O que será da Praça Getúlio Vargas?

Movimento SOS Praça Getúlio Vargas chama atenção da população para projeto de readequação do espaço

Por Sara Schuabb
18/12/18 - 14:10
O que será da Praça Getúlio Vargas? Localizada no ponto mais valorizado da cidade, o futuro da Praça Getúlio Vargas está em discussão diante do projeto municipal de readequação do espaço. | Foto: João Luccas Oliveira

Conhecida por seus eucaliptos centenários, o futuro da Praça Getúlio Vargas, localizada no coração da cidade, está em discussão diante de um projeto da Prefeitura de readequação do espaço público, que prevê, dentre outras medidas, segundo Rafael Borges, conselheiro da OAB, a divisão da praça em três espaços e permissão para a instalação de quiosques comerciais. As obras estariam previstas para março de 2019.

O movimento SOS Praça Getúlio Vargas fez uma vistoria nesta manhã de terça, 18 de dezembro, no local, junto ao arquiteto pioneiro em jardins históricos e paisagens, Carlos Fernando Delphim, e o urbanista e consultor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Unesco, Antonio Hoyuele Jayo, que palestraram na última segunda, 17, em evento realizado pela Organização dos Advogados Brasileiros (OAB) de Nova Friburgo, sobre tombamento e patrimônio cultural e patrimônio nacional.

Após a vistoria, o engenheiro agrônomo André Campbell, do Movimento SOS Praça Getúlio Vargas, diz que o local está entregue. “Faltam lixeiras, as árvores estão abandonadas. Estão precarizando a praça num processo lento, mas frequente, para destruí-la. Na gestão do Rogério Cabral, os eucaliptos eram perigosos; agora querem escavar. A arqueologia, com as escavações, só pode ser realizada se for uma ação complementar, mas não deve colocar em risco as árvores”, enfatiza.

Projeto de Readequação

Após o corte de eucaliptos no local, em 2015, e a constatação de irregularidades no serviço, a Prefeitura assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público Federal (MPF) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) com o intuito de regulamentar o corte e poda de árvores na Praça. Dentro do TAC, existe um projeto de requalificação da praça.

“Pedimos acesso ao TAC, pois este processo irá transformar a praça e requalificá-la. A justificativa da Prefeitura é garantir a segurança da população. Gostaríamos de deixar claro que não somos contrários a isso. Mas não somos favoráveis ao corte de árvores que não ofereçam riscos e que se mude o traçado original do espaço”, contou Rafael Borges.

A presidente da OAB Nova Friburgo, Mônica Thereza Bonin Leal, diz que a OAB tem atuado no sentido de cobrar transparência ao projeto de readequação do ambiente, como, por exemplo, promovendo a palestra de dois especialistas no assunto.

Em nota, a Prefeitura de Nova Friburgo informou que “segue o cumprimento do TAC assinado pela gestão anterior, que, juntamente com o Iphan, buscou recursos para recuperação de algumas áreas devastadas pela tragédia climática de 2011, o que acabou culminando na criação de um projeto de revitalização da praça. A atual gestão considera válido e respeita o debate democrático da sociedade em torno do assunto.”

A Praça Getúlio Vargas foi projetada pelo paisagista francês Glaziou, há 150 anos e foi denominada de Praça Princesa Izabel, em homenagem à abolição da escravatura e, também, Praça XV de Novembro. Possui plantas diversas, um chafariz, um parquinho, uma feira, e é, sobretudo, um espaço democrático, frequentado por moradores de diversas idades e localidades do município. O ponto turístico friburguense foi tombado pelo Iphan em 1972 por ter construções ecléticas e de estilo germânico ao seu redor. Ela foi classificada como conjunto arquitetônico e paisagístico.