Distribuição de canudos plásticos é proibida em Nova Friburgo

Decisão foi tomada pela Câmara de Vereadores na última terça-feira, 27

Por Luisa Machado
31/08/19 - 06:00
Distribuição de canudos plásticos é proibida em Nova Friburgo Lei que proíbe a distribuição de canudos plásticos em Nova Friburgo começa a valer em abril de 2020 | Foto: Banco de Imagem

Distribuídos aos montes nas lanchonetes, restaurantes, na cantina das escolas, nos bares ou nos camelôs, os canudos plásticos estão presentes na rotina de todas as pessoas. Acontece que esses itens, que parecem facilitar o dia a dia de todos, também trazem sérias consequências para o Meio Ambiente.

Os canudos de plástico normalmente distribuídos são feitos de polipropileno ou poliestireno, materiais que demoram até 200 anos para se decompor. Quando descartados de forma irregular, esses materiais podem chegar às florestas e oceanos e acabam sendo engolidos por animais.

Em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, a distribuição de canudos plásticos foi proibida, após aprovação de lei na Câmara de Vereadores. Comerciantes terão até abril de 2020 para substituir os canudos de plástico comuns pelos itens de papel, biodegradáveis ou recicláveis, para se adequar à nova regra.

Alternativas menos poluentes e tão efetivas quanto os canudos de plástico estão cada vez mais em alta. Esse é o caso dos canudos reutilizáveis, aqueles que ficam guardados nas bolsas para serem utilizados a qualquer momento, como os canudos de inox, por exemplo, que apesar de já conquistarem adeptos, não diminuem os prejuízos causados à natureza, como explica o estudante de engenharia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Guido Fraga.

“Entre os canudos reutilizáveis, o mais comum é o de alumínio, ou inox. E ele também oferece muitos problemas pro Meio Ambiente, começando pela extração do material pela indústria mineradora, que é uma das que mais poluem a natureza, hoje em dia. É como trocássemos um prejuízo pelo outro. O canudo de vidro também é uma opção, que é menos poluente do que o de inox, mas é muito mais frágil, não temos garantia de quantas vezes vamos usar antes de quebrar. O ideal para a natureza, com certeza, é o de bambu, porque é rígido, a matéria prima cresce rápido, não polui e pode ser reutilizado muitas vezes,” exemplifica.

Em Nova Friburgo, até antes da lei ser sancionada, diversos estabelecimentos já buscavam substituir os canudos plásticos descartáveis pelas alternativas mais sustentáveis, como os de plástico biodegradável, de papel ou de bambu. O canudo de papel, escolhido como substituto nos estabelecimentos comerciais, ainda que traga menos prejuízos instantâneos ao Meio Ambiente, não é a opção mais sustentável.

“A celulose vem das árvores e, mesmo que a madeira utilizada para produzir esses canudos seja reflorestada, o custo de água para conseguir essa matéria prima é muito alto. Fora que o reflorestamento também é um assunto muito delicado, porque tratamos da saúde do solo. Existe um limite de vezes que é possível reflorestar uma região; com o tempo, o solo fica infértil e aquela região é substituída por outra”, explica o estudante de engenharia.

Mas, então, qual é a melhor alternativa para quem quer, acima de tudo, proteger a natureza?

“Você precisa de canudo? Muita gente com deficiência motora, problemas de dores nas articulações, realmente precisa desse item. Mas se você está num estabelecimento que dispõe de um copo de vidro, reutilizável, utilizá-lo é a melhor forma de proteger o Meio Ambiente nesse sentido”, finaliza.