"Bichectomia"

Por Glauco Rocha - 24 de Janeiro de 2019, 09:51

A Bichectomia consiste na remoção cirúrgica da bola de gordura de Bichat, anatomista e fisiologista francês que foi quem diagnosticou sua natureza adiposa. Esta estrutura anatômica tem sua localização nas partes laterais da face, e quando aumentada, confere um aspecto arredondado ao rosto. A procura da modelagem do contorno facial fez com que esta cirurgia adquirisse enorme popularidade nos tempos atuais, como um dos procedimentos mais procurados nos consultórios de cirurgia plástica.

É um procedimento já realizado, há vários anos, no campo, tanto como finalidade estética como reparadora. Porém, somente há poucos anos atingiu este grau de notoriedade e solicitação por parte dos pacientes, mas, mesmo quando adequadamente indicada, é um procedimento controverso uma vez que ainda não existe uma técnica cirúrgica de consenso, de modo a torná-la uma cirurgia totalmente segura e reprodutível. Devido a isto é preocupante este procedimento estar sendo realizado por agentes fora da área da cirurgia plástica, aumentando sobremaneira o índice de complicações e insatisfações. A bola de gordura de Bichat tem seu melhor acesso intraoral, possui uma anatomia peculiar e a possibilidade de sua utilização para fins estéticos e reconstrutivos.

A grande motivação pela procura dos pacientes com finalidades estética, visa um afinamento do rosto e melhor definição dos contornos e angulações da face para se atingir resultados esteticamente mais agradáveis. Sua importância na cirurgia reparadora também é relevante, podendo ser utilizada no fechamento de fístulas oronasais, corrigir defeitos intraorais, auxiliar no fechamento de fendas palatinas, recobrir enxertos ósseos maxilares, etc.

Mas, mesmo sendo considerado um procedimento de rápida duração, não deve ser encarado como um de fácil execução, pois exige vasto conhecimento da anatomia facial, instrumental cirúrgico adequado e local seguro dentro do ambiente hospitalar para sua realização. O cirurgião plástico é qualificado e treinado para estes procedimentos em toda sua formação, sendo, por isto, o que reúne as melhores chances de êxito para os seus pacientes. Quando realizado por mãos não habilitadas podem ocorrer desagradáveis e sérias complicações.

Entre as complicações mais frequentes destacam-se: lesão do ducto de Stenon ou do Ramo Bucal do nervo facial, que provocam respectivamente sialocele/fístulas salivares, paralisia da boca temporária ou definitiva, além de hematomas, assimetria facial e infecções pós-operatórias.

Podemos, então, concluir, tratar-se de cirurgia de rápida duração, que proporciona contornos faciais mais agradáveis, mas que deve ser executada por médicos especializados e habilitados.


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