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Embalagens comestíveis podem substituir papelões e plásticos

Alto custo de produção é uma das principais dificuldades para implantação no mercado

Por Daniel Cheles - 02 de Julho de 2018, 10:59
Bateu aquela fome? Coma a embalagem! Bateu aquela fome? Coma a embalagem! | Banco de imagens

Há algum tempo, três verdades permeiam os debates sobre consumo sustentável: existe um grande desperdício de alimentos, os produtos estão cada vez mais embalados e boa parte dos pacotes é feita para durar centenas de anos. Talvez a solução para esses problemas seja utilizar o excedente de comidas para produzir embalagens.

Não é de hoje que um grupo de empresários e pesquisadores trabalha para transformar alimentos como algas, cogumelos e peles de tomate em alternativas comestíveis para plásticos e outros itens de empacotamento – mesmo que o sabor não seja dos mais agradáveis.

A busca por recipientes ecologicamente corretos acontece no mesmo momento em que empresas alimentícias procuram se unir aos governos e consumidores para amenizar o desperdício, que aumenta os gases de efeito estufa em torno do planeta.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, por exemplo, encontrou uma nova forma de armazenar pizzas: uma equipe do laboratório de pesquisa, na Pensilvânia, conseguiu elementos para produzir um material à base da proteína do leite que pode ser utilizado para revestir caixas de pizza, empacotar queijo ou fabricar pacotes de sopa desidratada.

De acordo com o chefe de pesquisa da instituição, Peggy Tomasula, o produto poderia, também, substituir o açúcar usado em cereais, para aumentar a durabilidade e evitar que fiquem empapados rapidamente. A iniciativa surgiu a partir da necessidade de se buscar uma utilidade para parte do estoque de leite em pó do departamento.

Nos últimos anos, governos começaram a financiar, de forma silenciosa, estudos acerca do desenvolvimento de embalagens comestíveis. A União Europeia, que incentivou a produção de recipientes feitos com batata e proteína do soro do leite entre 2011 e 2015, acredita que o mercado mundial para os plásticos biodegradáveis cresça quase 30% a cada ano. Apesar disso, colocar esses produtos no mercado continua sendo considerado um grande desafio pelas empresas.

Estimuladas pelos consumidores, que estão cada vez mais conscientes sobre o descarte de embalagens no meio ambiente, grandes companhias mostram-se atentas e informadas sobre o assunto, mesmo sem acreditarem na viabilidade dos materiais comestíveis.

FRUTOS DO MAR TAMBÉM FORAM TESTADOS

O Instituto Wyss de Engenharia Biologicamente Inspirada, de Harvard (EUA), retirou, em 2014, o polissacarídeo quitosana da casca de camarões e lagostas, que foram mescladas com fibras de seda para criar solução para embalagens plásticas.

Segundo os responsáveis, o novo revestimento, conhecido como Shrilk, poderia ser utilizado na produção de caixas de ovos ou embalagens de alface. A maior barreira para a disseminação do projeto continua sendo o preço não competitivo.