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Pesquisa aponta aumento do consumo exagerado de álcool na pandemia; entenda os riscos

Profissionais de saúde de Nova Friburgo falam sobre ingestão desenfreada de bebidas no Brasil

Por Matheus Oliveira
12/05/21 - 16:53
Pesquisa aponta aumento do consumo exagerado de álcool na pandemia; entenda os riscos Consumo de bebidas aumentou no Brasil e no mundo durante a pandemia | Foto: Banco de Imagem

O confinamento forçado pela pandemia do novo coronavírus fez com que as pessoas passassem ainda mais tempo em casa, aumentando a ansiedade e gerando necessidade de buscar fugas. Uma delas é o consumo exagerado de bebida alcóolica.

Uma pesquisa feita pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em 33 países reforçou a afirmativa e apontou que 42% dos entrevistados no Brasil confessam um alto consumo de álcool durante a pandemia da Covid-19, desde março de 2020.

Os dados foram coletados entre maio e junho de 2020 por meio de um questionário online. Ao todo, mais de 23 mil pessoas com idade superior a 18 anos responderam questões relacionadas à pandemia.

A pesquisa mostrou que houve maior prevalência entre os jovens do beber pesado episódico – ou seja, consumir mais de 60 gramas de álcool puro (cerca de cinco bebidas alcoólicas padrão) em pelo menos uma ocasião durante os últimos 30 dias.

O crescimento na frequência do consumo de bebidas alcóolicas foi mais prevalente entre pessoas de rendas mais altas. A presença de quadros graves de ansiedade aumentou em 73% a chance de maior frequência no consumo.

Um dos dados mais relevantes é que apesar dos altos níveis de beber pesado episódico e dos riscos de saúde associados, a maioria das pessoas não procura ajuda, e uma pequena proporção tenta parar por conta própria.

Para saber os riscos que o consumo excessivo de álcool pode ocasionar, a reportagem do Portal Multiplix conversou com dois profissionais de saúde de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio.

A nutricionista Nicolly Fukuoka aponta que um deles é a obesidade.

“Um dos riscos é o aumento da obesidade. Porque para você ter noção, um grama de carboidrato tem quatro calorias, um grama de gordura tem nove calorias e um grama de álcool tem sete calorias. Então, é muito calórico. Uma latinha de cerveja fornece aproximadamente a mesma quantidade de caloria de um pão francês. Além disso, o álcool aumenta o nível de cortisol, que é o hormônio do estresse”, afirma.

Ela cita também outros riscos gerados.

“O consumo de álcool aumenta ainda mais o desejo por alimentos com açúcar e gordura. Tem alguns estudos ainda que dizem álcool ingerido em excesso pode estar associado a depressão, com perda de memória e ocasiona problemas relacionados ao fígado. Este problema pode levar ainda a cirrose, alteração de pâncreas e alteração cardíaca”, complementa.

Nicolly ressalta ainda que o grande problema não é beber, mas sim, o excesso.

“Não precisa parar de beber, é necessário encontrar um equilíbrio. Talvez beber uma vez na semana, mas não precisa beber o engradado de cerveja inteiro. Pode se consumir umas três ou quatro latinhas de cerveja ou dois drinques. E nem precisa beber o final de semana inteiro. É importante encontrar um equilíbrio e manter a rotina”.

Mas além dos riscos à saúde, o que leva uma pessoa a consumir álcool de forma desregulada? O psicólogo Geovane Corrêa explica.

“A ansiedade e a depressão podem ocasionar um consumo desenfreado de álcool ou outras substâncias, como remédio. Na pandemia, muitas pessoas geraram quadros destas doenças e passaram a beber mais. Em ocasiões de estresse ou eventos traumáticos, as pessoas tendem a ficar deprimidas ou ansiosas”, analisa Geovane.

Ele ressalta que esta ingestão de álcool desenfreado pode ocasionar em diminuição da imunidade, dificuldade em seguir as regras de isolamento da pandemia e fazer com que se tome decisões importantes em meio à embriaguez.

O psicólogo detalha ainda que substâncias como o álcool podem ser utilizadas para que as pessoas fujam da realidade.

“Vivemos um momento de muita cobrança com nós mesmos em razão da pandemia e de suas consequências como desemprego e corte de salários. Assim, muitos buscam fugir da realidade e não conseguem traçar estratégias para enfrentar seus problemas. E ingerindo álcool, as pessoas costumam perder a inibição e deixam os julgamentos de lado”, declara Geovane.

O profissional de saúde aponta ainda que a mudança de critérios nas regras de distanciamento em meio à pandemia gera uma forma de instabilidade que pode causar ansiedade nas pessoas. Ele indica uma forma de ajudar os brasileiros a resolverem tais problemas.

“As pessoas buscam refúgio no álcool com o intuito de ressignificar a vida. Mas apenas adiam e fogem do problema. O que ajuda é procurar um psicólogo e tratar os seus problemas. Entretanto, muitas pessoas não estão procurando ajuda e cuidando de sua saúde mental”, conclui.

Veja outras notícias das Regiões Serrana e dos Lagos do Rio no Portal Multiplix.


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