Friburguense vai ajudar a solucionar problema no maior acelerador de partículas do mundo, na Suíça

Guilherme Gonçalves, de 24 anos, é estudante de mestrado no campus da UERJ, em Friburgo, e viaja no dia 15 de março para o país europeu

Por Barney Campos
11/03/19 - 12:24
Friburguense vai ajudar a solucionar problema no maior acelerador de partículas do mundo, na Suíça Guilherme Gonçalves desenvolveu solução para problema no Grande Colisor de Hádrons, na Suíça | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Guilherme Gonçalves, friburguense, 24 anos. Formado em engenharia, o estudante de mestrado no campus regional da UERJ – Instituto Politécnico, em Nova Friburgo, prepara-se para o desafio de sua vida: no próximo dia 15 de março ele viaja para a Europa, onde ficará por um ano, convidado para trabalhar na CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), na Suíça.

Sob a orientação do professor Bernardo Sotto-Maior Peralva, o estudante desenvolveu uma solução para um problema técnico do principal acelerador de partículas do mundo, que fica no cantão suíço de Meyrin, em Genebra, localidade de pouco mais de 21 mil habitantes.

Em entrevista ao Portal Multiplix ele conta como a oportunidade surgiu.

“Quando ingressei no mestrado, meu orientador me apresentou esta pesquisa que estava em andamento e que precisava de alguém para trabalhar mais dedicadamente a este assunto. Me interessei e decidi trabalhar com isso. Os resultados foram surgindo e fomos reportando para o grupo da CERN, o que despertou o interesse de implementar esta solução oficialmente.”

Segundo Guilherme, a solução que chamou a atenção da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear consiste em corrigir um problema de empilhamento de sinais.

“O LHC - The Large Hadron Collider (Grande Colisor de Hádrons, em português) está enfrentando um problema ao medir a energia de uma partícula. O equipamento que faz essa medição é o calorímetro de telhas e ele tem apresentado uma limitação no tempo de resposta que fornece, ou seja, está recebendo dados de colisões de partículas mais rápido do que consegue medir. Então ocorre um problema de empilhamento de sinais e é este problema que buscamos resolver. Estamos propondo um novo filtro digital que irá aprimorar a medição de energia neste calorímetro.

Guilherme parte para Genebra na próxima sexta-feira, 15 de março. Durante o período de um ano, ele será um funcionário da CERN e afirma que todo custo de ida e volta será dele.

“É a minha primeira viagem para fora do país. É um mix de realização e temor frente à oportunidade única e às grandes responsabilidades que terei”.

Para o diretor do campus regional da UERJ em Nova Friburgo, professor Ricardo Barros, a pesquisa e a ida de Guilherme para o exterior são motivo de orgulho.

“O projeto Atlas, do acelerador de partículas, tem a participação do nosso professor Bernardo e isso nos enche de satisfação. O IPRJ sente-se muito orgulhoso de ter um professor nosso integrando a equipe desse projeto vinculado ao acelerador. Quanto ao estudante Guilherme Gonçalves, é um aluno excelente, muito concentrado. Então, não me surpreende de forma alguma que ele tenha apresentado uma solução sobre um problema que havia relacionado ao acelerador de partículas da CERN”.

Trecho do Grande Colisor de Hádrons (LHC)Trecho do Grande Colisor de Hádrons (LHC) | Foto: Reprodução/Internet

CERN

A Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) foi criada em 1954 e é o maior laboratório de física de partículas do mundo. Em sua sede, em Genebra, fica o Grande Colisor de Hádrons (LHC), que é o maior acelerador de partículas do planeta. No local, são feitos experimentos que buscam levantar informações sobre colisões de feixes de partículas. O LHC fica a 175 metros abaixo do nível do solo e totaliza 27 km de circunferência.