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Teresópolis e a representação feminina na política

Cidade em homenagem à imperatriz Tereza Cristina tem baixo número de mulheres interessadas nos cargos públicos

Por Isadora Jaron
13/11/20 - 14:26
Teresópolis e a representação feminina na política Em vida, Tereza Cristina foi chamada de mãe dos brasileiros | Foto: Isadora Jaron

Já pensou ver temas como maternidade, assédio, aborto, carreira, direito das mulheres, representatividade feminina, entre outros, cada vez mais presentes na política? Esse debate ainda está muito distante do desejado pelas mulheres, ainda mais em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. São poucas as candidatas ao cargo de vereadora no município e nenhuma se habilitou a concorrer à prefeitura.

Nas Eleições 2020, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Teresópolis tem sete candidatos a prefeito e são 458 a vereador. Mas, desse número, a maioria são homens, com 322 no total. No gênero feminino, Teresópolis conta com 152 mulheres se candidatando ao legislativo.

Para a estudante de direito, Mona Iza Oliveira, o cenário vem melhorando, conforme os anos eleitorais passam, porém, ainda é preciso que as mulheres tenham mais sororidade para apoiar as candidatas.

“É necessário uma equiparação na representatividade feminina na política, porque é óbvio que nós vivemos em um país ainda onde o patriarcado reina, é muito forte, então, as mulheres, em decorrência de vários movimentos, vários avanços sociais, movimentos importantes como o feminismo, vem tomando a maior parte nessas áreas, onde é majoritariamente ainda dominada por homens. Não coloco meu foco na falta, mas coloco o meu foco no avanço. Antes não tínhamos mulheres na política e com o decorrer dos anos isso tem melhorado. É óbvio que nós mulheres, porque os homens não vão lutar pela nossa causa, precisamos ter uma atitude incisiva nessa questão. As mulheres precisam se mobilizar, se pautar na sororidade que é apoiar outras mulheres”, destacou.

Além disso, Mona Iza ainda frisa que é preciso estudar as propostas para fazer a diferença e representar o universo feminino na política.

“Há mulheres que querem fazer e participar, como nós temos aí essa pequena quantidade de candidatas. Não temos nenhuma candidata à Prefeitura. Nós, mulheres, precisamos dar prioridade para outras mulheres. É claro que, estudando a proposta de cada uma, o histórico de cada uma. Nós também não podemos apoiar quaisquer mulheres, nós precisamos apoiar quem vai entrar e, de fato, fazer a diferença. Quem vai nos representar no poder executivo”, explica.

Para a jornalista Joanna Medeiros, as mulheres têm um olhar diferenciado sobre a vida e, com isso, podem criar ferramentas para, na política, ajudar o público feminino.

“Acredito que as mulheres têm um olhar diferenciado sobre a vida. A sensibilidade que as mulheres naturalmente têm, a criatividade e a empatia, são fundamentais para a vida pública, afinal, o papel fundamental de quem está eleito é cuidar dos interesses da população, criar ferramentas para que a população tenha uma vida digna”.

Joanna acredita que a falta de tempo, devido ao acumulo de funções ser maior do que de muitos homens, possa afastar as mulheres da política e dos cargos públicos.

“Historicamente temos poucas mulheres concorrendo a cargos públicos no Brasil. Apesar de esses números estarem aumentando a cada pleito, as mulheres, naturalmente, acumulam mais funções do que muitos homens e a falta de tempo para outras atividades pode ser um dos motivos para esse afastamento da vida pública. Mesmo assim, o engajamento de tantas e a vontade de mudar esse quadro têm levado cada vez mais mulheres para a vida política. O que é ótimo e necessário”, enalteceu.

E com mais mulheres se candidatando, ocupando as cadeiras no legislativo e até à frente da prefeitura, a representatividade feminina aumenta. Porém, a jornalista não acredita que essa seja a única alternativa.

“Com uma maior entrada das mulheres para a vida pública é fato que essa representatividade aumenta, o que é bom e importante, mas não acredito unicamente nessa prerrogativa. Acho que mesmo os homens podem e devem assumir a bandeira da luta pelos direitos das mulheres, afinal, todo mundo tem uma mãe, uma irmã, uma filha, esposa. Essa questão da representatividade, na minha visão, acaba se confundindo de uma forma não muito saudável com braços de um movimento feminista extremista, o que acaba sendo usado como forma de cumprir mais uma agenda do que eleger realmente pessoas que possam cuidar disso”, finalizou.

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