciais. É de se lamentar que ocorra um esfriamento na relação entre os dois países, que possuem interesses comerciais em comum. É importante ressaltar que o Brasil não é a maior preocupação dos democratas e para nós também não é vantajoso que esse esfriamento seja tão intenso a ponto de atrapalhar os nossos interesses”, conclui o cientista político.

Cabe destacar, ainda, que com pautas mais populares, como taxar lucros de empresas americanas no exterior, a vitória azul (cor dos democratas) é vista de forma incerta pelo mercado, mas as projeções atuais apontam para uma melhora no cenário, apesar dos impactos da Covid-19 e a dificuldade de controle da pandemia.

Analistas acreditam que o governo presumível de Biden pode atrair investimentos, dando mais abertura ao comércio exterior. Dessa forma, indiretamente, o Brasil é beneficiado por ser um dos maiores exportadores de matéria-prima.

Joe Biden tem como uma de suas propostas impulsionar empresas ligadas ao ESG - "environmental, social and governance” (ambiental, social e governança, em português) - beneficiando companhias que apostam em negócios que envolvem energia limpa e boas práticas de governança, fazendo com que o mercado se mantenha aquecido. Com a questão ambiental pesando para o Brasil, o início pode ser difícil, mas a longo prazo, com um mercado mais global, poderá beneficiar o crescimento brasileiro.

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