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Sete filmes brasileiros para conhecer mais a fundo a cultura nacional

No Dia do Cinema Brasileiro, veja dicas de produções cinematográficas lançadas entre 1967 e 2019; algumas ganharam prêmios internacionais

Por Isadora Jaron
19/06/20 - 09:49
Sete filmes brasileiros para conhecer mais a fundo a cultura nacional Bacurau é um filme de 2019, com direção de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho | Foto: Reprodução/Internet

Nesta sexta-feira, dia 19 de junho, é comemorado o Dia do Cinema Brasileiro, data que marca as gravações de filmes na Baía de Guanabara, na capital, pelos irmãos italianos Paschoal Affonso e Segreto, considerados os primeiros cineastas do Brasil.

Relatos e registros históricos mostram que o cinema chegou no Brasil em 1896, mais precisamente no Rio de Janeiro, após a exibição de vários filmes curtos onde mostravam o dia a dia dos europeus. Depois disso, foram várias produções cinematográficas representando diferentes períodos históricos do país até chegarmos aos dias de hoje, com o cinema muito mais abrangente e plural, que ultrapassa fronteiras e é reconhecido internacionalmente.

E para comemorar a data, separamos sete filmes nacionais, um para cada dia da semana, para te fazer emergir na cultura brasileira. São longas produzidos entre 1967 e 2019, e que você pode aproveitar para conhecer durante esse período de isolamento social. As sugestões são do cineasta Léo Arturius. Confira abaixo.

Vinicius de Oliveira e Fernanda Montenegro em Central do BrasilVinicius de Oliveira e Fernanda Montenegro em Central do Brasil | Foto: Reprodução/Internet

Central do Brasil

Nossa lista começa com o clássico filme de 1998, Central do Brasil, um drama nacional, com direção de Walter Salles e Fernanda Montenegro no elenco. O filme não é recomendável para menores de 12 anos.

“A merecida indicação ao Oscar na categoria melhor filme estrangeiro e melhor atriz com Fernanda Montenegro fez o brasileiro voltar a se orgulhar do cinema nacional, além de ter feito o mundo voltar a olhar para o nosso cinema. O filme pode ser classificado como road movie. Conta a história de um encontro um tanto inusitado: Dora, uma ex-professora que escreve cartas na Central do Brasil, e o menino Josué, que fica órfão da noite para o dia. Um marco para o cinema brasileiro, que na época inicia a sua retomada de produções”, destaca cineasta Léo Arturius.

Cena do filme Macunaíma, de 1969Cena do filme Macunaíma, de 1969 | Foto: Reprodução/Internet

Macunaíma

Produção de 1969, com direção de Joaquim Pedro de Andrade, o filme Macunaíma, com classificação de 18 anos, é baseado no homônimo de Mario de Andrade e fala sobre a história do herói brasileiro Macunaíma. No elenco, Grande Otelo, Paulo José e Milton Gonçalves.

“O filme narra a história de Macunaíma, do seu nascimento às margens do rio Uraricoera, em Roraima, às suas aventuras na cidade grande. Uma história que só poderia ser feita no Brasil, sua brasilidade é única. O filme conta com atores consagrados do cinema brasileira e é o 10º melhor filme da história do cinema nacional, segundo os críticos da Abraccine”, explica Léo.

Regina Cazé é a protagonista do filme Que Horas Ela Volta?Regina Cazé é a protagonista do filme Que Horas Ela Volta? | Foto: Reprodução/Internet

Que horas ela volta?

Dirigido por Anna Muylaert, Que horas ela volta? é estrelado pela atriz Regina Cazé que interpreta uma empregada doméstica nordestina que vai para a cidade grande para poder dar uma condição melhor de vida para a filha. Lançado em 2015, o longa é mais uma obra cinematográfica brasileira listado por Léo. O filme não é recomendável para menores de 12 anos.

“A diretora Anna Muylaert nos apresenta a realidade de muitas nordestinas das cidades da Região Sudeste. Trabalhar como empregada numa casa de classe alta expõe as diferenças entre as pessoas e como cada um enxerga a humanidade do outro. Regina Casé interpreta Val, uma emprega doméstica pernambucana que trabalha e mora há anos na casa dos patrões, em São Paulo. A suposta harmonia da relação entre Val e a família para a qual trabalha é quebrada quando sua filha Jéssica vai a São Paulo para se preparar para o vestibular”, conta o cineasta.

Cena do filme Cidade de Deus, de 2002Cena do filme Cidade de Deus, de 2002 | Foto: Reprodução/Internet

Cidade de Deus

Outro drama nacional com quatro indicações ao Oscar, Cidade de Deus estreou em 2002 e conta a história de Buscapé, um jovem negro e pobre que vive na comunidade Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, uma das favelas mais conhecidas e violentas do Brasil. Fernando Meirelles é o diretor do longa que tem classificação de 16 anos.

“Cidade de Deus foi um dos maiores fenômenos de crítica da história do cinema brasileiro, mas na época sua bilheteria foi aquém do esperado. O diretor Fernando Meirelles disse que seu lucro com o filme foi de apenas R$ 9 mil reais. Sob a ótica do protagonista-narrador Buscapé, o espectador é conduzido pelos becos e vielas da Cidade de Deus num contexto de ascensão do crime organizado. Sendo que o diferencial é mostrar as motivações por trás do crime. Não há maniqueísmo, levanta a questão de que algumas são bandidos por falta de oportunidade social/econômica e não porque são seres-humanos do mal”, explica Léo.

Paulo José e Leila Diniz em Todas as Mulheres do Mundo, de 1967Paulo José e Leila Diniz em Todas as Mulheres do Mundo, de 1967 | Foto: Reprodução/Internet

Todas as Mulheres do Mundo

A produção de 1967 tem Paulo José e Leila Diniz no elenco e tem duração de 86 minutos. O clássico com direção de Domingos de Oliveira, é uma comédia romântica.

“Uma comédia excepcional extremamente atual. Um clássico. Trata-se da história de um mulherengo, Paulo (Paulo José), que se apaixona por inúmeras mulheres, mas acaba conquistando o coração de Maria Alice (Leila Diniz), que rompe o noivado para ficar com ele”, diz Léo sobre o longa.

Cena do filme Cabra Marcado para Morrer, lançado em 1984Cena do filme Cabra Marcado para Morrer, lançado em 1984 | Foto: Reprodução/Internet

Cabra Marcado para Morrer

De acordo com Léo Arturius, o cineasta Eduardo Coutinho conseguiu transformar pessoas comuns em estrelas com o filme Cabra Marcado para Morrer, de 1984. Ainda segundo Léo, a maneira de editar e filmar de Eduardo foi uma escola para o futuro do cinema, determinando o rumo cinematográfico documental no Brasil.

“Para muitos, Cabra Marcado para Morrer, é a sua obra prima. Este filme mistura a história do Brasil com o foco da história do filme. Uma obra necessária. Iniciado no princípio dos anos 60, as gravações do filme foram interrompidas pela censura após o golpe de 1964, sendo retomadas só 17 anos depois, com alterações no roteiro original. O documentário conta a história do líder camponês João Pedro Teixeira assassinado por policiais em 1962”, explica Léo.

Cena do filme Bacurau, de 2019Cena do filme Bacurau, de 2019 | Foto: Reprodução/Internet

Bacurau

Bacurau encerra a lista dos sete filmes brasileiros escolhidos. Com direção de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho, o filme de 2019 rodou o e conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2019, tornando-se o segundo filme brasileiro da história a ser laureado numa categoria principal. A classificação do filme é 16 anos.

“Bacurau reposicionou o cinema brasileiro perante o mundo. Bacurau não é sobre o presente, mas o futuro utópico de uma cidade que se auto organiza e não precisa de política governamental para viver. Rapidamente “o estrangeiro” se incomoda com essa utopia e transforma a cidade numa zona de caça para turistas, assim, uma alegoria do imperialismo que influenciava o nosso país na década de 1960”, finaliza Léo.


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