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Friburguense, ex-jogador Fajardo conta histórias do Bangu nos tempos de Castor de Andrade

Inspirada em série sobre o contraventor, em entrevista, o antigo meia do time carioca relembra momentos com uma das figuras mais icônicas dos anos 80

Por Matheus Oliveira
08/03/21 - 14:08
Friburguense, ex-jogador Fajardo conta histórias do Bangu nos tempos de Castor de Andrade Fajardo se tornou um dos destaques do Bangu na época de Castor de Andrade | Foto: Arquivo Pessoal

Na Toca do Castor! O sucesso da série “Doutor Castor” trouxe à tona um pouco mais da personalidade do icônico contraventor Castor de Andrade, patrono da agremiação do carnaval carioca Mocidade Independente de Padre Miguel e presidente do Bangu Atlético Clube nos anos 80.

E o que muitos não sabem é que, neste período, um friburguense se tornou uma das estrelas da equipe da Zona Norte do Rio de Janeiro: o ex-meia Carlos Alexandre Fajardo Viana, o Fajardo, nascido em Nova Friburgo, cidade da Região Serrana, e que atuou pelo Alvirrubro Carioca entre 85 e 88, conquistando a Taça Rio de 1987.

Em entrevista ao Portal Multiplix, ele relembrou aqueles “anos dourados” e como era a convivência com um dos principais cartolas do país na época.

Fajardo conta que ficou sabendo do seriado através de amigos que viram imagens antigas dele quando atuava pelo Bangu e que isso gerou uma grande repercussão.

Convivência e casos de Castor de Andrade

Ele conta que a convivência com Castor de Andrade era de pai e filho e que o controverso cartola sempre foi muito amável.

“Meu relacionamento com o Castor de Andrade era excelente, como de pai e filho. Era impressionante o carinho que ele tinha, não só comigo, mas com todos os demais jogadores. Ele era uma pessoa extremamente dócil e carinhosa com todos”, afirma.

Fajardo relembra um episódio que mostra o carinho do “Doutor Castor” com os jogadores. Antes de uma operação, a primeira da carreira, ele estava receoso e com medo. Segundo Fajardo, foram marcadas duas operações anteriores e ele não quis se submeter ao procedimento cirúrgico. Então, na terceira vez, seus pais foram ao Rio de Janeiro lhe apoiar. Ele revela que morava na Toca do Castor, onde era a concentração do clube carioca, com outros três atletas.

“Quando meus pais vieram, o Castor os colocou no Hotel Nacional Rio, em São Conrado, e pagou todas as despesas deles que ficaram uns três dias na capital fluminense. Este outro lado dele, a gente escutava falar, mas a gente não conhecia. A gente via o Castor carinhoso e muito dócil. O meu período no Bangu foi de muita alegria”, relembra.

Fajardo atuou pelo Bangu a partir de 1985, logo depois da equipe ser vice-campeã do Brasileiro, perdendo a final para o Coritiba. Depois disso, ele disputou a Libertadores de 86 pelo clube e conquistou a Taça Rio de 87. Ele encerrou sua passagem pelo time de Moça Bonita em 1988.

O ex-atleta friburguense conta que a concentração do Bangu, na época, a Toca do Castor, recebia muitos artistas e até o então governador do estado Saturnino Braga.

Sobre os jogos em Moça Bonita, ele revela uma curiosidade.

“Nós nunca perdíamos as partidas disputadas em Bangu. Depois dos confrontos, esses árbitros apareciam na Toca”, revela.

Ele afirma ainda que Castor dava dinheiro para os atletas jogarem em apostas na concentração do Bangu e se os atletas perdessem toda a grana, tinham que sair da mesa de jogo.

“O Castor achava que se você perdesse o dinheiro, não devia apostar o seu salário. Ele acreditava que isso faria com que o time não rendesse”, conta.

Início da carreira

Antes de viver este período de glórias e estrelato, Fajardo foi revelado pelo Friburguense e chamou a atenção de vários clubes como Vasco e Fluminense. Mas acabou indo parar mesmo no Bangu.

Ele revela que atuou pelo antigo Fluminense, que originou o Friburguense nos anos 80. Conta que se profissionalizou aos 15 anos e que seus pais não tinham interesse que ele seguisse a carreira de jogador.

Entretanto, tamanho talento chamou a atenção de grandes clubes. Primeiro, ele negociou com o Fluminense, ainda adolescente.

Nas negociações, seus pais exigiram que ele estudasse em um renomado colégio carioca. O clube aceitou. Entretanto, os horários das aulas batiam com os dos treinos nas Laranjeiras, sede do clube tricolor.

Assim, a mãe do então atleta não permitiu que ele vestisse a camisa do Fluminense e o manteve em Nova Friburgo.

Então, segundo Fajardo, a diretoria do Friburguense o profissionalizou para que pudesse lucrar com sua venda.

Depois de muitas propostas recusadas pelo clube de Nova Friburgo, Fajardo conta que negociou com o Vasco, que queria colocá-lo no Juventus de São Paulo como comprador. Ele ficaria três meses em São Paulo e voltaria para o Rio. Tudo isso para evitar que o preço de seu passe fosse valorizado.

Mas os planos e a vida de Fajardo estavam para mudar. E exatamente por causa de Castor de Andrade.

“No meio disso tudo, recebi uma ligação do Gerson, o Canhotinha de Ouro e tricampeão mundial, e que já me conhecia do Country Club. Ele me disse que o Castor ia me ligar. Ele ligou e disse que queria que eu jogasse no Bangu. Marcamos em uma famosa churrascaria carioca e o Castor já me mandou treinar”, afirmou antes de completar.

“Eu disse que não tinha trazido nada. Ele pegou um bolo de dinheiro e mandou o segurança comprar o material. Eu treinei no sol de 15h30 em Bangu e o Doutor Castor me disse que eu não ia voltar mais para Friburgo. E assim, após resolver o imbróglio com o Friburguense, acabei realmente ficando e passando por momentos muito felizes”, relata Fajardo.

Assim, Fajardo esteve em momentos gloriosos do Alvirrubro Carioca e dividiu os gramados com nomes como Neto, Marinho, Ado e Arthurzinho sob o comando do técnico Paulo César Carpegiani.

Final precoce

Depois disso, Fajardo deu prosseguimento à sua carreira, mas as lesões o impediram de seguir atuando.

“Eu tive bons momentos no Bangu, mas, na verdade, infelizmente, em todos os clubes pelos quais passei, eu tive lesões seríssimas. Tenho onze operações no corpo devido à minha profissão, e isso me atrapalhou demais, prejudicando o andamento da minha carreira”, revela.

Então, ele passou pela Portuguesa, Noroeste de Bauru, e passou um tempo no São Paulo, se recuperando de uma séria lesão na tíbia e no perônio. Em seguida, foi para o Al Rayyan, do Catar, sede da próxima Copa do Mundo em 2022.

Sem se adaptar e com muitas lesões, o ex-atleta friburguense acabou encerrando a carreira aos 25 anos.

Em seguida, ele se formou em Educação Física no Rio de Janeiro, montou uma escolinha e passou a trabalhar revelando talentos em Nova Friburgo.

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