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O que esperar do setor da moda de Nova Friburgo em 2020?

Veja o que pensam um economista e um diretor de empresa sobre as expectativas para este ano

Por Matheus Oliveira
17/02/20 - 13:50
O que esperar do setor da moda de Nova Friburgo em 2020? Setor de moda de Nova Friburgo vive a expectativa por um 2020 de melhoras no mercado | Foto: Letícia Medeiros

Sutiã com ou sem bojo, meia taça, calcinha, fio dental, asa delta, cós alto, espartilho, com ou sem renda, pijamas, cuecas, short doll... uma infinidade de peças que passaram a ser itens indispensáveis na composição dos looks e deixaram de ficar escondidas por debaixo das roupas.

De uns anos pra cá, homens e mulheres passaram a valorizar cada detalhe dessas peças fazendo com que o mercado de moda íntima no Brasil desse um salto importante para o varejo. A variedade abre oportunidades para um mercado diversificado que movimenta mais de US$ 30 bilhões por ano no mundo.

Segundo o IEMI – Inteligência de Mercado, o valor médio de compras de roupas íntimas subiu de R$ 106, em dezembro de 2015, para R$ 127 em fevereiro de 2018, um aumento de 20%. Além disso, a quantidade de vezes que as brasileiras compram roupa íntima também aumentou no período, quando subiu de 5,2 para 5,5 ao ano. Em 2018, o consumo aparente de roupas íntimas (produção mais importação, excluindo a exportação) atingiu 880 milhões de peças.

A cidade de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, é conhecida como capital da moda íntima. Além disso, outro tipo de moda, a fitness, também vem crescendo com marcas importantes na cidade. Assim, diante deste cenário doméstico e com o dólar em uma média de R$ 4,30, o que favorece as exportações, fica a pergunta: o que esperar do mercado em 2020, no município?

“A expectativa é de uma pequena melhora. Claro, precisamos de credibilidade e recuperar investimentos. Então, se fazem necessárias as reformas que o governo vai enviar para o Congresso como a tributária”, declara o economista Frank Sanglard.

O diretor administrativo da unidade da CCM (marca especializada em moda fitness), em Nova Friburgo, Cláudio Cariello, revela quais peças vão ser tendência neste ano no setor.

“Tendências como o tie dye, neon, floral, poá e xadrez continuam fortes, e trazemos novidades para as vitrines com peças oversized, detalhes de militarismo, volume nos ombros”, revela.

O profissional também destaca a importância das reformas econômicas para o crescimento das vendas neste ano.

“A expectativa é que a aprovação das reformas (no Congresso Nacional) se reverta em estabilidade econômica, confiança e aumento do consumo. Já tivemos um crescimento de vendas em 2019 e esperamos crescer ainda mais em 2020”, declara.

Fator câmbio deve ter dois lados nessa história

O diretor da CCM afirma que a alta do dólar tem dois lados, pois ao mesmo tempo em que fortalece as exportações, aumenta os insumos.

Ele ainda destaca que se faz necessário que os entes públicos promovam mais eventos culturais fazendo com que o turista compre no município. Além disso, Cláudio pede para “investir mais em educação e formação dos trabalhadores das cadeias para tornar o setor forte e competitivo”.

De acordo com o Sindicato das Indústrias do Vestuário (Sindvest) de Nova Friburgo e Região, Marcelo Porto avalia que o setor tem um certo receio com o dólar alto, mas a previsão é de um pequeno crescimento e manutenção dos empregos.

“Em relação ao câmbio, isso aumenta a matéria-prima, mas inibe a importação, principalmente na parte de vestuário e lingerie. A expectativa é de manutenção e crescimento moderado das vendas. Isso deve porque as grandes compradoras não estão indo para a China e isso deve repercutir de forma intensa na não vinda de mercadorias”, relata, antes de complementar.

“Estamos com receio com o que vai ocorrer com a economia de forma geral. Acredito em um crescimento tranquilo, de forma lenta, mas com a manutenção dos empregos. E aqui na nossa área vemos algumas empresas crescendo bastante e com material diferenciado para um público mais exigente”, complementa.


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