Pedófilo procurado pelo FBI é preso em Friburgo. Veja dicas de como proteger as crianças dos perigos na internet

Suspeito era um dos 100 maiores distribuidores de pornografia infantil do mundo e morava na cidade serrana

Por Matheus Oliveira
21/01/19 - 13:09
Pedófilo procurado pelo FBI é preso em Friburgo. Veja dicas de como proteger as crianças dos perigos na internet Acesso de crianças à internet deve ser controlado pelos pais | Foto: Banco de Imagem

Um dos maiores distribuidores de pornografia infantil do mundo pela Internet, o militar da reserva Jorge Riguette, de 67 anos, morava sozinho e prestava serviços em sua residência como analista de informática. De acordo com levantamento do FBI, a polícia norte-americana, ele está entre os 100 maiores distribuidores de arquivos exclusivos deste tipo de conteúdo por redes P2P, ou redes ponto a ponto (torrentes). O criminoso possuía um acervo de 700 mil fotos armazenados em seus computadores apreendidos em outubro do ano passado, quando ocorreu a operação da Polícia Federal.

No mesmo mês, o MPF denunciou Jorge Riguette pelos crimes previstos nos artigos 241-A e 241-B da Lei 8.069/90, que prevê prisão de até 6 anos para quem oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar conteúdo de cena de sexo explícito ou pornografia que envolva criança ou adolescente.

Em julgamento de habeas corpus, no fim do ano passado, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região negou o pedido do réu por considerar o perigo de Jorge Riguette ser solto, pois, além de integrar a lista dos 100 maiores distribuidores de pornografia infantil do FBI, ele chegou a desenvolver um software para catalogar seus arquivos, utilizando como parâmetro a idade das crianças.

Em seu interrogatório à Polícia Federal, após a prisão, Jorge Riguette explicou que desenvolveu o software em virtude de seu interesse, da frequência e da quantidade de arquivos pedopornográficos que baixava do programa Dreamule, já que a ferramenta organizava automaticamente os arquivos.

Outros casos

Vale lembrar que em janeiro de 2008 a cidade da Região Serrana também foi palco de uma prisão por pedofilia. Na época, o tatuador Alexandro Monnerat e o jovem Julio César Meneses foram acusados de criar uma rede de pedofilia na rede social Orkut.

Em 2002, em outro caso, bastante conhecido na cidade, um canadense e dois holandeses foram presos acusados de fotografar e compartilhar fotos de 25 jovens de Nova Friburgo em um site. As fotos chegaram a ser compartilhadas através de CDs.

Dicas

Assim como os casos citados acima, a prisão de Jorge Riguette teve grande repercussão na cidade e levantou uma importante questão: que cuidados podem ser tomados para evitar que crianças se aproximem de criminosos como este?

Pais devem estar atentos ao que os filhos fazem na internetPais devem estar atentos ao que os filhos fazem na internet | Foto: Banco de Imagem

Como muitos sabem, cada vez mais cedo as crianças aprendem a mexer na internet, usando-a para estudar e entretenimento. Porém, sua inocência pode levá-las a se aproximar de pessoas que nem sempre têm boas intenções, como é o caso ocorrido na cidade serrana em 2018. Entre as dicas dos especialistas para controlar o acesso dos menores na grande rede estão:

  • Saber todas as senhas do aparelho utilizado pelo filho - importante para manter o controle das atividades do pequeno na grande rede;

  • Vistoria regular - é fundamental sempre checar as informações acessadas no celular ou computador. Uma busca pelo histórico dos respectivos aparelhos facilita;

  • Controle de perfis em mídias sociais - saber dizer não é importante para impor limites. Crianças de 10 anos não precisam de perfil em uma plataforma como Facebook ou Instagram;

  • Estimular visitas a canais educativos - indicar programas que eduquem e ajudem no desenvolvimento das crianças, assim como jogos lúdicos, que ajudam a criar a rotina e o interesse por este tipo de programa;

  • Tempo na internet - também é importante definir um tempo para a utilização dos aparelhos eletrônicos e seguir impondo limites;

  • Softwares de controle parental - os softwares têm o objetivo de auxiliar os pais na tarefa de impor limites aos pequenos, bloqueando sites impróprios, por exemplo;

  • Diálogo - conversar sobre os perigos da internet também é uma forma de ter a confiança do pequeno e mostrar que tais cuidados são para o seu próprio bem.

A psicóloga Jéssica Torres, especialista em clínica psicanalítica e que também faz atendimentos infantis, falou que os limites devem ser trabalhados e a convivência familiar é importante para dar segurança às crianças e facilitar o diálogo.

"Nos dias de hoje, as crianças têm acesso muito cedo aos aparelhos eletrônicos. Por vezes nem sabem falar mas sabem ligar um celular e colocar o vídeo de um desenho. A criança recebe muita informação, mas não está preparada para lidar com muitas delas. Por isso, é importante que os pais coloquem um limite e que se construa uma consciência nessas crianças. Nosso trabalho é feito com a ajuda deles, pois nenhum atendimento surte feito sem esse apoio familiar e essa construção do que é certo ou errado. Com a correria do dia a dia, os pais costumam perder esse convívio familiar e o filho se sente desamparado, encontrando em um estranho a atenção que não recebe dos pais. E se ele estivesse seguro em suas relações familiares, iria facilitar o diálogo, principalmente para relatar qualquer atitude suspeita", revela.