Bactérias, parasitas, vírus e substâncias químicas povoam alimentos e causam mais de 200 complicações de saúde

A facilidade de contaminação ou a forma como os alimentos são processados traçam os muitos caminhos pelos quais agentes patogênicos chegam à mesa

Por Ana Blue
13/06/18 - 17:32
Cinco alimentos que parecem saudáveis – mas nem sempre são alimentos perigosos. | Banco de imagens

Um especialista em segurança de alimentos é o profissional apto a desenvolver sistemas de gestão de segurança que obedeçam às demandas da legislação e certificação. Todas as organizações da cadeia produtiva devem obedecer a uma série de requisitos a fim de garantir conformidade dos alimentos produzidos e é esse o profissional responsável por este processo.

Nem é preciso dizer que muitos dos alimentos que consumimos hoje jamais passariam ilesos num teste surpresa de segurança. Seja pela facilidade de contaminação ou pela forma como os alimentos são processados, a verdade é que existem muitos caminhos pelos quais os agentes patogênicos chegam a nossa mesa e está cada vez mais difícil rastrear as fontes destas contaminações.

As doenças de origem alimentar recebem pouca atenção das autoridades, mas são um grave problema de saúde pública. Em conjunto, são pelo menos 200 complicações desencadeadas por bactérias, parasitas, vírus e substâncias químicas. Geralmente o paciente sofre com sintomas mais brandos, como náuseas e diarreia leve. Porém, podem surgir quadros mais graves, como insuficiência renal e hepática, distúrbios neurais, câncer e até morte. Só no Brasil, na última década, foram 49,5 mil mortes causadas por diarreia ou gastroenterite (inflamação no estômago ou intestino) de origem infecciosa presumível.

Cinco alimentos com maior risco de contaminação:

Leite e sucos sem pasteurização - A pasteurização é um processo de esterilização de alimentos, que consiste em expô-los a uma temperatura inferior a seu ponto de ebulição e submetê-los em seguida a resfriamento súbito, a fim de eliminar certos microrganismos nocivos. O leite sem pasteurização tem 150 vezes mais chances de causar doenças do que os produtos lácteos pasteurizados. E a mesma advertência se aplica aos sucos não pasteurizados, muitos populares em lojas de produtos saudáveis ou comprados nas ruas, feitos de frutas, que podem conter bactérias perigosas.

Brotos ou germinados crus - Todo tipo de germinado pode propagar uma infecção bacteriana que tem origem em suas sementes. Durante a germinação, quando se forma a plântula (nr: embrião vegetal), agentes patogênicos presentes na superfície dos grãos podem se desenvolver rapidamente e chegar a ser suficientemente numerosos para provocar uma doença.

Carne malpassada - A carne moída tem grande risco de contaminação de bactérias como a E. coli. Os hambúrgueres, principalmente, sempre devem estar bem cozidos. Se a carne moída não for cozida a 70 graus interna e externamente pode causar intoxicação por E. coli, Salmonella e outras bactérias.

Frutas e vegetais que se vendem lavados ou cortados, "prontos" para comer - Quanto mais se manipula e processa um produto, maior é o risco de contaminação. Pela nossa constante pressa e falta de tempo, o mercado tem aumentado gradativamente a oferta de saladas, frutas ou verduras lavadas, cortadas e prontas para o consumo. O ideal é comprar esses alimentos sem lavar nem cortar, em pequenas quantidades, e consumi-los em um prazo de três a quatro dias, para reduzir o risco de listeria, uma bactéria letal que prospera dentro da geladeira.

Ovos crus ou semicrus - Apesar de no fim da década de 1980 uma epidemia de Salmonella na Grã-Bretanha ter transformado o ovo em inimigo número um, muitas pessoas não deixaram de consumi-lo cru. O ovo é um dos alimentos mais nutritivos e econômicos do mundo, mas apresenta inúmeros riscos. Para evitar doenças, especialistas recomendam armazenar os ovos na geladeira e servi-los após cozimento.