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Estudo demonstra que taxa de contágio do covid-19 teria diminuído em Nova Friburgo

Pesquisa serviu como base para entidade que representa o comércio pedir flexibilização das medidas restritivas

Por Matheus Oliveira
22/05/20 - 15:35
Estudo demonstra que taxa de contágio do covid-19 teria diminuído em Nova Friburgo  Taxa de contágio do coronavírus teria diminuído em Nova Friburgo | Foto: Reprodução/Portal Multiplix

Em meio à pandemia do novo coronavírus, com aumento no número de casos a cada dia, a adoção de medidas de isolamento social se fez necessária. Ao mesmo tempo, a crise econômica oriunda da pandemia também tem tido impacto sobre as contas e mesas de muitas famílias. Assim, muitos são os debates sobre flexibilização, manutenção ou endurecimento das medidas restritivas adotadas pelos governos.

Em Nova Friburgo, o engenheiro mecânico Rafael Spinelli realizou um estudo por meio da empresa friburguense People & Business Solutions que demonstra a média de transmissão de cada pessoa infectada e detalha uma diminuição na variação de transmissão do vírus na cidade.

Rafael destaca em seu estudo que entre 23 de abril e 11 de maio, com as medidas adotadas pela prefeitura, especialmente o uso de máscaras, o valor da taxa de transmissão ficou abaixo de 1. Tal número seria o padrão internacional para determinar o controle do ritmo de contágio, o que favoreceria a reabertura da atividade econômica.

Com base no estudo e buscando defender a classe econômica, a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Nova Friburgo pediu o relaxamento das medidas restritivas com as devidas precauções como uso de máscara, uso do álcool em gel, o respeito a distância entre pessoas e limite de clientes nos estabelecimentos comerciais.

Em nota, o presidente da CDL e do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) de Nova Friburgo, Braulio Rezende, afirma que apoia a retomada da atividade econômica na cidade, dentro de um processo meticuloso de transição, como forma de evitar a falência generalizada das empresas locais e a disparada do desemprego.

Bráulio ressalta que os empresários não defendem volta à normalidade, mas um abrandamento das regras atuais, com as lojas reabrindo em horário reduzido e obedecendo às recomendações oficiais para a manutenção da higiene nos ambientes de trabalho e proteção da saúde de empregados e clientes.

O presidente da CDL e do Sincomércio argumenta que, depois de 60 dias fechado, o comércio não consegue cumprir com seus compromissos com folha salarial, aluguéis, fornecedores, tributos, contas de água e luz.

“Compartilhamos com outros órgãos a preocupação com a saúde da população. Só ponderamos que lojas abertas em meio expediente, dentro do que o governo municipal estabelecer, não provocarão aglomerações. Pensamos num esquema em que cada uma libere apenas a entrada do número de clientes correspondente ao número de atendentes”, esclarece.

Braulio Rezende chama atenção para o volume de ocupação que o comércio de bens e serviços detém em Nova Friburgo, juntamente com a indústria. Dados recentes apontam que os dois setores são responsáveis por empregar nada menos do que 87% da força de trabalho do município.

Já a defensora pública Larissa Davidovich relata o acompanhamento feito pela Defensoria das ações do Executivo e dos pedidos feitos pelo empresariado pela reabertura da atividade econômica.

“A Defensoria Pública desde o início dessa pandemia vem acompanhando as autoridades médicas sanitárias e os números de perto, vendo esse aumento no número de contaminados. A gente sabe que a quantidade de leitos no CTI é muito inferior ao que seria necessário, mesmo antes do surto de covid”, declara.

Ela ainda revela preocupação com a falta de adesão às medidas restritivas. “Essa falta de adesão do friburguense ao isolamento social preocupa porque a gente sabe que, na verdade, se os números começam a crescer de maneira descontrolada vai ter um momento em que não vão ter leitos ou respiradores para todas as pessoas. Precisamos conter esse avanço. A única medida efetivamente comprovada e eficaz é o distanciamento social. Quem precisa sair deve estar necessariamente usando máscara”, completa Larrisa.

A defensora diz que entende as razões do empresariado para pedir a flexibilização neste momento, mas que esta seria a hora de endurecer as medidas.

“Considerando o contexto da cidade, a realidade que a gente vive, a Defensoria Pública acredita ser extremamente prematuro e irresponsável, a gente colocar mais pessoas na rua. Não é momento de flexibilizar. Ao contrário, este é o momento de endurecer e de se fiscalizar vários comércios que infelizmente teimam e ainda continuam abertos”, defende Larissa.

“É fundamental destacar que não estamos falando somente de dinheiro, mas de vidas. Não existe cisão entre economia e saúde. As pessoas não podem parar de comer, de ter suas necessidades básicas atendidas. A questão não é desproteger trabalhadores, e sim soltar a roda da economia pouco a pouco, para minimizar problemas que atingem a todos nós, como quebra de empresas, desemprego e fome”, observa.

Nesta semana, um grupo de empresários se reuniu com o prefeito de Nova Friburgo, Renato Bravo (PP), que falou das demandas recebidas pelos empresários e pelos trabalhadores para adoção de um plano de abertura gradual.

“É com muita satisfação que nós estamos recebendo todas as sugestões de vários segmentos empresariais e também de trabalhadores. Temos tido um diálogo permanente com as classes, por videoconferência, e, diariamente, temos tido todos os encontros possíveis, dentro da nossa agenda, para que a gente possa estar ouvindo as sugestões e propostas. Todas elas fazem parte de um processo de recuperação de reabertura gradual e segura do comércio para a economia da cidade, sempre associando a vida com a economia e a preservação de empregos, esta é a nossa visão", afirma Renato.

"A questão da flexibilização é analisada diariamente, com o acompanhamento da curva de ascendência do número de casos. É lógico que nós vamos flexibilizar, mas na hora certa, garantindo a geração de emprego e a segurança da população", finaliza o chefe do executivo friburguense.


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