A História se repete? Números mostram que crise de 2014-2016 não foi a maior do Brasil

Por 11 trimestres consecutivos, economia encolheu 8,2%, entre 2014 e 2016; grande recessão foi a terceira desde os anos 80

Por Bernardo Fonseca
16/07/18 - 09:56
Ciclos de crise amarram a economia brasileira há 40 anos Moedas empilhadas ilustrando crise do nosso país. | Banco de imagens

Em 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro voltou a crescer, com uma expansão de 1%, mas o caminho para recuperar toda a produção perdida nos últimos anos de crise ainda é longo. Para muitos, essa foi a pior retração de nossa história. Mas será que essa informação é verídica?

Hoje, o PIB brasileiro está no mesmo nível que tinha em 2010, depois de recuar 8,2% entre 2014 e 2016. No entanto, analisando dados do IBGE disponíveis desde o período posterior à Segunda Guerra Mundial, encontra-se um padrão, especialmente a partir dos anos 80, com sucessivos períodos de altas e baixas na expansão da economia.

Entre 1981 e 1983 foram nove trimestres de recessão, mas suficientes para encolher o tamanho do PIB em 8,5%. Depois, a outra grave crise entre 1989 e 1992, com uma queda de 7,7%. Portanto, com essas informações disponíveis, pode-se concluir que tivemos recentemente a segunda maior recessão já registrada.

Vale destacar que nas três situações, os padrões econômicos vigentes eram bastante diferentes. No início da chamada década perdida, o Brasil vivia ainda sob a ditadura e com inflação altíssima. Já na segunda grande recessão, a democracia havia retornado, mas a hiperinflação reinava, o que contribuía ainda mais para agravar a miséria da população.

Apesar da dimensão do estrago, a inflação permaneceu bem mais controlada do que nas duas épocas anteriores e a existência de uma rede de proteção social mais consolidada (maior formalização do trabalho, seguro-desemprego, Bolsa Família etc.) evitou aumento ainda maior da pobreza e da desigualdade social.

Outras crises de menor intensidade também marcaram as últimas décadas no país, como o impacto da crise financeira internacional em 2009, a crise do Real em 1998/1999, entre outras. O que chama a atenção é a existência de um ciclo vicioso acentuado de idas e vindas, crescimento e decrescimento, que amarram o Brasil num patamar de onde não consegue avançar há quase 40 anos. É o que os economistas chamam de armadilha da renda média, quando uma nação atinge certo grau de desenvolvimento, mas não consegue sair desse lugar rumo ao seleto grupo de países desenvolvidos.