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Como estão as barragens e represas do estado do Rio?

Em Nova Friburgo e Teresópolis, não existem barragens de rejeitos, mas estações de água de pequeno porte

Por Sara Schuabb
01/02/19 - 17:40
Como estão as barragens e represas do estado do Rio? Em Friburgo, as 13 represas de água da cidade são monitoradas periodicamente, segundo a empresa responsável | Foto: Reprodução/Portal Multiplix

O rompimento da barragem de rejeitos da Vale, em Brumadinho, Minas Gerais, no dia 25 de janeiro, levantou questionamentos em todo o país sobre como andam o funcionamento e as estruturas de barragens e represas. De acordo com a Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão encarregado de fiscalizar a segurança dessas estruturas de barragens, no estado do Rio há 29 barragens de água. Dentre essas, 12 foram vistoriadas e definidas como prioritárias e seis foram consideradas com risco de prejuízos mais elevados, em caso de um eventual acidente, entre elas as de Saracuruna, Juturnaíba, Rio Imbuí-UT Triunfo, Lago Javary e Gericinó.

Segundo o Inea, após fiscalização em 2018, os responsáveis por essas estruturas foram notificados e orientados a adotar medidas corretivas no prazo de 90 dias para que iniciem o processo de regularização de suas estruturas. Além disso, existe um grupo de trabalho, desde 2015, que acompanha de perto as questões associadas à segurança de barragens e foi criada ainda uma força-tarefa para acelerar a regularização dos empreendedores com as obrigações das políticas estadual e nacional de segurança de barragem, no prazo de um ano.

Em relação à barragem de Gericinó, ainda de acordo com o Inea, foram feitas vistoria e inspeção de segurança regular em dezembro de 2018 e não foram detectadas anomalias que impliquem em risco de rompimento da estrutura.

O fundador do Movimento Baía Viva, Sergio Ricardo, diz que os barramentos que fazem limite entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais são preocupantes. Segundo Sérgio, caso ocorra a ruptura de alguma delas, o desastre pode afetar os moradores fluminenses, tendo em vista que o Rio Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de cerca de 80% da população da Região Metropolitana do Rio, pode ser atingido. Além disso, aponta que outro problema que pode causar danos é um sítio contaminado em Volta Redonda, que recebe diariamente dejetos e substâncias químicas de cerca de 100 caminhões, podendo contaminar o rio, que fica a 50 metros do local.

Região Serrana do RJ

Em Nova Friburgo, há 13 represas de pequeno porte que captam, tratam e fazem o abastecimento de água no município, que são as estações de tratamento de água (ETAs). São elas: Amparo, Bela Vista, Caledônia, Curuzu, Debossan, Rio Grande de Cima, Riograndina, Campo do Coelho 1 – Janson, Campo do Coelho 2 – Santana, Santa Cruz, Lumiar II – Santa Margarida, São Pedro Bocaina e São Pedro Tapera.

De acordo com a concessionária de água e esgoto do município, a que tem maior captação de água é a estação Rio Grande de Cima, que é abastecida pelo Rio Grande, mantendo seu seu nível constante o ano inteiro. O rio tem aproximadamente 200km de extensão, que vai da nascente em São Lourenço, no terceiro distrito de Nova Friburgo, até a cidade de São Fidélis, no norte fluminense, desaguando no Rio Paraíba do Sul.

Ainda segundo a concessionária, juntas, as 13 ETAs tratam, em média, 50 milhões de litros de água por dia e são monitoradas periodicamente.

A reportagem do Portal Multiplix perguntou sobre os dados técnicos acerca das estruturas de cada estação e como é feito o monitoramento, e a empresa respondeu, em nota, que “todas as barragens, entre elas Debossan e Cascatinha, possuem laudos que atestam a segurança de suas estruturas e não têm nenhuma classificação de risco”.

Estação de Tratamento de Água de Debossan, em Nova FriburgoEstação de Tratamento de Água de Debossan, em Nova Friburgo | Foto: Reprodução/Portal Multiplix

Em relação a Teresópolis, a Cedae respondeu, em nota, que a empresa não opera com represas, mas com três sistemas de abastecimento de água no município, nos quais as equipes operacionais atuam diariamente em vistorias e manutenção do sistema e prestação de atendimento.

Os sistemas de Rio Preto e Mananciais da Serra, o sistema Vargem e Venda Nova e o sistema Bonsucesso produzem, juntos, um total de 600 litros por segundo, atendendo, com água tratada, cerca de 160 mil pessoas.