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Guilherme Boulos: “Achar que tiro, porrada e bomba resolve o problema da violência é enxugar gelo”

Em visita a Nova Friburgo, na última sexta-feira, 13, pré-candidato à Presidência falou sobre suas propostas para Segurança e Saúde

Por Matheus Oliveira
16/07/18 - 16:39
Guilherme Boulos: “Achar que tiro, porrada e bomba resolve o problema da violência é enxugar gelo” Guilherme Boulos apresentando suas propóstas. | Matheus Lamblet

Investir em Inteligência e Educação para tratar da segurança e utilizar o atendimento primário e o esporte como prevenção. Assim, Guilherme Boulos, pré-candidato do PSOL à Presidência da República, pretende tratar de dois temas relevantes para a sociedade brasileira: Segurança Pública e Saúde. Em visita a Nova Friburgo na última semana, ele falou sobre as duas pastas e declarou: “Achar que tiro, porrada e bomba resolve o problema da violência é enxugar gelo”.

Boulos se mostrou contrário à Intervenção Federal que a Segurança Pública do Rio de Janeiro passa atualmente e criticou a medida do Governo Federal. “O que começa mal termina mal. Essa intervenção foi falha do começo ao fim. Não é mais militarização que resolve o problema da violência. O PSOL aqui no Rio de Janeiro tem denunciado isso, de maneira incansável. Traz a polícia, o exército, o Bope. Isso não reduz a violência. Já haviam feito isso no Complexo da Maré e não reduziu a violência. Sabe quanto a intervenção está custando? Um total de R$ 1,2 bilhão”, declarou, completando em seguida. “Essa intervenção veio para não trazer resultado algum. Pega os índices desses quatro meses, não reduziu nada. É enxugar gelo. É reforçar uma política de militarização nas favelas e periferias. É achar que matar a juventude negra nas periferias resolve o problema. Só para fazer uma comparação, pega a UERJ, que tem campus aqui em Nova Friburgo. Com R$70 milhões, que foi pedido para o Governo Federal, encerrava o problema da crise financeira da UERJ. Mas disseram que não havia dinheiro, mas tinha para a intervenção”, revelou.

Segundo o pré-candidato, um dos caminhos para reduzir a violência é priorizar o setor de inteligência

“Precisamos investir em inteligência. Aqui tem um dado dramático, que revela bem a falta de prioridade. Em 2016, o orçamento do estado previa 8 bilhões, e apenas R$ 26 mil foram para a Inteligência. Depois não sabem dizer por que não descobrem quem matou a Marielle (Franco, vereadora do PSOL no Rio de Janeiro, assassinada em março deste ano). Atualmente, 92% dos homicídios no Brasil não são investigados. Achar que vai resolver a violência, com tiro, porrada e bomba, com Bope, com Caveirão, não vai resolver o problema. Já fazem isso há 30 anos e só pioram. É enxugar gelo”, contou.
Outra forma de diminuir o problema, segundo o filósofo e coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) é investir em educação, cultura e esporte como caminho tanto para a segurança quanto para a saúde, como formas de prevenção.

“Esporte é prevenção à doenças e integrado ao lazer e a cultura, também é prevenção à violência. O Atlas da Violência saiu há quase um mês atrás e tem números preocupantes. A quantidade de homicídios e a violência urbana vêm crescendo assustadoramente. Quais são as regiões com maior índice de violência? São aquelas aonde existem menor oportunidade de emprego para os jovens, onde há menos equipamentos de lazer, cultura e esporte e menor abrangência do sistema educacional. Temos que investir em prevenção em todos os sentidos”, declarou.

Saúde

Guilherme Boulous indicou ainda que pretende ampliar os investimentos em saúde pública e no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Primeiro temos que estabelecer que o caminho é a saúde pública. O SUS como atendimento universal é um excelente modelo, o problema é que ele está subfinanciado. Veja que sistemas universais de saúde têm em média, em países que possuem esse modelo, um gasto médio de 8% do PIB (Produto Interno Bruto) para financiar o setor. No Brasil, se gasta 3,8% do PIB. Menos da metade”, ressaltou, antes de complementar. “Precisamos retomar o investimento público em saúde, começando pela atenção primária. Muita gente acha que saúde é só hospital e exame, mas não é só isso não. Nós temos que começar lá atrás, na saúde da família, nos agentes comunitários de saúde. Ali é o momento do acolhimento e da prevenção, para que não vire doença crônica lá na frente. A atenção primária no Brasil tem uma cobertura de 60%. Nós vamos integralizar a cobertura de atenção primária, passando para 100%. Investir pesado na atenção primária no SUS e em saneamento básico”, detalhou.

Por fim, ele declarou que irá regular os planos de saúde privados e como irá custear os investimentos na área.

“Vamos ampliar a rede de atendimento hospitalar com mais médicos e medicamentos na área. Ao mesmo tempo, é preciso regular os planos de saúde privados. Quem paga por saúde privada, sabe a farra que é. Vamos regular e acabar com a porta giratória da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Quem dirige o órgão é gente indicada pelos planos de saúde. Vamos colocar quem conhece da área e tem compromisso com o serviço público e atendimento aos clientes. O foco do nosso investimento será o SUS. Mas de onde virá o dinheiro? Vamos primeiro acabar com as desonerações e realizar uma reforma tributária progressiva, para que os ricos do Brasil, que não estão acostumados a pagar imposto, que só levam, comecem a pagar sua conta para financiar o Estado brasileiro”, finalizou.


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