Carnaval dos Moitas chega a São Pedro da Serra pela primeira vez com folião vindo de Rio Bonito de Cima, em Friburgo
Performance integra a exposição "Corpo Paisagem", no Instituto do Ator, e reforça tradição cultural preservada há décadas na cidade
Tradicionalmente, foliões se vestem de folhas e flores em Rio Bonito de Cima, localidade de Nova Friburgo
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Foto: Reprodução/Regina Lo Bianco
Pela primeira vez, um folião fantasiado de Moita sairá de Rio Bonito de Cima em direção a São Pedro da Serra durante o Carnaval.
A apresentação acontece no próximo domingo, 15, a partir das 18h30, no Instituto do Ator – Clínica de Arte de São Pedro da Serra, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro.
A iniciativa integra a programação da exposição "Corpo Paisagem", da artista Sani Guerra, que traz uma das manifestações culturais mais tradicionais da cidade.
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O Moita dará vida aos personagens retratados pela artista, ampliando o diálogo entre a pesquisa plástica e a cultura popular que inspira parte de seu trabalho.
A mostra pode ser visitada até a quarta-feira, dia 18, no Instituto do Ator - Clínica de Arte, em São Pedro da Serra.
Tradição preservada há décadas
Os Moitas são uma manifestação cultural do Carnaval de Rio Bonito de Cima, localidade rural de Nova Friburgo.
Fantasiados com folhas, os foliões mantêm uma tradição que atravessa gerações e permanece como expressão viva da cultura local.
O isolamento histórico da região — marcado por estradas de difícil acesso e pela ausência de energia elétrica até o fim da década de 1990 — contribuiu para a preservação de práticas culturais pouco atravessadas por processos de espetacularização ou homogeneização.
Embora a manifestação faça parte do espaço de origem da artista, o contato direto de Sani Guerra com os Moitas ocorreu apenas em 2018, por meio do trabalho da fotógrafa Regina Lo Bianco.
Esse encontro tardio produziu um efeito de reconhecimento e sincronicidade: revelou uma prática cultural que materializava, no plano coletivo e ritual, questões que já vinham sendo elaboradas intuitivamente na minha pesquisa pictórica.
Segundo a artista, elementos como a máscara, a figura híbrida, a diluição entre corpo e paisagem e a presença de uma corporeidade ancestral já estavam presentes em sua produção antes mesmo desse contato.
A proposta da exposição
A exposição "Corpo Paisagem" apresenta um percurso que evidencia essa convergência.
Reúne pinturas realizadas antes do encontro com os mascarados, nas quais a paisagem aparece como extensão do corpo e este como território simbólico, atravessado por camadas culturais, míticas e populares.
Em suas pinturas, artista explora cenários com figuras imaginárias | Foto: Divulgação
Nessas obras, a máscara surge não apenas como ocultamento, mas como possibilidade de transmutação e de acesso a outras temporalidades e estados de presença.
O conjunto dialoga ainda com pinturas e esculturas em argila desenvolvidas posteriormente, já a partir de uma aproximação direta com o universo dos mascarados, em especial os Moitas de Rio Bonito de Cima.
Nesse segundo núcleo, a investigação se volta à materialidade da terra, ao volume e à construção tridimensional do corpo.
A argila, apresentada como matéria primordial, reforça a relação entre corpo, chão e ancestralidade, aproximando o gesto artístico dos modos de fazer populares e ritualísticos.
Esculturas em argila têm a proposta de aproximar a arte do fazer popular e ritualístico | Fotos: Divulgação
Ao articular obras de diferentes períodos, a mostra não propõe uma narrativa linear, mas evidencia uma sincronicidade entre processos.
Os Moitas não aparecem como tema externo ou objeto de representação, e sim como presença que reorganiza e aprofunda a pesquisa da artista, oferecendo uma dimensão territorial e viva às questões centrais do trabalho: a paisagem como corpo, a máscara como operador simbólico, a ancestralidade como força ativa e a cultura popular como campo de criação.
No domingo de Carnaval, 15, após a performance do Moita, a programação inclui ainda a exibição do filme "Os Moitas de Rio Bonito de Cima", de Pedro Urano, às 19h30, no Instituto do Ator, em São Pedro da Serra.
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