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Nova Friburgo tem terceiro protesto após caso de mulheres incendiadas

Manifestantes protestaram, na praça Dermeval Barbosa Moreira, contra feminicídio e por justiça para o caso

Por Letícia Medeiros, Matheus Oliveira, Bernardo Fonseca e Luisa Machado
18/10/19 - 17:46 | Atualizada em 18/10/19 - 18:52
Nova Friburgo tem terceiro protesto após caso de mulheres incendiadas Manifestantes começam a se reunir na praça Dermeval Barbosa Moreira | Foto: Gee Santos

Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, teve nesta sexta-feira, dia 18 de outubro, o terceiro protesto após o caso de duas mulheres incendiadas pelo ex-namorado de uma delas, na noite do dia 7 de outubro, no Condomínio Parque dos Alpes, na RJ-142, em Mury.

Cerca de 150 manifestantes se reuniram na praça Dermeval Barbosa Moreira, no Centro, em protesto contra o feminicídio e por justiça para o caso. O ato foi organizado por amigos das vítimas e mulheres do município.

Alguns manifestantes utilizaram bandana com a inscrição “Pela vida das mulheres não me calo”. Outros levaram faixas e cartazes.

Uma viatura da Polícia Militar foi deslocada para acompanhar e garantir a segurança durante o protesto, enquanto outro carro, da Patrulha Maria da Penha, também da PM, esteve no local em apoio às mulheres. Na ocasião, agentes tiraram dúvidas dos participantes.

"Infelizmente a gente teve esse caso com a Alessandra e com a Daniela. Portanto, a viatura da Maria da Penha está aqui para apoiar o protesto. A gente trabalha atendendo a todas as mulheres que sofrem violência. A Justiça concede a medida protetiva e a gente fiscaliza", destacou a cabo Graziella.

Em entrevista ao Portal Multiplix, a presidente do Conselho Municipal do Direito da Mulher, Mica Borba, falou do objetivo de se erradicar o alto índice de violência contra a mulher. “Uma das principais lutas do nosso conselho é a erradicação dessa violência. É o que mais salta aos olhos, pois temos um índice muito alto de violência contra a mulher na cidade. Nosso objetivo é nos unir a outros movimentos para que a gente se articule e crie uma maneira de prevenir crimes bárbaros, como o último que ocorreu em Mury”, disse.

Foto: Gee Santos

A assistente social Ana Olívia Verly destacou que o objetivo da manifestação era organizar as mulheres para acabar com a violência contra o gênero. Ela representou o Tecle Mulher, uma instituição que atende virtualmente mulheres vítimas de violência e atua em Nova Friburgo desde 2010.

“Não adianta a gente só reclamar e não vir para rua lutar e buscar melhores condições. Temos que sair daqui com uma sensação de união para os próximos eventos, e que existam propostas concretas para que se previna casos como o que vivenciamos. Queremos sair mais organizados daqui”, afirmou.

Manifestantes seguram cartaz de protestoManifestantes seguram cartaz de protesto | Foto: Gee Santos

Silvia Furtado, que é funcionária pública, responsável pela administração do Centro de Cidadania LGBT do município, comentou que esse era o momento em que as mulheres deveriam unir forças para lutar contra a violência. “Eu vim aqui em solidariedade a todos que sofreram com esse caso de feminicídio recente. Vim, também, apoiar o movimento de mulheres, que agora está organizado. Elas pretendem se comunicar e se ajudar em uma rede, da mesma forma que o centro de cidadania faz com a comunidade LGBT”, disse.

Foto: Letícia Medeiros

O protesto contra os casos de feminicídio em Nova Friburgo recebeu a presença da militante pelo direito das mulheres Schuma Schumacker, organizadora da Rede de Desenvolvimento Humano no Rio de Janeiro e coordenadora do projeto friburguense Alinhavando Vivências, que é uma rede de fortalecimento das mulheres. “Sou feminista há 40 anos na luta pela vida das mulheres contra a violência, fui uma das pessoas que ajudou a criar a primeira delegacia de atendimento especializado no Brasil, em São Paulo, em 1985, e vim aqui porque tenho esse compromisso pela minha vida e pela vida de todas nós”, disse.

“É uma responsabilidade de todas as pessoas lutar contra a violência que as mulheres sofrem porque são mulheres. Os homens também são muito bem-vindos nessa luta, aqueles que se envergonham do que os outros homens fazem. Eu sei que existe muito preconceito entorno do movimento, mas o feminismo nunca matou ninguém, enquanto o machismo mata, pelo menos 13 mulheres por dia, no Brasil”, finalizou Schuma.