Nova Friburgo tem solenidade pelos 15 anos da tragédia climática que atingiu a Região Serrana do Rio em 2011
Em novembro, o TCE-RJ divulgou uma auditoria sobre prevenção a desastres naturais no estado; Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis receberam determinações e recomendações
Prédio na rua Cristina Ziede, no centro de Nova Friburgo, foi atingido por barreira na tragédia de 2011
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Foto: José Maria Vasconcellos de Souza
A noite de 11 de janeiro de 2011 e a madrugada do dia 12 entraram para a história da Região Serrana do Rio de Janeiro. Considerado ainda hoje o maior desastre climático do Brasil, Nova Friburgo relembrará os 15 anos do ocorrido na próxima segunda-feira, 12.
A solenidade, que será às 15h no Teatro Municipal Laercio Rangel Ventura, no Centro, marcará o anúncio da conclusão da licitação e o lançamento da pedra fundamental das obras da chamada Barreira Sabo, como divulgado pela Prefeitura de Nova Friburgo.
A construção é uma tecnologia japonesa para a retenção de fluxo de detritos e será a primeira do Brasil.
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De acordo com o Executivo friburguense, a obra será executada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro com recursos do Orçamento Geral da União (OGU), no valor de aproximadamente R$ 15 milhões provenientes do Novo PAC.
Imagens do projeto da Barreira Sabo foram divulgadas nesta semana | Foto: Reprodução/Secom PMNF
O local escolhido foi uma encosta no bairro Duas Pedras, na RJ-130 (estrada Terê-Fri), na avenida Antônio Mario de Azevedo, nº 715, atrás do Hospital São Lucas.
Segundo a prefeitura, os estudos e discussões sobre a implementação em Nova Friburgo tiveram início em 2013, por meio do Projeto de Fortalecimento da Estratégia Nacional de Gestão Integrada de Riscos em Desastres Naturais (Gides), com a participação de técnicos da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica).
O Executivo ainda explicou que o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) firmou um Termo de Execução Descentralizada (TED) com a Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro) para o desenvolvimento dos projetos da Barreira Sabo e das vias de acesso para sua construção e futura manutenção.
A solenidade de segunda-feira, como divulgou o governo municipal, tem o objetivo de "demonstrar que a cidade superou a tragédia climática de 2011 com planejamento, estratégia, tecnologia e muito trabalho".
Praça do Suspiro, em Nova Friburgo, foi um dos pontos mais atingidos em 2011 | Fotos: José Maria Vasconcellos de Souza
Apesar desse sentimento de superação, uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) determinou o fortalecimento da prevenção a desastres naturais no território fluminense.
O levantamento, publicado em novembro do último ano, coletou dados de 91 municípios do Rio e identificou oportunidades de melhoria em relação às questões climáticas.
Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis, na Região Serrana, foram os focos do estudo, uma vez que apresentam maior criticidade, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O TCE-RJ informou que a auditoria ocorreu entre 2 de janeiro e 27 de junho de 2025, abrangendo o período orçamentário de 2023 a 2025.
Em um trecho do relatório da auditoria é citado um balanço do Cemaden, em que, em 2024, quatro municípios do estado do Rio de Janeiro constaram entre os dez do Brasil que mais registraram ocorrências geo-hidrológicas:
Petrópolis (1°, com 44 ocorrências), Teresópolis (4°, com 24), Rio de Janeiro (9°, com 17) e Nova Friburgo (10°, com 16).
A análise ainda apresenta os dados disponibilizados no Atlas Digital de Desastres no Brasil, referente ao período de 2011 a 2023.
Esse documento traz, em números, o impacto das ocorrências de desastres naturais em municípios fluminenses, de 2011 a 2024, com destaque para Novo Friburgo, Teresópolis e Petrópolis. Por exemplo:
Petrópolis
- População total afetada: 702.337
- Óbitos: 433
- Prejuízos: R$ 1.315.278.072,04
- Danos: R$ 1.688.353.077,35
Nova Friburgo
- População total afetada: 189.720
- Óbitos: 420
- Prejuízos: R$ 851.796.008,42
- Danos: R$ 4.840.719.128,64
Teresópolis
- População total afetada: 80.325
- Óbitos: 360
- Prejuízos: R$ 523.084.970,22
- Danos: R$ 2.205.755.245,89
Os dados podem ser acessados nesta plataforma.
No site, por exemplo, é possível verificar que os óbitos ocorridos em Nova Friburgo foram todos em janeiro de 2011.
Porém, o número ainda é um dos maiores do estado do Rio em relação às ocorrências climáticas.
O TCE-RJ informou que os resultados dos procedimentos de auditoria sinalizaram que muitos municípios carecem de planos de contingência atualizados, mapeamentos de risco, protocolos de alerta e estrutura física e técnica mínima para o desempenho adequado das atividades de prevenção e preparação para desastres.
Teresópolis também foi uma das cidades atingidas na tragédia climática de 2011 | Foto: Isadora Jaron
Diante desse cenário, o tribunal encaminhou determinações e recomendações aos gestores municipais de Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis.
Além disso, deu ciência à Secretaria de Estado de Defesa Civil e a 74 municípios jurisdicionados mais suscetíveis a ocorrências de deslizamentos, enxurradas e inundações, visando:
- fortalecer o planejamento e a articulação das ações de prevenção;
- estruturar adequadamente os órgãos municipais de Defesa Civil, com pessoal qualificado e recursos compatíveis;
- atualizar os diagnósticos e mapas de risco;
- garantir a transparência e a ampla divulgação de alertas e medidas preventivas;
- estimular a criação e o funcionamento de Conselhos e Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil, ampliando a participação social.
O Portal Multiplix entrou em contato com os municípios de Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis para esclarecimentos sobre a auditoria.
Prefeitura de Nova Friburgo
A Prefeitura de Nova Friburgo confirmou à reportagem que a cidade "não registrou novos desastres naturais ou óbitos em decorrência deles desde 2011" e falou sobre o trabalho de prevenção:
Desde 2021, o Plano de Contingência Municipal Para Chuvas Intensas (Plancon) é revisado e atualizado anualmente. Além disso, foi criado o Plano Contingência de Proteção e Defesa Civil para Rompimento/Colapso de Barragens e o Plano de Contingência para Estiagem e Incêndios Florestais, este último lançado em 2025. A cidade ainda desenvolveu o Grupo de Ações Coordenadas (GRAC), composto pelo poder público, entidades, concessionárias e representantes civis para articular respostas rápidas em situações de emergências.
O governo friburguense ainda cita o reforço de equipamentos e a modernização da Sala de Monitoramento.
Outro ponto abordado pelo Executivo municipal foi o Sistema de Alerta e Alarme, equipado até dezembro com 36 sirenes, em diferentes bairros.
De acordo com a resposta à reportagem, esse número pode ser alterado futuramente:
Atendendo à recomendação do TCE, a Prefeitura já identificou 18 novos pontos para receberem sirenes e a solicitação já foi encaminhada ao Governo do Estado.
Leia a íntegra da nota ao final da matéria.
Prefeitura de Petrópolis
Ao Portal Multiplix, a Prefeitura de Petrópolis informou:
O município vem adotando uma política contínua e integrada de prevenção de desastres, baseada em capacitação comunitária, fortalecimento institucional, investimentos em tecnologia e ampliação de protocolos operacionais. As ações atendem às recomendações dos órgãos de controle e seguem as diretrizes do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.
A administração ainda falou da implementação de "um conjunto estratégico de iniciativas preventivas para o verão 2025/2026, com foco na redução de riscos, na preparação da população e no aperfeiçoamento da resposta".
Na resposta à reportagem, o município reforçou "que está alinhado às recomendações do TCE-RJ e atua de forma contínua para aprimorar a política de prevenção de desastres".
Leia a íntegra da nota ao final da matéria.
Prefeitura de Teresópolis
O Portal Multiplix também entrou em contato com a Prefeitura de Teresópolis.
Em nota, o município confirmou que foi oficialmente notificado acerca do acórdão do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro:
Em relação à fase preliminar mencionada (Matriz de Achados), a gestão municipal ressalta que o processo de auditoria é complexo e envolve o levantamento e a análise de dados históricos e operacionais. Diante disso, o município optou por consolidar todas as informações, esclarecimentos e justificativas para a etapa de resposta definitiva ao Plano de Ação, assegurando que os dados apresentados reflitam com precisão tanto as melhorias já implementadas quanto o planejamento das ações futuras.
Leia a íntegra da nota ao final da matéria.
Notas na íntegra
Prefeitura de Nova Friburgo
"Nova Friburgo não registrou novos desastres naturais ou óbitos em decorrência deles desde 2011. A auditoria considerou os dados e ocorrências daquele ano. No entanto, considerando as vulnerabilidades geológicas e hidrológicas do Município, a Prefeitura de Nova Friburgo, em especial a Secretaria de Defesa Civil, tem atuado ativamente na prevenção de novos desastres.
Desde 2021, o Plano de Contingência Municipal Para Chuvas Intensas (Plancon) é revisado e atualizado anualmente. Além disso, foi criado o Plano Contingência de Proteção e Defesa Civil para Rompimento/Colapso de Barragens e o Plano de Contingência para Estiagem e Incêndios Florestais, este último lançado em 2025. A cidade ainda desenvolveu o Grupo de Ações Coordenadas (GRAC), composto pelo poder público, entidades, concessionárias e representantes civis para articular respostas rápidas em situações de emergências.
A Defesa Civil de Nova Friburgo também investiu no reforço de equipamentos e profissionais técnicos. A Sala de Monitoramento foi modernizada com aquisição de computadores de ponta e outros equipamentos que possibilitam aos profissionais da área um acompanhamento mais preciso das mudanças climáticas. A Defesa Civil também implantou um sistema de monitoramento de nível dos rios, com a instalação de câmeras de vídeo em pontos críticos da cidade. Também foram adquiridos novos veículos com tração, garantindo que a assistência da Defesa Civil chegue até em locais com difícil acesso. Entre os profissionais incorporados à equipe estão cinco engenheiros, um arquiteto, assessor jurídico e equipe de Comunicação.
O município conta ainda com um Sistema de Alerta e Alarme, equipado com 36 sirenes espalhadas em bairros e distritos com áreas de risco, além do Sistema de Alerta e Alarme via SMS, por meio do qual os cidadãos cadastrados são informados sobre a previsão do tempo e com orientações sobre o que fazer em caso de possíveis desastres naturais. Sempre que existe uma previsão de chuva moderada ou forte, as redes sociais da Prefeitura e da Defesa Civil divulgam alertas para informar e orientar a população. No site oficial da Prefeitura também estão disponibilizada a relação dos pontos de apoio municipais.
Atendendo à recomendação do TCE, a Prefeitura já identificou 18 novos pontos para receberem sirenes e a solicitação já foi encaminhada ao Governo do Estado.
A participação da população com as ações da Defesa Civil se dão através da implantação dos novos Núcleos de Proteção Comunitária (Nupdec), além de capacitações de voluntários. Atualmente, existem Nupdecs em Amparo, Riograndina, São Geraldo, Floresta, Mury, Duas Pedras e Campo do Coelho.
Ou seja, dos achados elencados no documento não foram específicos para Nova Friburgo, considerando que atualmente a cidade cumpre com excelência as recomendações dispostas."
Prefeitura de Petrópolis
"O município vem adotando uma política contínua e integrada de prevenção de desastres, baseada em capacitação comunitária, fortalecimento institucional, investimentos em tecnologia e ampliação de protocolos operacionais. As ações atendem às recomendações dos órgãos de controle e seguem as diretrizes do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.
A prefeitura vem implementando um conjunto estratégico de iniciativas preventivas para o verão 2025/2026, com foco na redução de riscos, na preparação da população e no aperfeiçoamento da resposta. Entre as principais ações estão:
Fortalecimento da participação comunitária
- Capacitação dos Núcleos Comunitários de Defesa Civil (Nudecs).
- Mapeamento participativo e construção de rotas de fuga com moradores.
- Realização do Seminário Nudecs e apoio ao Projeto Comunidade que Cuida da Vida, em parceria com a Unifase.
- Capacitação e educação para resiliência.
- Formação específica para profissionais das unidades de Educação Infantil da rede municipal.
- Implementação do programa Escola Resiliente.
Realização da Semana Municipal de Redução de Riscos de Desastres. Simulados e aprimoramento da resposta em emergência
Simulado nacional com envio do sistema Cellbroadcast/Defesa Civil Alerta.
Simulado com sirenes em parceria com o Governo do Estado.
Testes periódicos de sirenes em comunidades.
Aprimoramento tecnológico e monitoramento
- Instalação do radar Banda X, ampliando a capacidade de detecção de eventos severos.
- Manutenção e expansão dos sistemas de monitoramento e alerta.
- Investimentos contínuos em serviços como o monitoramento de raios.
Planejamento e articulação institucional
- Elaboração do Plano Verão 2025/2026, reforçando protocolos operacionais.
- Atualização do Guia de Pontos de Apoio.
- Realização do Fórum de Gestão de Resíduos, contribuindo para mitigação de riscos de escorregamentos.
- Parcerias técnico científicas, como o Projeto DUI RRD, desenvolvido com a Fiocruz.
Essas iniciativas demonstram o compromisso permanente do município com a proteção da população, prevenindo ocorrências e qualificando a capacidade de resposta.
O município reforça que está alinhado às recomendações do TCE-RJ e atua de forma contínua para aprimorar a política de prevenção de desastres. As ações já implementadas, os investimentos realizados e as ampliações previstas demonstram um esforço consistente para proteger vidas, reduzir vulnerabilidades e tornar Petrópolis cada vez mais resiliente frente aos eventos climáticos extremos."
Prefeitura de Teresópolis
"O município confirma que foi oficialmente notificado acerca do acórdão do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), referente à auditoria realizada sobre as ações de prevenção de desastres naturais.
Em relação à fase preliminar mencionada (Matriz de Achados), a gestão municipal ressalta que o processo de auditoria é complexo e envolve o levantamento e a análise de dados históricos e operacionais. Diante disso, o município optou por consolidar todas as informações, esclarecimentos e justificativas para a etapa de resposta definitiva ao Plano de Ação, assegurando que os dados apresentados reflitam com precisão tanto as melhorias já implementadas quanto o planejamento das ações futuras.
A prefeitura informa que já está trabalhando na elaboração do Plano de Ação solicitado pelo órgão de controle. A equipe técnica da Defesa Civil encontra-se mobilizada para atender às determinações do TCE-RJ dentro do prazo legal de 60 dias."
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