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Incêndio em terreiro de Umbanda e Kimbanda em Nova Friburgo é investigado pela polícia

"Fomos ameaçados de linchamento", diz líder religioso; caso aconteceu durante desfile cívico pelo aniversário da cidade

Por Natalia Amorim
20/05/26 - 13:47
Incêndio em terreiro de Umbanda e Kimbanda em Nova Friburgo é investigado pela polícia O caso foi registrado na 151ª Delegacia de Polícia | Foto: Reprodução/Redes sociais (Geazi de Xangô)

Um incêndio que atingiu um terreiro de Umbanda e Kimbanda no centro de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, no último sábado, 16, está sendo investigado pela Polícia Civil como um possível caso de intolerância religiosa.

O episódio aconteceu no mesmo dia em que a cidade celebrava seus 208 anos, durante o desfile cívico.

O caso veio à tona nesta quarta-feira, 20, após uma publicação nas redes sociais feita por Geazi de Xangô, zelador espiritual do Templo de Kimbanda Tranca Ruas de M'Bará Hé, localizado no centro da cidade.

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No texto, ele relata que o espaço foi alvo de um incêndio criminoso e diz que os episódios de hostilidade contra a casa religiosa são recorrentes.

Nós, que vivemos sob constante ameaça de vizinhos, sob o julgo dos olhares de quem ignora a liberdade religiosa de nosso país, ainda no dia, fomos ameaçados de linchamento por parte de pessoas ao redor que acreditaram realmente que não haveria respaldo da polícia para o ocorrido. Registrado o boletim de ocorrência na 151° Delegacia de Polícia, prontamente a polícia civil, minutos após o ocorrido, enviou peritos ao local e constatamos o que parecia ser improvável, porém não impossível: crime!

E acrescentou:

Não existirá um dia que não temamos o mal. E não haverá um dia em que vamos nos acovardar perante ele! Nossos antepassados resistiram à escravização e hoje nós resistiremos à chibata social! Nova Friburgo não verá como plateia nosso choro, sem que haja luta e pelo direito de ser Kimbanda, de ser Umbanda, de ser! Eu sou Geazi de Xangô, chefe desta casa e aviso: estamos de pé!

Veja as imagens registradas no momento do incêndio.

Em conversa com a reportagem, na manhã desta quarta-feira, 20, Geazi de Xangô afirmou que logo após o incêndio, assim que chegaram ao local, integrantes da casa espiritual ouviram ameaças.

Alguns filhos de santo ouviram parte dos vizinhos dizendo que estavam esperando apenas eu chegar ao local para fazer um linchamento.

Segundo ele, o fogo atingiu a lateral do imóvel, onde ficavam assentamentos religiosos e materiais considerados sagrados dentro da tradição.

O incêndio, graças à prontidão de parte dos vizinhos que arrombou o local, só tomou a lateral onde ficavam os assentamentos e materiais sensíveis, mas não danificou a estrutura. Mas eu estimo um prejuízo de R$ 30 mil.

O líder religioso contou ainda que o espaço é alugado e que o templo atua no local há dois anos, embora já exista há quatro.

Segundo ele, os conflitos começaram com reclamações relacionadas ao som dos cultos.

Diziam que os atabaques eram um incômodo. Paramos de usar o atabaque e, por pelo menos três vezes, recebemos a polícia no local. Insistentemente, os vizinhos chamavam a polícia a fim de nos atrapalhar ou de alguma forma fazer com que nossas atividades não acontecessem.

Ele afirma que o espaço era utilizado apenas seis dias por mês e que os encontros aconteciam em horário permitido por lei.

Tenho o cuidado de começar por volta de 17h para terminar até às 22h, em respeito a todos que moram nos arredores. Mesmo tentando de todas as formas adaptar e respeitar a todos, nunca fomos aceitos

Apesar dos prejuízos, ele diz que a expectativa é retomar as atividades nas próximas semanas.

Hoje estamos de mãos atadas, buscando reparar os prejuízos. Mas, ainda sim, temos esperança de voltar com as nossas atividades em três semanas.

E encerrou destacando o significado espiritual dos assentamentos atingidos pelo incêndio.

A depredação de um assentamento significa desafiar a espiritualidade ao confronto. É como ferir uma pessoa e não entender que ela pode reagir. Não se fala muito sobre isso, mas a realidade é que pra todos os nossos atos, existem consequências e responsabilidades. Hoje, para os ignorantes, são apenas objetos que podem ser comprados novamente, mas existe vida em um assentamento. É a segurança de um Templo, o alicerce dessa casa. Se você move o alicerce, a estrutura cai sobre você.

Polícia Civil investiga

A reportagem entrou em contato com o delegado titular da 151ª Delegacia de Polícia de Nova Friburgo, Heberth Tavares, que confirmou o registro da ocorrência e informou que uma perícia foi realizada no local e que aguarda o resultado.

Segundo o delegado, "há possibilidade sim de intolerância religiosa".

Ele afirmou ainda que a Polícia Civil busca imagens que possam ajudar na identificação dos responsáveis.

Caso o crime seja confirmado, os envolvidos poderão responder "por preconceito religioso, incêndio e crime contra sentimento religioso".

Prefeito se manifesta

O prefeito de Nova Friburgo, Johnny Maycon (PL), se manifestou publicamente sobre o caso na manhã desta quarta-feira, 20, e afirmou se solidarizar com os frequentadores e responsáveis pelo terreiro "neste momento tão difícil".

Veja o que ele diz na íntegra:

"Tomamos conhecimento sobre o incêndio registrado no último sábado, 16 de maio, dia do aniversário de Nova Friburgo, em um templo religioso de matriz africana.

O caso já está nas mãos das autoridades de segurança, que realizaram a perícia no local.

Lamentamos profundamente o episódio e nos solidarizamos com todos os frequentadores e responsáveis pelo templo neste momento tão difícil.

Desde a sua fundação, Nova Friburgo sempre recebeu a todos de braços abertos, sendo construída pela diversidade, pelo respeito e pela convivência harmoniosa entre diferentes povos, culturas e crenças.

Esperamos que os fatos sejam devidamente esclarecidos e, identificando os responsáveis, que sejam penalizados na forma da lei."

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