Qualidade, o que é isso?

Por Hamilton Werneck
27/05/19 - 10:05

Se um produto não tiver qualidade, ou não compramos ou devolvemos. Houve uma época em que a frase mais repetida era a “qualidade total”. Grande absurdo, a qualidade nunca poderá ser total. A qualidade é um estágio em desenvolvimento. Hoje é uma, amanhã precisa ser melhor. O dia em que a qualidade for total, ela acaba, como a expressão acabou porque as pessoas raciocinaram e viram a falta de sentido nela embutido.

Nós gostamos de coisas palpáveis e aí reside um dos problemas da qualidade, ela não é palpável. À primeira vista uma pessoa pode não saber, exatamente, se um produto tem ou não a qualidade que ele espera obter. É preciso examinar, experimentar e saborear. Por isso se diz que saber e sabor têm a mesma raiz, são palavras com a mesma origem semântica. Nós somente entendemos os dados se eles forem arrumados, é o que faz a Inteligência Artificial (IA). Informação é algo perecível. Serve agora e pode ser descartada dentro de pouco tempo. O que fica retido é o conhecimento e, para se chegar a ele é necessário experimentá-lo, saboreá-lo.

Os textos bíblicos do antigo testamento sobre a genealogia do Rei Davi, falavam que um homem conheceu uma mulher e gerou filhos, os filhos conheceram outras mulheres e geraram outros filhos e assim chega-se ao Rei Davi de cuja descendência surge Jesus. A palavra conhecer, dentro deste contexto bíblico, significa “saborear”, na verdade estas pessoas tiveram a experiência do sabor em seus atos sexuais. A qualidade, portanto, só se tornará palpável se for saboreada, experimentada e conhecida.

O filósofo alemão de origem judia Juergen Habermas, afirma que a qualidade se encontra na “greta das coisas”, precisa ser procurada para ser achada e saboreada.

Nós nos prendemos à qualidade formal porque esta, nos chama a atenção. Qualidade formal está nos materiais: microfones, filmadoras, transmissores, computadores, pianos e todas as demais parafernálias eletrônicas que usamos. A mais importante das qualidades é a qualidade política ou histórica que somente pode ser exercida por um humano ou então, por um robô programado por um humano. Mesmo que este consiga programar-se, houve um humano que o dotou para exercer esta função.

Qualidade política ou histórica reúne tudo o que é criado pelos humanos, sobretudo na sua cultura, segundo Pedro Demo. Portanto, esta qualidade política exige fenômenos participativos.

Eis a razão pela qual as empresas procuram interagir com os clientes. É desta participação tipicamente histórica, por parte de quem está saboreando o produto comprado, que surgirão os aperfeiçoamentos.

Aquele diálogo que o bom mecânico tem com o motor do carro para saber onde está o problema, faz parte desta qualidade. A leitura que os médicos antigos faziam com as mãos ao examinar um paciente, davam a ele inúmeras certezas sobre possíveis doenças e faziam dele um profissional acreditado. Diziam os antigos que o “doutor” tinha raio X nos olhos.

Hoje a qualidade de um médico é avaliada de modo diverso. A ultrassonografia mudou tudo, a tomografia computadorizada trouxe consigo outra revolução. A dificuldade dos médicos que trabalham no interior e nas fronteiras, sem os recursos eletrônicos, aumentou muito porque ele não desenvolveu mãos leitoras, nem ouvidos para escutar a doença. Ele pode ouvir ruídos e não os distinguir.

Então, como desenvolver a qualidade? Primeiro devemos dar conta de ela é formal e política. Depois analisarmos onde realizaremos as tarefas e quais meios de comunicação possuirei.


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