MENU

Portal Multiplix

Cidades e pessoas: Como pensar a mobilidade urbana e o desenvolvimento sustentável de Nova Friburgo?

Especialistas da área falam sobre as maiores necessidades dos setores que são fundamentais para o futuro da cidade

Por Matheus Oliveira
21/10/20 - 10:13
Cidades e pessoas: Como pensar a mobilidade urbana e o desenvolvimento sustentável de Nova Friburgo? Aumento no número de veículos é um dos desafios em Nova Friburgo | Foto: Reprodução/Portal Multiplix

Que cidade queremos? A diminuição das atividades sociais e econômicas, em consequência da pandemia da Covid-19, pode ser uma oportunidade para ampliar a discussão sobre mobilidade urbana e desenvolvimento sustentável. Fragilidades urbanas são alertas para repensar as cidades. E o aumento no número de veículos em Nova Friburgo, a partir da reabertura das atividades, nos faz pensar em soluções para os problemas de mobilidade urbana em harmonia com o desenvolvimento sustentável do município. Assim, para ouvir as demandas e as soluções para tais setores, o Portal Multiplix entrevistou o ambientalista Fernando Cavalcanti e o gestor ambiental Paulo Roberto de Souza.

De acordo com Fernando, uma das demandas mais importantes a serem resolvidas pelo poder público é a implantação do plano diretor da cidade, algo ainda inacabado e que não contempla itens como plano de obra, lei de ocupação do solo e um plano municipal de saneamento básico.

“Não temos um plano diretor acabado, com código de obra, lei de ocupação do solo, questão ambiental, um plano municipal de saneamento básico. Nós não temos, por exemplo, um código de resíduos sólidos. Como é que você descarta um colchão hoje na sua casa? Um vaso sanitário quebrado? Como é que você descarta placas de computador? É complicado! Não tem uma regulamentação municipal pra isso e, não tendo uma regulamentação municipal, as áreas de meio ambiente vão ficando ao Deus dará”, declara.

Fernando aponta ainda que, dentro do plano diretor, existe a proposta de adesamento urbano que é quando aumentar um número de andares nas áreas onde já existe uma aglomeração urbana.

Ele alerta para os perigos da adoção de tais medidas para o desenvolvimento da cidade.

“Por que mais pessoas moram naquela rua? Porque aquela rua, que só tem casa, agora vai ter prédios de, sei lá, de cinco ou dez andares. E prédios de dez andares com quatro apartamentos por andar dão quarenta apartamentos. Quatro pessoas em cada apartamento, 160 pessoas que tem carro, que todo dia vão ao banheiro e dão descarga, e que com os carros vão encontrar ruas estreitas em Friburgo e trânsito. Será que o aumento da densidade nas áreas centrais não vai trazer mais perda de mobilidade? A distribuição de água, a produção de lixo. Como é que vai ser isso tudo? Então, isso tudo demandava uma cidade organizada, com plano diretor, com plano municipal e saneamento básico, com código de lixo e por aí vai. Com isso tudo organizado, já é difícil. Agora, sem isso, vira um velho oeste”, destaca.

Fernando ressalta ainda o impacto do transporte público no meio ambiente e revela a necessidade de se discutir tais questões com um conselho municipal de gestão dos transportes.

“O transporte público da cidade tem uma velha discussão de ter uma empresa só, então é um monopólio. Mas será que a cidade comporta três, quatro empresas de transporte? Ou será que esse não é o tema central da discussão? Nas cidades do Brasil e do mundo onde essa questão de transporte público é equacionada ou, pelo menos, vive um momento mais equilibrado, é onde você tem um conselho municipal de gestão dos transportes, onde tem a figura das organizações da população, onde tem o conjunto dos interesses da população sentado junto com o interesse da concessionária ou da empresa de ônibus da Prefeitura. Por exemplo, cada vez que a Energisa vai aumentar a tarifa em Nova Friburgo, a Anel, Agência Nacional de Eletricidade, obriga ela a fazer uma reunião pública, que geralmente ela faz no centro diretor de logística, onde a população pode participar para dizer se a Energisa está fazendo um bom trabalho ou não”, revela.

O gestor ambiental Paulo Roberto de Souza ressalta que é necessário investir os recursos do ICMS verde em Meio Ambiente.

“As verbas do ICMS-VERDE, que hoje giram em torno de cinco milhões de reais por ano, não são investidos em meio ambiente. Nova Friburgo tem a segunda maior área de mata atlântica do estado e, sem ter como tomar conta, isso vai se fragmentar ao longo do tempo. Outro fator muito importante é a empresa de coleta de lixo e a de distribuição de água e coleta de esgoto que estão deixando a desejar”, afirma.

Veja outras notícias da Região Serrana do Rio no Portal Multiplix_


É proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos do Portal Multiplix, por qualquer meio, salvo prévia autorização por escrito.
TV Multiplix
TV Multiplix Comunicado de manutenção TV Multiplix Comunicado de manutenção
A TV Multiplix conta com conteúdos exclusivos sobre o interior do estado do Rio de Janeiro. São filmes, séries, reportagens, programas e muito mais, para assistir quando e onde quiser.