No Dia do Café, conheça um pouco da história da bebida com a Região Serrana

O café está presente no cotidiano e tem importante relação com o passado das cidades da região e do estado do Rio

Por Sara Schuabb
24/05/19 - 10:04
No Dia do Café, conheça um pouco da história da bebida com a Região Serrana O tradicional café é feito a partir de grãos torrados do fruto do cafeeiro | Foto: Banco de Imagem

Com aroma e sabor marcantes e considerado indispensável pela maioria dos brasileiros, por deixar o cérebro em alerta, nesta quinta-feira, 24 de maio, é comemorado o Dia Nacional do Café. E essa tradicional bebida tem uma relação mais do que afetiva com seus apreciadores, ela conta um capítulo importante de nossa história.

Segundo o historiador Laercy Ricker, a história do café no Brasil começa no século XVIII, quando o representante da coroa portuguesa, Francisco de Melo Palheta, vai até a Caiena, na Guiana Francesa, para negociar questões de fronteira, e traz de lá sementes e mudas de café, as quais distribui nas principais capitais e províncias do Brasil.

“O café veio da região da Etiópia, espalhou-se pela Arábia, mais tarde chegando ao mediterrâneo, da Itália à França e de suas colônias para o Brasil. A princípio, a planta era mais presente nos jardins das casas, pela beleza de seus frutos vermelhos e flores brancas, do que em plantações e era usada como remédio para as pessoas que sentiam fraqueza e anemia”, explica.

Fruto do cafeeiro, que dá origem aos grãos torrados de café, tem coloração avermelhadaFruto do cafeeiro, que dá origem aos grãos torrados de café, tem coloração avermelhada | Foto: Reprodução/Portal Multiplix

O Haiti, então colônia francesa, era o principal produtor nas Américas. O jogo virou, segundo Laercy, a partir do momento em que o a pequena ilha do Caribe deixou de fornecer o fruto para os países da Europa, por conta de uma crise no processo de independência. Dessa forma, o Brasil entrou como uma forte alternativa no mercado, no início do século XIX.

“A produção vai se expandindo gradativamente e o consumo aumenta em decorrência da segunda guerra de independência americana, em que há uma substituição do hábito do chá pelo café, como uma alternativa da América romper os laços culturais com a Inglaterra. E o Brasil entra para atender essa grande demanda”, explica.

O café na Região Serrana

Depois que D. João VI chegou ao Brasil em 1808 e criou o Jardim Botânico, ele ampliou o plantio de café com a distribuição de mudas para os fazendeiros da região ao redor da corte do Rio de Janeiro. “O café do Rio de Janeiro se espalha em direção a Vassouras, no Vale do Paraíba, e dali para São Paulo, gradualmente. E outro ramo para a região de Macaé. E, de Macaé, chega em Cantagalo, que era um território imenso, que pegava São Sebastião do Alto e Santa Maria Madalena. Uma professora da UFF dizia que, na década de 1870, Cantagalo era o maior produtor de café do mundo, porque era o maior do estado do Rio de Janeiro, que por sua vez era o maior produtor de café do Brasil, que por sua vez era o maior produtor do mundo”, diz Laercy.

O historiador pontua que o café também deu um novo alento à história de Cantagalo a partir de 1940, após a crise do ouro, que foi explorado ilegalmente por Mão de Luva e seu bando.

Surgiram muitos fazendeiros. Tivemos condes, barões, marqueses. O barão Clemente Pinto, por exemplo, foi muito rico, teve mais de 12 fazendas que, em linha reta, se ligavam do Rio Paraíba até a Baía de Guanabara. Ele construiu a linha de ferro, para distribuir a produção de café de suas fazendas, e estações ferroviárias, a partir da qual também foram criadas vilas.

Com a riqueza do café, foram construídos o Museu da República, antigo palácio do Catete, na cidade do Rio de Janeiro, a Prefeitura de Nova Friburgo, o Palácio do Gavião, em Cantagalo, dentre outras benfeitorias.

Café em Nova Friburgo

De acordo com a historiadora Janaína Botelho, no século XIX Friburgo tinha uma extensão territorial três vezes maior do que tem hoje e cultivava muito café em duas freguesias que foram desmembradas, a de Nossa Senhora do Paquequer, que hoje é Sumidouro, e a de São José do Ribeirão, que hoje é distrito de Bom Jardim.

Em Lumiar e em São Pedro da Serra, os descendentes suíços também plantavam um café típico para a região fria e alta. Ainda, segundo Janaína, outro lugar que também há registro de cultivo expressivo do fruto, na década de 1920, é no distrito de Amparo, que também fazia parte da freguesia de São José do Ribeirão.

Plantação de café no município de Bom Jardim, de família de imigrantes alemãesPlantação de café no município de Bom Jardim, de família de imigrantes alemães | Foto: Arquivo/João Luccas Oliveira

“Atualmente, de todos os municípios que foram grandes plantadores de café na região, os únicos que plantam café são Bom Jardim e Duas Barras, da família Erthal, descendentes de imigrantes alemães, que chegaram aqui em 1824. Eles têm uma grande plantação de café, com lavoura extensa, que fica entre os dois municípios”, diz.