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Microscópio usado por Charles Darwin em experiências científicas será leiloado

Naturalista britânico fez expedições na Região dos Lagos do Rio, em 1832

Por Mateus Marinho
29/10/21 - 10:25
Microscópio usado por Charles Darwin em experiências científicas será leiloado Microscópio usado por Darwin em observações científicas será leiloado | Foto: Reprodução/J. Cameron (Wikimedia Commons)

Um microscópio que pertenceu a Charles Darwin (1809-1882), autor de "A Origem das Espécies" - obra da literatura científica que aborda os processos evolutivos por meio da seleção natural, será leiloado no dia 15 de dezembro.

O objeto foi amplamente utilizado pelo naturalista britânico em seus estudos sobre os zoófitos, organismos como corais e anêmonas-do-mar.

Darwin deu o microscópio a seu filho Leonard, e o item permaneceu na família por quase 200 anos. A expectativa é que o valor arrecadado chegue a $ 480 mil dólares (cerca de R$ 2,7 milhões de reais).

O instrumento foi projetado por Charles Gould por volta do ano de 1825. Ele é um dos seis microscópios que são associados ao naturalista que ainda se encontram em bom estado de conservação, de acordo com a casa de leilões Christie's, responsável pelo leilão.

Em uma carta escrita por Charles Darwin, em 1858, para seu filho mais velho, ele relata que Leonard está encantado com o presente: “Oh, papai, eu ficaria tão feliz com isso por toda a minha vida”.

Importância de sua obra para a ciência

De acordo com o professor, historiador e consultor educacional de Cabo Frio, Paulo Cotias, a obra de Charles Darwin, escrita em em 1859, deu uma nova ótica para o mundo, tanto sobre evolução das espécies quanto à biodiversidade:

As misturas de narrativas do campo religioso (como o dilúvio e a arca de Noé) com fortes bases criacionistas, só começariam a ser abaladas a partir da corrida científica sobre a origem e evolução das espécies, da qual Darwin era um dos postulantes.”

Passagem pelo Brasil

Charles Darwin esteve no Brasil em 1832. Ele partiu da Inglaterra a bordo do navio HMS Beagle, em 1831, para uma expedição ao redor do mundo que tinha a previsão de durar de dois a três anos, mas acabou durando quase cinco.

“E pensar que o 'insight científico' quase não existiu. Na verdade, o Almirantado Britânico havia convidado um outro naturalista para essa viagem de mapeamento costeiro e levantamento de recursos, o bem-conceituado professor Henslow. Entretanto, ele não aceitara o convite e indicou para o seu lugar o jovem Charles Darwin, então com 22 anos”, explica o professor Paulo Cotias.

O jovem naturalista britânico passou pela África, depois seguiu para o arquipélago brasileiro de São Pedro e São Paulo e para Fernando de Noronha, antes de aportar no Brasil, mais precisamente na Bahia, em 1832.

Navio HMS Beagle, que levou Darwin durante sua expedição à América do Sul, pintado por Conrad MartensNavio HMS Beagle, que levou Darwin durante sua expedição à América do Sul, pintado por Conrad Martens | Foto: Reprodução/The Illustrated Origin of Species

Depois de desbravar a Bahia, o navio zarpou rumo ao Rio de Janeiro, então capital federal à época. Ele desembarcou no Rio, onde ficou por quatro meses. Em seu livro de registros, Darwin dedicou um capítulo inteiro à exploração pelo interior do estado, com registros de coletas de dados geológicos, amostras de plantas e animais, além das histórias do horror da escravidão.

“É bem conhecida a aversão provocada no naturalista pela escravidão e suas práticas. Por outro lado, tudo o que foi observado aqui contribuiu decisivamente para a elaboração de sua teoria revolucionária”, detalha Cotias.

Logo após sua chegada, Charles Darwin relatou em seu livro que conheceu um inglês que se preparava para visitar suas propriedades, "situadas a pouco mais de 100 milhas (160 km) da capital", ao norte de Cabo Frio. "Ele teve a gentileza de me convidar como companhia, o que aceitei com prazer”. A incursão pelo interior do Rio de Janeiro começou no dia 8 de abril. E a cavalo.

No caminho, Darwin não deixou de relatar suas experiências. Duas das que mais o marcaram foram em uma fazenda em Maricá, e outra em uma fazenda em Conceição de Macabu, ambas envolvendo escravos e seus cruéis capatazes. Darwin vinha de uma família abolicionista, e ver a escravidão de perto o chocou bastante.

Na opinião dos especialistas, a passagem de Darwin pelo Brasil foi muito importante para a Teoria da Evolução das Espécies. É praticamente unanimidade na comunidade científica que a passagem de Darwin pelo Brasil foi o passo inicial que o levou, anos depois, a desenvolver sua obra.

Foto da 2ª edição do livro A Origem das Espécies, de 1860, em exibição no Museu Nacional da Escócia, no Reino UnidoFoto da 2ª edição do livro A Origem das Espécies, de 1860, em exibição no Museu Nacional da Escócia, no Reino Unido | Foto: Reprodução/Osama Shukir Muhammed Amin (Wikimedia Commons)

No primeiro parágrafo da introdução do livro, Darwin reconhece a importância da expedição para a elaboração de uma das mais revolucionárias teorias da ciência moderna.

“O resultado das suas observações e pesquisas, muitas delas feitas no seu microscópio que será leiloado, descortinou um novo paradigma que postulava um papel determinante do ambiente na seleção dos mais aptos ou melhor adaptados em cada espécie”, explica o historiador.

A incursão de Darwin pelo interior do Rio também contou com uma hospedagem na Fazenda Campos Novos, onde hoje fica Tamoios, no segundo distrito de Cabo Frio, como nos conta o professor:

“A UFRJ, inclusive, desenvolveu um trabalho de mapeamento, sinalização e compartilhamento das observações de Darwin, sobretudo nessa passagem pelo Rio de Janeiro com o projeto Caminhos de Darwin. Em nossa região há registros de passagem, por exemplo, por Niterói, Saquarema, Maricá, Rio Bonito, Araruama, São Pedro da Aldeia, Casimiro de Abreu, Macaé, Conceição de Macabu e por Cabo Frio, sendo emblemática a hospedagem em Campos Novos, fazenda que remonta aos jesuítas dos tempos da colonização. Em Campos Novos por exemplo, há o relato das suas impressões sobre o clima, o cardápio e algumas atividades e interações”, finaliza.

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