Do croqui à avenida: figurinista friburguense transforma talento em fantasias exclusivas
Uma das encomendas da artista Thais Frossard foi para o humorista Gregório Duvivier, um dos fundadores do Porta dos Fundos
A friburguense Thais Frossard produz fantasias personalizadas há cinco anos
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Foto: Divulgação
O Carnaval chegou e com ele, muitos significados.
Há quem odeie e há quem ame. Independente de crenças, de religião e de gosto pessoal, a verdade é que o Carnaval significa também uma tradição cultural que atravessa milênios e é um negócio lucrativo.
Muitos profissionais vivem desta festa popular e têm, nos dias de folia, sua fonte de renda.
Comerciantes, artesãos, músicos, fotógrafos, jornalistas, decoradores, costureiras, coreógrafos, motoristas, lixeiros, produtores, figurinistas, entre outros, são alguns dos trabalhadores envolvidos neste período, que muitas vezes não se limita aos cinco dias de festa.
Thais Frossard, uma jovem figurinista de 25 anos, é uma dessas pessoas que aproveitam o Carnaval para exercer suas habilidades pessoais.
Atualmente, ela mora no Rio, há cinco anos produz fantasias personalizadas e há dois, trabalha com figurino cênico, em produções cinematográficas:
Eu recebo encomendas diversas. Tem gente que quer fantasias de acordo com determinado tema, ou inspiradas em uma música, numa peça de teatro, num livro, num personagem ou num super-herói. E tem também aquelas pessoas que chegam sem ideia nenhuma e a partir de uma conversa, encontramos um tema.
No ano passado, o filme "Ainda Estou Aqui", dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, inspirou uma criação.
O cachorro Pimpão, da família Paiva, se transformou em fantasia, de uma encomenda de um cliente especial: Gregório Duvivier.
Fundador do Porta dos Fundos, Gregório Duvivier fez sucesso no ano passado com a fantasia inspirada no cachorro Pimpão, da família Paiva | Fotos: Divulgação
O humorista fundador do Porta dos Fundos, carnavalesco convicto, foi para as ruas vestido de Pimpão.
Essa foi uma das fantasias que Thais Frossard já produziu para ele:
Ele também me pediu uma fantasia de crocodilo, por causa da peça 'Céu da Língua', que ele escreveu sobre a língua portuguesa e o significado das palavras. A palavra crocodilo tem um destaque no espetáculo e ele quis ressaltar isso no Carnaval.
A fantasia de jacaré foi outro pedido feito à figurinista friburguense por Duvivier | Fotos: Divulgação
Ela ainda acrescentou que para esse ano, o humorista repetiu a dose: encomendou três looks de fantasias para aproveitar os dias de folia.
Segundo Thais, as máscaras podem simbolizar liberdade e anonimato, mas, também, representam personagens, mitos, figuras culturais, conectando o Carnaval com tradições e histórias.
Contudo, ela acredita ainda que a fantasia também tem uma função de chamar atenção, para uma criação personalizada, única, se destacando numa multidão:
Você pode criar uma fantasia que reflita sua personalidade, estilo ou tema favorito, e isso pode ser um diferencial que lance uma luz sobre você onde quer que você esteja, na rua, num bloco, entre centenas de pessoas. Tem quem queira se esconder e se disfarçar entre as pessoas, mas é claro que algumas pessoas querem estar em evidência e com um brilho a mais.
Uma fantasia feita sob medida se ajusta perfeitamente ao corpo da pessoa, garantindo conforto e segurança, e claro, se torna uma lembrança especial de uma experiência única.
Além disso, para quem tem presença nas redes sociais, uma fantasia criativa pode ser compartilhada e gerar o que todo mundo quer naquele ambiente: muitas curtidas.
No Carnaval tem de tudo, porque algumas pessoas não pensam tanto em aparecer, o que querem mesmo é se sentir bem, vestindo o que gosta, materializando uma ideia, e pensam somente em se divertir durante os dias de folia.
A origem do Carnaval é um tema de debate entre historiadores e pesquisadores, assunto que a figurinista friburguense adora estudar:
O Carnaval alimenta algumas teorias sobre a origem, a partir da palavra, e das influências de outras tradições, como a portuguesa e a africana. O primeiro Carnaval registrado no Brasil foi em 1720, mas as celebrações e festivais semelhantes existiam antes do nascimento de Cristo.
A figurinista conta que na Grécia e Roma existiam festivais para Dionísio (deus do vinho) e para Saturno (deus da agricultura).
Até na Índia, 2000 anos antes de Cristo, acontecia o Festival de Holi, onde milhares de pessoas iam para as ruas, numa festa de cores e fogos, marcando a chegada da primavera. Todas essas celebrações e tradições têm raízes antigas e deram origem ao Carnaval moderno que vemos hoje.
Música e dança, comidas e bebidas, rituais e cerimônias, vestimentas coloridas e máscaras são elementos em comum entre o Carnaval atual e as festividades antigas.
Thais Frossard atua como figurinista há cinco anos | Fotos: Divulgação
De alguma forma, os trajes da folia se assemelham às indumentárias usadas em espetáculos teatrais, onde a presença de um figurinista é fundamental:
Criar uma fantasia requer uma pesquisa para poder desenvolver uma ideia e os conceitos do traje do personagem que a pessoa vai encarnar, com autenticidade e precisão na roupa e nos acessórios, considerando fatores como o contexto da história, época e estilo. É um processo, onde o objetivo é produzir uma roupa que se encaixe como uma luva
, finaliza a figurinista, que também já garantiu suas próprias fantasias para o Carnaval deste ano.
O trabalho da artista pode ser conferido em seu perfil no Instagram.
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