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Quando o trabalho é o seu maior inimigo

De assédio moral à falta de estrutura, ausência de funcionários nas empresas indica deficiência nas relações laborais

Por Ana Blue - 08 de Outubro de 2018, 11:44
Quando o trabalho é o seu maior inimigo De assédio moral à falta de estrutura, ausência de funcionários nas empresas indica deficiência nas relações laborais | Foto: Banco de Imagens

Você já ouviu falar na palavra absenteísmo? Ela designa um tipo específico de ausência (em latim, absens = estar fora, estar ausente), em que um indivíduo se abstém de alguma atividade ou função de responsabilidade dele, ou que conte com ele para acontecer. Não comparecer a uma campanha nacional de vacinação, deixar de votar numa eleição e faltar aula constantemente são alguns exemplos de absenteísmo, mas é no ambiente profissional que o termo ganha mais destaque.

Todo mundo conhece a velha história: você passa mal frequentemente, não vai trabalhar, o seu superior fica num mau humor infernal, bota outro funcionário para fazer o seu papel e no outro dia o clima é aquela maravilha - só que não! Ou você não falta: vai trabalhar mesmo sem motivação, sempre chega atrasado, como se não quisesse nem chegar. Onde foi parar toda aquela animação do início, aquela vontade de fazer um bom trabalho, de progredir como profissional? O emprego parece uma tortura, e tudo o que você queria era não precisar estar lá.

Identificou-se? Pois não se desespere! Você não está sozinho. A insatisfação no trabalho é uma constante entre os brasileiros – e em tempos de mercado acirrado e economia com o pé no freio, a relação do homem com o emprego tende a ficar ainda mais delicada. Segundo a psicologia, o trabalho é, sim, uma das condições preponderantes para a realização humana. Tem a ver com satisfação pessoal, com o sentido da vida, com sentir-se útil e parte de algo maior. Uma das razões apontadas é a maneira como as pessoas encaram o trabalho hoje. Elas procuram realização e felicidade dentro de uma carreira – o que não ocorria há décadas atrás, quando o trabalho era exclusivamente uma fonte de renda. A internet e as redes sociais também contribuem, afinal, existe uma tendência à frustração causada pela comparação com as outras pessoas.

É possível, ainda, que a busca pela satisfação no trabalho esteja tomando o lugar de outras esferas da vida: a participação política e a religião andam perdendo força, de modo que as atenções se voltam para o trabalho e outros aspectos menos coletivos e mais pessoais. “O trabalho dignifica o homem”, diria Benjamin Franklin. Mas, como encontrar dignidade num ambiente hostil?

De um lado estão milhões de brasileiros desempregados; de outro, aqueles que, embora empregados, vivem sob ameaça crescente de cortes financeiros e demissões. O trabalhador brasileiro não vive uma vida fácil. E de acordo com dados da Previdência Social, o estresse é a terceira maior causa dos afastamentos por mais de 15 dias dos segurados, e a estimativa é de que, até 2020, passe a ser o primeiro motivo. No total, o Brasil tinha 13,1 milhões de desempregados no trimestre encerrado em fevereiro de 2018, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE).

O absenteísmo nas empresas não pode ser considerado apenas como irresponsabilidade do empregado. Mais que isso, indica que os membros daquela equipe têm necessidade de um tratamento mais humano por parte da entidade patronal. É, muitas vezes, uma tendência defensiva contra determinadas deficiências nas próprias relações laborais: desmotivação, assédio moral, feedback negativo, cargas horárias excessivas, acúmulo de funções, desorganização da empresa, falta de estrutura... As causas são principalmente sociais ou psíquicas. Por isso, uma das formas mais eficazes de combatê-lo é fomentar uma relação mais humana entre empregadores e empregados. As empresas e os seus corpos jurídicos e de recursos humanos devem trabalhar em conjunto para elucidar o problema. A solução existe. Permita-se ou demita-se!