Número de queimadas em Friburgo quase dobra no primeiro semestre

Segundo o Corpo de Bombeiros, foram 93 casos na cidade entre janeiro e junho deste ano; no mesmo período de 2018, foram 49

Por Matheus Oliveira
16/07/19 - 10:42
Número de queimadas em Friburgo quase dobra no primeiro semestre Incêndio na mata da Via Expressa, no bairro Olaria, em 2018 | Foto: Reprodução/Portal Multiplix

Com a temporada de poucas chuvas, tempo seco e um outono-inverno mais quente que a média, o número de ocorrência de queimadas em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, quase dobrou no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado.

De janeiro a junho de 2019, foram registrados 93 casos de queimada pelo 6º Grupamento de Bombeiros Militar (GBM). No mesmo período de 2018, foram 49.

De acordo com o comandante do 6º GMB, tenente-coronel Thiago Alecrim, a maior parte das queimadas ocorre em razão da ação humana.

“As queimadas decorrem de dois fatores: humanos e naturais. Os fatores naturais possuem incidências pequenas. O que mais observamos são queimadas decorrentes de fatores humanos, ou seja, pela ação do homem na natureza que provoca esse dano ambiental. Normalmente, isso é associado à questão de expansão de área agrícola, especialmente de área de horticultura, que é tradicional em nossa região. Nós temos também descaso ou omissão de pessoas que querem queimar lixo”, relata Alecrim.

Os casos de incêndios em vegetação continuam no segundo semestre do ano. Só entre os dias 12 e 15 de julho, foram registrados diversos focos em vegetação nos bairros Catarcione, Vila Amélia, Olaria, Cascatinha, Córrego D’Antas, Chácara do Paraíso e no distrito de Conselheiro Paulino.

Outra queimada recente que chamou a atenção ocorreu no dia 4 de julho, no Parque Municipal Juarez Frotté, e a Guarda Civil Municipal foi mobilizada para conter o avanço do incêndio, conforme mostra o vídeo a seguir.

Recomendações

Incêndios em vegetação podem alterar o equilíbrio natural em área de florestas devido à queimada de espécies vegetais e da evasão, e até morte, de animais. O fogo também pode levar ao empobrecimento do solo.

Segundo informações do Corpo do Bombeiros, os focos de incêndio em vegetação são mais comuns quando há conjunção de fatores como altas temperaturas, baixa precipitação e baixa umidade do ar. Embora muitas vezes não seja possível evitar este tipo de ocorrência, a corporação recomenda:

  • Não acender fogueiras;

  • Não queimar lixo no quintal;

  • Não soltar balões;

  • Não jogar pontas de cigarro em qualquer ambiente, principalmente, nas estradas próximas à vegetação;

  • Não jogar garrafas de vidro em áreas florestais e em beira de estrada. Elas funcionam como lente de aumento para os raios solares, gerando calor.

O comandante Alecrim destaca ainda outras medidas necessárias para evitar a ocorrência de incêndios em vegetação.

“Devemos respeitar a legislação ambiental e as pessoas que sofrem as consequências dessas ações. É importante, também, o aperfeiçoamento contínuo e sustentável das questões envolvendo o manejo ambiental. Principalmente nas áreas rurais, onde técnicas rudimentares de preparação do solo para o plantio precisam ser extintas. Temos que indicar outros meios para que essas ações sejam substituídas por métodos tecnológicos de cultivo do solo”, declara.

Punições

Quem provoca incêndio está sujeito a pagar multas altas ou até mesmo ser preso, dependendo das consequências dos seus atos. Por isso, é dever de todos a conscientização. É ideal que a população ajude a denunciar esse crime através dos telefones da Polícia Militar (190). Não há recompensas, mas o que vale é a colaboração de cada cidadão para a preservação do meio ambiente.

Ações dos Bombeiros

Além de possuir um grupamento especializado em combate a incêndios florestais, o Corpo de Bombeiros elabora planos de prevenção e ação nas entidades parceiras (Unidades de Conservação e Defesa Civil Municipal/Estadual), realiza trabalho de conscientização por meio de distribuição de material impresso, vídeos e palestras para diversos públicos.

A Secretaria de Estado de Defesa Civil elaborou recentemente um estudo que identifica as áreas de vegetação mais vulneráveis a ocorrências de incêndios florestais no território fluminense. O chamado Mapa de Susceptibilidade foi criado a partir do trabalho realizado pelo Centro de Estudos e Pesquisas (Cepedec) e auxilia no planejamento das ações de prevenção, levando em consideração três cenários possíveis - anual, trimestral seco e trimestral úmido.