Você acredita que a cor do seu cabelo influencia sua personalidade?

Friburguenses com as madeixas coloridas falam sobre como as cores inspiram suas emoções

Por Luisa Machado
27/08/19 - 09:37
Você acredita que a cor do seu cabelo influencia sua personalidade? As cores no cabelo podem ser uma forma de mostrar atitude e expor personalidade | Foto: Banco de Imagem

Alguma vez você já se perguntou se a cor que você usa no cabelo diz algo sobre você? As cores são ferramentas importantes e exercem influência em diversos aspectos da vida: nos alimentos, na moda, na decoração. No cabelo, as cores podem representar fortes traços da personalidade da pessoa, como explica a cabeleireira Marcia Sena.

“Cores exóticas estão ligadas à alegria, liberdade de expressão, personalidade formada e assumida. Tenho certeza de que muitas pessoas têm vergonha de pedir e assumir cores exóticas, infelizmente. Cores vivas trazem sensação de muita satisfação! Um cabelo azul, ou rosa, por exemplo, traz uma leveza e desobrigação sem fim! Não me recuso a fazer essas cores. Independente de idade, cor de pele, religião, trabalho... Acho importante primeiro conversar e entender porque o cliente teve esse desejo”, conta Marcia que, atualmente, exibe seus cabelos roxos pelas ruas de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro.

No caso do tatuador friburguense Renato Matos, as cores no cabelo já o acompanham há cerca de 5 anos. Para escolher as cores que usa, ele normalmente segue o caminho mais fácil de pigmentação, dependendo da cor que o cabelo está no momento. Para o tatuador, as cores influenciam diretamente o estilo de vida dele.

“Já tem uns 4 ou 5 anos que eu pinto o meu cabelo. Já pintei de azul, verde, amarelo, rosa, vermelho, laranja, não tenho certeza de quantas cores exatamente. Melhora muito a minha autoestima quando eu pinto o cabelo. Eu acredito que as cores influenciam, tanto que a cor preferida pro meu cabelo é rosa, porque me lembra de ser uma pessoa feliz e tranquila”, avalia Renato.



É claro que todas essas cores vêm com grandes responsabilidades embutidas. As tinturas podem ser uma forma de fugir do padrão, mas é preciso ter cuidado para conservar as cores escolhidas.

“O profissional da área tem que ter responsabilidade. Não posso pegar um cabelo qualquer, descolorir e colocá-lo azul, por exemplo. Temos que ter responsabilidade para saber até onde podemos ir, nas tinturas, naquele cabelo específico. E quem faz a descoloração precisa saber que o cabelo precisa de nutrientes, precisa de hidratação e cuidados no geral”, diz Márcia Sena.

Desde criança, a publicitária friburguense, Rachel Sardou, sonhava em ter os cabelos coloridos. Só aos 19 anos teve liberdade para fazer e pintou as pontas de azul. Desde então, agora com 24 anos, Rachel já teve mais de cinco cores diferentes nas madeixas, que, na maioria das vezes, descolore e pinta sozinha, em casa. Ela conta que as cores atraem diferentes reações nas pessoas que a veem pelas ruas da cidade.

“As pessoas olham, perguntam como eu fiz, se é de verdade. Geralmente as pessoas gostam muito, e poucos olham de cara feia. Tem gente que me conhece, só de vista, sem nunca ter falado comigo, e comenta sobre mim, só por eu ter cabelo colorido. Uma moça já me parou na rua pra perguntar como eu fazia aquilo, porque a filha dela queria muito pintar o cabelo, mas não sabia por onde começar. As crianças adoram, elas querem fazer igual ao meu, sempre. Teve uma que me perguntou, uma vez, se eu era uma fada”, conta.



Muitas vezes, ainda existe quem veja os cabelos coloridos com um tom de preconceito. Para a cabeleireira Márcia, em cidades menores, as reações são mais chocantes.

Em cidades menores, como Friburgo, as pessoas ainda nos chamam de loucas, esquisitas, mas é por falta de hábito. No exterior, gostaria de ir pra dois lugares que têm uma incidência muito grande de pessoas que gostam de cabelo colorido, que são o Japão e Barcelona. Lá, é possível ver crianças de 6 anos com uma mecha sutil e senhoras de 70 com cabelos totalmente verdes, por exemplo. É maravilhoso que as pessoas possam se expressar através das cores, porque é uma forma de mostrar atitude sem agredir ninguém. Mais cor, por favor! Finaliza a cabeleireira.