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Engenharia poética e outras metáforas

Por Rachel Rabello
09/05/19 - 09:07

Estou escrevendo um novo livro de poemas. Voltei atrás alguns passos e resolvi me perguntar: por que escrevo poesia? O que é e por que escrever poesia hoje?

Joguei a pergunta para os poetas e leitores que conhecia e recebi ótimas respostas. No entanto, a que mais me marcou foi a de um poeta que disse que escreve poesia para os outros, porque alguém pode precisar ler aquelas palavras em algum momento. “Poesia é ponte”, ele disse.

A maioria das pessoas tem a imagem de um poeta atormentado, que precisa urgentemente expressar seus sentimentos. Ou seja, a maioria das pessoas vê a escrita da poesia como um ato egoísta, voltado apenas para aquele que escreve. Mas essa resposta nos traz a visão oposta: de um poeta que escreve para o outro e sobre o outro. Quem dera os poetas contemporâneos pensassem assim...

Correndo os olhos por poemas atuais, tudo o que vejo é vazio. Poemas sobre nada e para ninguém. Tampouco a forma impressiona, seja por rigor tradicional ou por inovação. Isso em poetas reconhecidos. Em tantos outros desconhecidos, poemas que expressam angústias adolescentes em guardanapos de papel. Uma poeta, reconhecida pela crítica, afirma ter escrito um livro inteiro no ônibus... Escreveu o livro no ônibus? Só o que tenho a dizer é: nota-se. Os poemas são crus, precisam de trabalho. Parecem mesmo divagações de uma universitária a caminho do estágio.

Tentei verdadeiramente compreender a poesia contemporânea e assumo: não a compreendo. É só isso mesmo? Paisagem? Caderno de anotações? Jogos de palavras e aliterações? Poesia de Iphone?

Se sou crítica demais com meus pares, não sou menos dura comigo. Faço a minha parte. Engenheira poética, construo a ponte: quero escrever para o outro, quero escrever para ser o outro.

Assim seja e assim será.


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