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Que falta você faria, se não existisse?

O mundo seria melhor, pior ou a mesma coisa, com a sua presença? Que mudanças você introduziria com o seu saber? Quais as mudanças advindas com a sua intervenção?

Por Hamilton Werneck
20/07/20 - 12:26

Você sempre fará falta se a sensibilidade for esquecida. A tecnologia é necessária, mas a formação do afeto dará a forma humana que a tecnologia necessita, caso contrário, você será transformado, em breve, num monstrinho treinado, aquele que conduz um diploma debaixo do braço e joga o filho do sexto andar do edifício. O celular precisa estar ao lado do cuidado de um pássaro que acabou de quebrar a perna. O lugar que treina um monstrinho não deveria existir, não faria falta, já os temos em excesso.

Se você é um monstro treinado, será substituído facilmente por uma máquina ou robô. Você viverá num mundo com tudo de mais moderno, porém, sem alma, sem sentimento, Pense nisso, antes de contemplar as figuras seguintes:

O equilíbrio está nesta conjugação tecnologia e sensibilidade.

Tratar deste assunto não é fácil. Haverá momentos instigando a mudança e poderá fazer sentir dor. Dalai Lhama diz que aprender dói. Abrir os olhos pode doer, mas se não forem abertos, você passará por esta vida e não fará diferença. Se não tivesse existido, ninguém notaria sua falta. Então enfrente a realidade e deixe os seus olhos serem abertos para sua vida ter sentido.

Sua vida não terá sentido se você permanecer sem atualização, sem reinvenção. Quem não se reinventa está morto e não sabe. Por esta razão há pessoas que se sentem livres, quando na realidade, vivem em prisões. Estão presas dentro de si mesmas, como se diante de cada olho existissem grades de uma cela de penitenciária. Nada aprende de novo, luta para que tudo volte ao passado, só falta xingar o ferro elétrico usado para passar roupa e sentir saudades do ferro aquecido a brasas usado pela própria avó.

Esquece quem vive sem pensar para que serve ou que falta faria se não existisse que a avó levou trinta anos para deixar o ferro aquecido com as brasas do fogão à lenha e passou a usar o ferro elétrico. Mesmo que o tempo demore um pouco mais, a máquina fotográfica entre a invenção e a chegada às prateleiras das casas comerciais levou 150 anos. Por isso, muitas pessoas pensando somente no passado das invenções, esquecem da necessidade das reinvenções e aceitam passivamente as grades diante dos próprios olhos.

Invenções, hoje consideradas simples, porque quase todos usam, não nos deixam refletir sobre o tempo em que estão no mercado, como o papel higiênico macio que nos acompanha com conforto maior há um século e pouco. Muitas vezes não pensamos naqueles que usaram o tempo no passado, para modificar o presente em que vivemos e, muito menos, pensamos em mudar o presente, para criarmos melhores condições para os humanos no futuro.

A vida que levamos, hoje, depende de antepassados que, certamente, fariam falta se não tivessem existido. O sabão em pó chegou ao Brasil em 1952, quando muitos dos leitores deste texto não eram nascidos. Nossas avós tiravam manchas nas roupas usando sal, sol e limão. Lembro-me ainda da felicidade de minha avó usando o primeiro sabão em pó, da marca “POX”, para deixar as roupas de molho e facilitar o trabalho numa época onde não se sonhava, no Brasil, com a máquina de lavar roupas.

O Brasil conheceu as primeiras máquinas de lavar roupas em torno de 1940, mas não eram populares e o preço muito elevado e todas importadas. Este é o mesmo tempo para os aparelhos de ar refrigerado, ainda importados e muito caros, atingindo somente as famílias de renda alta no país. Todos os inventores, se não tivessem existido, certamente fariam falta. A geladeira tem o mesmo tempo de vida no Brasil que o papel higiênico macio, portanto, estamos comemorando o seu centenário. Todas importadas, caras e muito grandes.

A comida congelada, comemorada hoje como uma grande invenção humana, chegou 10 anos depois da geladeira e só atingiu a classe média após a inauguração de Brasília, mesmo assim, guardar comida congelada por mais de uma semana foi algo muito mais próximo de nós, quando a linha branca nos ofertou os freezers.

Quanta gente no mundo faria falta se não tivesse existido. Não fora Alexander Fleming e o bacilo de Koch estaria fazendo estragos; não fora Sabin e muitos humanos estariam manifestando as deformações trazidas pela paralisia infantil. Que falta faria um Fleming ou um Sabin? Mas, volto à pergunta inicial: “se você, leitor, não existisse, que falta você faria”?

Mesmo que os confortos da vida diária tenham chegado bem depois da invenção, ao Brasil, é bom você saber que o forno de micro-ondas foi inventado em 1967, embora os cientistas tivessem desconfiado sobre essas ondas durante a segunda guerra mundial por causa dos radares. Os computadores pessoais surgiram em 1977 e os fones celulares em 1992. Em breve teremos mais celulares que o número de habitantes do planeta terra. Certamente os inventores fariam muita falta se não tivessem existido.

Não estou escrevendo para incentivar pessoas a serem inventoras. A simplicidade diária pode ser muito útil, desde um novo tempero para um prato a ser degustado no almoço ou uma disposição melhor de produtos dentro de uma caixa. O importante é que as pessoas entendam que suas vidas precisam ter importância. Portanto, pense nisso: que falta você faria se não tivesse existido!


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