Greve dos servidores do Detran-RJ afeta serviços e muda rotina de atendimentos no estado
Categoria cobra cumprimento de acordo judicial e aponta falhas estruturais; autarquia diz que mantém diálogo e segue trâmites legais
Servidores do Detran-RJ reivindicam melhores condições de trabalho e direitos previstos em acordo judicial
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Fotos: Reprodução/Sindetran-RJ
A mobilização dos servidores do Detran-RJ, realizada na última terça-feira, 7, marcou o estado de greve aderido pela categoria na última semana.
Além do ato central, servidores também se manifestaram em seus próprios locais de trabalho, sinalizando adesão ao movimento.
A greve foi anunciada previamente por meio de uma carta aberta à população, divulgada pelo Sindicato dos Funcionários do Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Sindetran-RJ).
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No documento, a entidade informou que a decisão foi tomada em assembleia no dia 30 de março.
Apesar do início formal em 2 de abril, o sindicato destacou que, devido ao ponto facultativo no mesmo dia e ao feriado em 3 de abril, os efeitos práticos da paralisação passariam a ser sentidos a partir da última segunda-feira, 6, com a retomada do expediente.
Na carta, a categoria afirma que a paralisação ocorre "após tentativas de diálogo sem avanço e tem como objetivo garantir o cumprimento de direitos previstos em decisão judicial relacionada ao dissídio coletivo de greve".
Os profissionais terceirizados não aderiram à paralisação, o que mantém em funcionamento os serviços de identificação civil, realizados por esse grupo.
Já os atendimentos mais impactados são as provas teóricas (aplicadas em formato eletrônico), os exames práticos de habilitação e parte significativa dos serviços relacionados a veículos.
Reivindicações
Entre os principais pontos reivindicados está o envio do Plano de Cargos e Salários à Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), aprovado em acordo coletivo desde 2022, mas ainda que ainda não foi encaminhado.
Os trabalhadores também relatam problemas estruturais nos postos de atendimento, como mobiliário danificado, falta de manutenção, ausência de climatização adequada e condições precárias em áreas de exames.
Nas redes sociais do sindicato da categoria, fotos mostram as condições de trabalho de alguns postos do Detran-RJ | Fotos: Reprodução/Sindetran-RJ
Repercussão nas redes sociais
A paralisação também gerou repercussão nas redes sociais, com relatos de servidores e opiniões divergentes sobre o movimento.
Uma servidora destacou as condições precárias de trabalho em um dos postos.
Eu sou servidora do Detran em Campo Grande. Em março eu caí da cadeira giratória porque um dos braços da roda quebrou e já estava frágil, porque é de plástico e não de metal. Se eu não segurasse na parede minha cabeça ia no chão porque a queda foi feia e a gente não tem um seguro de acidentes no trabalho.
Outro comentário reforça a cobrança da categoria.
Não queremos mais nem menos, apenas respeito e que cumpram o acordo judicial.
E ainda tiverem aqueles que questionaram se este seria o momento ideal para a paralisação dos serviços, considerando o atual cenário político no Governo do Estado do Rio de Janeiro.
Todo mundo entende que a greve as vezes é necessária, mas assim, em um momento que se tem um governador interino, na qual não pode fazer nada além que manter o básico funcionando, achei que faltou um pouco de organização, porque meio que não tem o que ganhar ou conseguir nesse momento de crise política.
A reportagem entrou em contato com o Sindetran-RJ para saber mais detalhes sobre a greve, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno.
Já o Detran-RJ informou, em nota, que mantém diálogo com a categoria e que medidas estão sendo adotadas para minimizar os impactos da greve.
O órgão também afirmou que o plano de cargos segue em tramitação e que benefícios já foram reajustados.
Veja a nota na íntegra:
"O Detran-RJ esclarece que tem dialogado permanentemente com os servidores na busca de soluções para as demandas apresentadas, com transparência e responsabilidade. Na segunda-feira, 6, e na terça-feira, 7, a presidência do departamento recebeu representantes do sindicato para tratar das reivindicações da categoria e vem adotando as medidas cabíveis para mitigar os efeitos da paralisação aos usuários.
Importante ressaltar que já foram concedidos reajustes nos auxílios de alimentação, saúde, educação e transporte. O auxílio-educação, criado em 2024, foi pago retroativo a 2023.
O departamento vem cumprindo rigorosamente todas as normas legais e administrativas, além de atender integralmente às decisões judiciais dentro dos prazos estabelecidos.
Em relação às condições de trabalho, está sendo feito o levantamento das necessidades de melhorias na infraestrutura dos postos de todo do estado, incluindo o mobiliário.
A implementação do Plano de Cargos e Salários segue em tramitação nos órgãos competentes, conforme o devido processo legal.
O Detran-RJ reafirma que valoriza seus servidores e está empenhado em atender as demandas dentro das possibilidades deste momento, para que a população não seja prejudicada."
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