Algumas escolas aniquilam as inteligências

Por Hamilton Werneck
18/03/19 - 09:32

O que as escolas perderam? O sonho! A palavra grega “scolé”, extraída do antigo “koiné”, usado nos textos bíblicos, significava “lugar do sonho”. Esta palavra fez surgir a nossa “escola” em função da onomatopeia, nada mais. As escolas gregas não tinham carteiras, quadros, bibliotecas, nem a disposição das salas de aula. Era um lugar para despertar a criatividade, para promover o sonho. Isto foi o que nossa escola perdeu!

Como gosto de blogs e tirinhas, encantou-me a genialidade do Troll. Este cartunista conseguiu, em um só desenho e com poucas palavras, resumir a educação brasileira.

Foto: Reprodução/Internet

Observe bem esta imagem, analise a pergunta feita pelo professor e continue raciocinando comigo. Se o pinguim, o elefante, o peixe e a foca não pedirem, imediatamente, transferência, já estão reprovados. Nem adianta tentar. Talvez o cachorro, depois de algumas recuperações e dependências, esfolando a pata, consiga atingir a primeira forquilha da árvore e escalar o restante. Será aprovado com uma nota em torno de seis. Mas, curioso mesmo foi o pássaro. Rodopiou no ar, empoleirou-se no topo da árvore e “tuitou” para o professor: cheguei!

Diga-me, agora, qual a nota que você daria para o passarinho? Quando pergunto numa plateia, ouço duas notas muito claras: ZERO E DEZ. Nota máxima é consignada pelos que insistem na qualidade excepcional do voo do pássaro, sua principal competência; nota mínima relaciona-se com a palavra chave da pergunta: escalar.

O centro da questão, a competência esperada nesta avaliação, está no descritor, ele descreve a ação exigida. O professor formula a questão seguindo a orientação do Ministério da Educação.

Praticou-se um assassinato pedagógico ao seguir uma orientação desejada com uma visão linear, como se todos fossem iguais e capazes de realizar as mesmas proezas.

No momento em que uma escola desiste de perceber as diferenças individuais e permanece em seu atraso, trabalhando como se fosse uma fábrica de produção em série, ela assassina valores, ela mata as mais importantes competências dos alunos.

Mas, como fazer se estas são as exigências? Lutar contra, protestar, escrever como estou fazendo, alertando as autoridades para as barbaridades que cometem. Nós temos a obrigação de desenvolver alguns comportamentos conflitantes: desaprender, reaprender e desobedecer!


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