O fim do comunismo no Brasil

Bolsonaro retornará aos tempos áureos do capitalismo

Por Conrado Werneck Pimentel - 09 de Janeiro de 2019, 13:56

O dia 1º de janeiro foi um marco histórico para o Brasil: o fim do comunismo que reinou durante os governos do Partido dos Trabalhadores. Bolsonaro restituiu a propriedade privada, os modos de produção retornaram à propriedade privada, as classes sociais voltaram a existir e a hierarquia foi implementada. O capital industrial foi retirado das mãos do Estado e foi colocado à disposição para a disputa no livre-comércio entre latifundiários brasileiros e grandes conglomerados internacionais. A mais-valia, até então extinta pelo governo comuno-petista, foi também restituída. Antes, não havia como micro, pequenos, médios e grandes empreendedores e empresários gerarem lucro através de suas atividades: tudo era revertido para altíssimos impostos que serviam mais como uma “mamata” do que para os serviços públicos. A alimentação da população brasileira voltou a ser diversificada – acabando com a padronização, inclusive, nas opções do vestuário.

Teve fim também o monopólio dos meios de comunicação por parte do Estado, podendo, agora, haver diversas emissoras diferentes – mesmo que contrariem a legislação, quanto à posse de concessão pública por parlamentares. Milhares de profissionais técnicos de carreira no serviço público foram demitidos por terem participado dos governos petistas, o que era um claro sinal de alinhamento com o comunismo tupiniquim. Todas as terras improdutivas que foram ocupadas por trabalhadores sem-terra foram desocupadas, trazendo novamente a paz em todos os recônditos rurais do país, uma vez que todos os envolvidos eram parte da milícia paraestatal dos governos petistas. O mesmo se deu com os movimentos sociais de trabalhadores sem teto nos grandes centros urbanos sob a mesma justificativa. Dessa forma, houve o retorno do rentismo de terras e imóveis improdutivos e parados, acabando com a desordem nesses ambientes e instituindo novamente o direito natural à propriedade privada.

Toda e qualquer marca que remetesse à velha ordem comunista será expurgado: está em estudo a mudança do nome do país Brasil (que, em celta, significa vermelho como brasa) para algo que remeta ao real patriotismo do povo brasileiro (e, aqui, confesso, me falta imaginação para tal); o mesmo provavelmente sucederá com a Carteira de Trabalho, antes, um símbolo de direitos trabalhistas que, de acordo com intelectuais do governo Bolsonaro, são fascistas, um verdadeiro empecilho aos empregadores que sofrem com a alta carga tributária e dispêndios que podem ser podados com o fim da Justiça do Trabalho e, agora, será purificado pelas cores verde e amarelo, significando o quanto de sangue (melhor usar a palavra suor...) o povo brasileiro é capaz de dar para que o país se desenvolva. O primeiro passo já foi dado: a retirada de cadeiras vermelhas do Palácio da Alvorada – uma clara alusão ao antigo governo.

Igualmente extintas foram as aulas de educação sexual, que eram lecionadas por professores comunistas direcionadas às criancinhas do jardim de infância, onde aprendiam, com o kit gay, a se tornarem qualquer outra coisa que não fosse homem e mulher e incentivavam a pedofilia, que teve um salto exponencial durante as duas últimas décadas: em suma, o pensamento comunista será extinto da cabeça dos alunos de escolas públicas e particulares com o Escola sem Partido, que terá como viés um pensamento digno da família tradicional brasileira e anti-ideologizante (já que trata-se de uma questão natural e divina, e não socialmente construída): menino veste azul, menina veste rosa; na cama, só papai-mamãe (e para procriação); foram restituídos os valores morais da Igreja Católica, que havia sido criminalizada durante este obscuro período de nossa história. O projeto Escola sem Partido também trouxe, novamente, a diversificação dos pensamentos políticos, sociais, econômicos, filosóficos, biológicos, geológicos e metafísicos: as aulas de religião, por exemplo, foram reestabelecidas, foi posto em xeque a teoria da gravidade e o formato do planeta Terra – uma clara demonstração da liberdade de pensamento do novo governo e do quanto estivemos atrasados em escolas e faculdades quando estas eram dominadas por doutrinadores marxistas.

A grande cruzada para decapitar o comunismo do país está em vias de fato e nos trará as glórias que somente um governo messiânico pode nos trazer. Juntamente com banqueiros, pastores e rentistas.

O autor prefere deixar explícito, com todas as palavras, que este texto tem altas doses de ironia e, se me permitem, cinismo. Por ora é tudo o que o momento me permite.


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