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Com a pandemia, dramaturgia se reinventa e espetáculos são transmitidos online

Bernardo Dugin e Daniela Santi contam como se adaptaram à nova realidade do teatro

Por Isadora Jaron
20/11/20 - 15:01
Com a pandemia, dramaturgia se reinventa e espetáculos são transmitidos online Grupo se reúne online para ensaio de teatro | Foto: Reprodução/Portal Multiplix

Com a pandemia da Covid-19, muitas coisas mudaram. A dramaturgia, por exemplo, teve que se adaptar. Nos teatros, espetáculos cancelados. Meses de ensaios interrompidos. Estreias tiveram que ser adiadas. Tudo parou.

Entretanto, com as novas possibilidades, a dramaturgia ganhou um novo palco. O espetáculo passou a ser digital. Diferente, já que não tem o calor do público, as palmas e a troca de emoções.

O ator, diretor e produtor friburguense Bernardo Dugin, que agora está dirigindo um espetáculo online, Cinquentânias, pela plataforma Zoom, disse que no começo a pandemia foi assustadora, já que tudo era desconhecido. O momento foi difícil, ainda mais quando as atividades foram interrompidas.

“A pandemia pegou o mundo inteiro de surpresa, ficamos em pânico. Umas pessoas lidaram melhor, outras pessoas, um pouco pior. Os artistas têm a sensibilidade bem aflorada, então foi muito difícil. Fomos um dos primeiros setores profissionais a parar. Os teatros fecharam, as tevês interromperam as atividades e nós estamos sendo um dos últimos a voltar”, disse Dugin.

E com isso, a dramaturgia se reinventou. Porém, mesmo com os espetáculos online, as apresentações em formato digital, Dugin destaca que nada vai substituir o teatro e a relação do artista com o público.

“O ao vivo, o aqui e agora, são insubstituíveis. Essa experiência, talvez, se torne cada vez mais rara, cada vez mais preciosa. Talvez o ingresso fique mais caro, porque vai reduzir número de cadeiras, não sei como vai ser, mas isso é insubstituível. Tudo que estamos tentando agora é, na verdade, uma maneira de se expressar, uma maneira de experimentar, uma nova linguagem, uma nova possibilidade. Eu acho que é tudo, menos o teatro. Não temos nome para chamar”, disse.

Dugin explica que o artista tem vontade de colocar o que sente para fora, de gritar para o mundo o que está se passando. E com essa inquietação, eles não conseguem se controlar e acabam se manifestando através da arte.

“Essa coisa inquieta que não conseguimos controlar, se manifesta através do texto, através do vídeo, do poema, do teatro, filmado, gravado, sei lá. Nós estamos dando o nosso jeito. O processo de criação ficou muito aflorado. A pandemia mexe muito com os nossos sentimentos, ficamos afastados do nosso ofício, é muito difícil não encontrar os amigos, os colegas de trabalho, o olho no olho. Dentro desse cenário, todo mundo com celular em casa, começamos a experimentar possibilidades de uma manifestação artística”, frisou.

O ator também passou a contracenar online, onde mais pessoas podem assisti-lo, ao vivo, de outros países e estados mais distantes. Para ele, a experiência foi boa e também diferente.

“Nos assistir ao vivo, é muito bacana porque por um lado também democratiza um pouco a arte, mas é muito doido, muito diferente, é tudo muito novo pra gente. Sentimos falta do público, dessa troca, da resposta, do colega do lado, de sentir a energia, mas a gente tá ampliando os sentimentos e a capacidade para tentar experimentar, experienciar, vivenciar alguma coisa através da tela.

Já a atriz e diretora de teatro, Daniela Santi, que já foi diretora do Centro de Arte de Nova Friburgo, a pandemia chegou sem muita informação, com a dúvida de quando a quarentena iria acabar e, por último, trazendo a resposta que o isolamento social seria mais longo do que o esperado.

“Estava dirigindo um trabalho do Grupo em Grupo de Artes Cênicas, e paralisamos todos os encontros presenciais no dia 13 de março. A partir deste momento, nos conectamos via plataforma virtual. A experiência não foi muito bem aceita pelos atores, pois os diferentes servidores de internet nem sempre mantinham a estabilidade. Com isso, congelavam-se as imagens, havia delay demais, e resolvemos interromper os ensaios online. Ficou uma sensação de tarefa não cumprida”, contou.

A partir disso, para não ficar parada, Daniela se reinventou, assim como a dramaturgia. Ela começou a produzir vídeos curtos, interpretando poemas, alguns de autores consagrados e outros, de sua autoria.

“Surpreendentemente consegui alcançar um determinado público e criei um canal no YouTube, chamado Despindo Poesias. Por um tempo, isso alimentou meu desejo de dirigir e de atuar. Mas não era o bastante. Como eu faço parte de uma Trupe Teatral, chamada Cômicos Anônimos, resolvi propor aos outros integrantes uma experiência teatral online. Ainda tímida, com gravação e edição. O resultado foi muito bom. Um dos integrantes se propôs a editar. Juntos, Bernardo Rangel e eu criamos o produto final”, explicou Santi.

Com diversos comentários positivos a equipe se animou a começou a produzir cada vez mais. Daniela conta que está se arriscando na edição. O texto é de Afonso Romano de Sant’Anna. Depois, querem criar um sobre a pandemia. E tudo será oferecido de forma gratuita ao público.

“Também iniciaremos um ciclo de leituras, de textos curtos, com dois atores. Então agora estamos plenamente adaptados ao novo modo de dramaturgia online. Parece que o processo criativo, pelo menos no meu caso, se fortaleceu. Tenho escrito muitos textos e a intenção é a de publicá-los todos. Quanto à criação dos atores, senti uma explosão. Uma necessidade de falar e expor sua atuação ao crivo do espectador virtual”, enalteceu Daniela.

Para a atriz e diretora, em tempos de isolamento social, foi preciso mesmo se adaptar. Para ela, o ser humano se adequa a qualquer situação, mesmo a mais adversa e os atores e criadores teatrais, como criaturas únicas, quando se trata de saberem mesclar ficção e realidade, se aproveitam destes momentos estranhos para criarem novas histórias que vão ficar no mundo para sempre.

“A arte teatral é uma arte viva. Teatro é uma arte de energia que se completa com a presença do outro. Seja o outro no fazer teatral ou, principalmente, na interação com o público. Claro, sem eles a relação fica mais "fria", porque não tem o calor do aplauso, do riso, da emoção do público, mas ao mesmo tempo tem a emoção da expectativa da repercussão que seu trabalho terá. É um pouco como atuar no cinema ou televisão, onde o aplauso e o reconhecimento chegam posteriores ao ato criativo”, finalizou Daniela.

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